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Artigo

O futuro governo Camilo e o direito à comunicação – Por Heverson Castro

O governado eleito Camilo Capiberibe venceu as eleições de 2010
enfrentando a fúria majoritária da imprensa amapaense. Durante o
processo eleitoral a Frente Popular (PSB/PT) surpreendeu as elites e
os poderosos meios de comunicação ao furar o bloqueio midiático
imposto pelos donos e coronéis da imprensa local.

Camilo revelou-se um profundo conhecedor dos problemas gerados pela
concentração da informação nas mãos daqueles que por oito anos se
calaram diante dos escândalos de corrupção. Diversas TV´s, rádios,
jornais impressos se mostraram omissos, não denunciando a realidade
vergonhosa que assombrava o Amapá.

Com a vitória de Camilo Capiberibe o povo sepultou a “harmonia”, uma
espécie de consórcio de poder que envolveu agentes políticos,
partidos, instituições e quase toda a imprensa do estado. Com exceções
de setores dos movimentos sociais, da mídia alternativa e da pequena
oposição (minúscula mais aguerrida) que heroicamente resistiram aos
crimes e denunciaram os descalabros dos donos do poder, quase todas as
instituições do Estado foram corrompidas pelo projeto criminoso de
Waldez Góes e Sarney.

O novo governador sabe das dificuldades que vai enfrentar, pois os que
ainda estão no poder não irão dar sossego. Um exemplo claro das pedras
no meio do caminho é o rombo deixado nos cofres públicos e o orçamento
engessado que está sendo discutido na Assembléia Legislativa. O ano de
2011 vai começar com o orçamento comprometido, pois sabemos que os
parlamentares não topam fazer cortes nos privilégios criados nos oito
anos de desgoverno.

Uma área crucial que merece um olhar mais profundo na minha modesta
opinião é a comunicação. O orçamento de 2011 deve fechar em torno de 6
milhões de reais, uma redução significativa na farra criada por Waldez
Góes. Aí está o grande temor dos barões da mídia, que mantém seu
“midiático poder” com uma bagatela milionária de dinheiro público.

Mas debater comunicação não se restringe ao orçamento destinado às
verbas publicitárias e outras coisas que são feitas com o uso do
dinheiro público. Em minha opinião a jogada de mestre de Camilo teve
seu pontapé inicial agora nesta semana, quando decidiu chamar para sua
equipe de transição duas pessoas de qualidade técnica, mas bons
militantes políticos que estão sintonizados com revolução tecnológica
e digital do século XXI.

Os homens de quem falo, apesar de ser suspeito são Alípio Júnior e
Jucicleber Castro. A dupla realizará estudos para implantação da
internet Banda Larga no Estado, além da reativação do Portal da
Transparência, que disponibilizará em tempo real os gastos públicos do
governo do Estado, a partir de janeiro de 2011. Essa foi a peça chave
do tabuleiro do xadrez político, no que diz respeito ao debate de
democratização e do direito à comunicação.

Camilo Capiberibe sabe o peso que a internet tem e o poder de
articulação e relação que o governo pode estabelecer com o povo. O
presidente Lula foi um grande sábio ao incentivar essa política. Esse
debate agora está mais acalorado do que nunca com a discussão de um
marco regulatório da mídia.

Se o governo da Frente Popular enfrentar essa discussão e priorizar a
comunicação social, tendo como foco o acesso do povo às novas
tecnologias, estaremos iniciando um processo de ruptura com o status
quo estabelecido pelo atual governo. Outra atitude que o novo
governador pode tomar é a mesma que Lula tomou ao democratizar os
recursos públicos de destinados à publicidade.

Em 2003 os recursos do governo federal eram centralizados nas mãos de
cerca de 400 veículos de comunicação (jornais, revistas, TV´s, rádios,
etc...). Agora no final de mandato, Lula possibilitou que mais de 2000
veículos recebessem verbas destinadas à publicidade. Ou seja, houve
uma inversão de valores e a democratização no acesso ao recurso.

Sabemos que Waldez Góes priorizou e enriqueceu alguns donos de
jornais, rádios e TV´s com a sua política de cooptação da imprensa.
Camilo pode fazer o inverso, distribuindo democraticamente os recursos
da Secretaria de Comunicação.

Para ficar mais lindo tudo isso, vejo que é necessário e urgente o
debate de criação do Conselho Estadual de Comunicação Social. Um
espaço democrático e fiscalizador do dinheiro público destinado à
área.

Sabemos que essa tarefa não será fácil, pois os donos da mídia não
irão sossegar e abrir mão de seus privilégios. A disputa será árdua,
por isso, é preciso enfrentar de forma séria esse debate mudando a
correlação de forças na sociedade.

Heverson Castro é blogueiro e escreve no novo endereço
www.heverson-castro.blogspot.com
Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

6 comentários para “O futuro governo Camilo e o direito à comunicação – Por Heverson Castro”

  1. Parabéns pela reportagem

    Escrito por Glauber | 4/12/2010, 13:46
  2. Certamente trazer a internet com velocidade será uma revolução no Amapá. Quando falei com os professores sobre os notebooks, alguns criticaram o acesso a internet. Agora os projetos se cruzam no mesmo sentido. Inclusão digital aos professores do estado.

    Escrito por Joelma Bandeira | 6/12/2010, 21:00
  3. Prezada Luciana
    Acho oportuno e de extrema importância o texto do jovem jornalista Heverson Castro e gostaria de contribuir com o seu ponto de vista, colocando ao seu dispor o excelente artigo escrito pelo lingüista estadunidense Noam Chomsky que elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação midiática” (Por Rodrigo Vianna no Blog Escrevinhador terça-feira, 23/11/2010 às 10:45 )
    1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
    O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.
    2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
    Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
    3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
    Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
    4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
    Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
    5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
    A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

    6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
    Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…
    7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
    Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.
    8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
    Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…
    9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
    Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
    10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
    No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

    Escrito por Fernando Castelo Branco | 6/12/2010, 23:41
  4. TENHO MUITA FE QUE CAMILO IRA FAZER O MELHOR GOVERNO DO AMAPA SIM PORQUE ESTARA COM UMA BANCADA BOA DO ALDO DELE TOTAMENTE DIFERENT EA DO PAI O CARA TEM A MENTE EVOLUIDA OU SEJA ELE ESTUDOU PARA ISSO A POLITICA ESTA NO SANGUE DE CADA UM DELES SIM SAO OS MELHORES NA POLITICA AMAPAENSE PORQUE SAO PESSOAS QUE NUNCA TIVERAM EVOLVIDAS EM ESCANDALOS COMO O QUE OCORREU NESSE ANO EM QUE FOI UMA VERGONHA NACIONAL OS LEGITIMOS REPRESENTANTES DO POVO ATRAS DAS GRADES ESSA FOI HISTORICA PARA O AMAPA CAMILO E O UNICO QUE VAI MORALIZAR O AMAPA QUE SE ENCONTRA ABANDONADO NAS MAOS DE POLITICOS CORRUPTOS QUE ASSOLOU O AMAPA DURANTE OITO ANOS DE MUITA DESGRAÇA VERGONHA AO POVO QUE NAO MERECE SOFRER TANTO ASSIM MAIS ESSE QUADRO VAI MUDAR PORQUE CONFIO EM CAMILO ELE E A NOSSA ESPERANÇA DE MUDAR O AMAPA.

    Escrito por erick | 9/12/2010, 1:44
  5. Também acredito que Camilo irá fazer um governo para o povo, assim como seu pai Capi. Que Deus abençoe ele e todos amapaenses.

    Escrito por Catiane Costa | 9/12/2010, 16:35
  6. HEVERSON EU CONCORDO COM VC SOBRE O GOVERNADO ELEITO PELO POVO CAMILO CAPIBERIBE ELE SIM SERA O DIREITO DO POVO A COMUNICAÇAO MUITO OBRIGADO POR MOSTRA AO POVO QUE EXISTE PESSOAS COMO VC QUE FALA AO POVO SOBRE CAMILO TCHAU….

    Escrito por Amauri Barros | 18/12/2010, 21:52

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