A Amapá Vip, que foi denunciada, também tentou participar da licitação deste ano, mas acabou desclassificada
Dimmi Amora
Um contrato de R$ 43,6 milhões no Amapá com suspeita de superfaturamento e pagamento de propina -que originou a Operação Mãos Limpas- passou das mãos de uma empresa cujos donos são investigados por corrupção para a companhia que pertence ao denunciante.
Com valores mais altos e a mesma quantidade de homens, a empresa LMS Vigilância assumiu o serviço de segurança não armado das escolas públicas do Estado em agosto deste ano, dias antes da operação da PF, que levou 18 pessoas à prisão, entre elas o governador Pedro Paulo Dias (PP) e o ex-governador Waldez Goes (PDT).
Este contrato estava com a Amapá Vip e vinha sendo renovado de forma emergencial desde 2007, o que foi considerado irregular pela PF. Dos recursos públicos repassados à Amapá Vip, segundo a PF, saía o dinheiro para pagar propina a autoridades. Uma testemunha disse que eram R$ 100 mil mensais ao secretário da pasta.
Só por este contrato, a empresa recebia R$ 2,6 milhões ao mês (recursos federais) para empregar 1.100 vigilantes, o que significa R$ 2.181 por trabalhador (contando 13 salários). O Amapá tem 414 escolas estaduais, o que dá R$ 6.280 ao mês por unidade.
Esse contrato é a origem da investigação. Em 2007, a LMS venceu a licitação. A Amapá Vip entrou na Justiça alegando que ela tinha conseguido aumentar de forma fraudulenta seu capital social para participar do processo. A LMS, que tinha capital de R$ 250 mil, comprou precatórios de outra empresa e assim passou seu capital para R$ 2,5 milhões, suficiente para entrar no certame.
Comentários
Nenhum comentário para “Folha de São Paulo – Firma(LMS) que denunciou fraude no Amapá ganha contrato”
Comentar