“Meu Deus, estou preparado para fazer o melhor nesta prova, mas, seu eu não passar, é porque não me preparei o suficiente para lograr o êxito pretendido e peço a Tua Ajuda para me consolar, pois sei que a vida é assim mesmo e só os melhores (preparados) vencem. (…)”
A Parte IV do livro De Faxineiro a Procurador da República, de Manoel Pastana, está na berlinda. O versículo que vai acima é introdutório, um texto que pretende ser a oração do concurseiro. Parece mais a prece do derrotado, pois pede ajuda (aliás, não entendi porque “Ajuda” está em maiúscula) a Deus para ser consolado se não obtiver êxito, mesmo que saiba estar bem preparado.
Se um hermeneuta detiver-se a analisar a oração, vai cismar que o concurseiro pretende persuadir Deus com a tática ardilosa do “morde e assopra”; isto é, diz que o mais bem preparado (antes de particípio não se usa as formas “melhor” e “pior”) é quem vence; e afirma que está preparado (morde), mas quer consolo se for castigado (assopra). Convém não tergiversar com Deus, que Ele saca o paradoxo.
Como se pode observar, logo no princípio o livro tenta tapear até Deus, alvará o leitor. Tratei de ir adiante e saltei várias páginas para me debruçar na leitura dos capítulos 28 e 29, onde se encontra o objeto do assunto que intenciono tratar. Fiquei estarrecido com o que li.
Da página 367 à página 384 do livro (Parte IV), episódio que trata da eleição e cassação do Capiberibe, é um patuá de disparates, tanto do ponto de vista da forma quanto do conteúdo – especialmente ao meandro jurídico discorrido num thriller policial, em que o mocinho-canastrão protagoniza uma historinha pra boi dormir.
Apresso-me em dizer que não se trata de uma opinião – como é mesmo? – tendenciosa sobre um livro com pretensão literária. A língua portuguesa e a literatura não pode ser confundida com delírio policialesco de um autor que acha divertido contar suas aventuras como se, magistralmente, fosse um Rambo ou um 007 tupiniquim a aniquilar suas quimeras.
Repare nesta amostragem apenas superficial: célere (rápida) = desnecessário o sinônimo; prefiro ser um morto do que um covarde = o verbo “preferir” não admite modificadores (mil vezes, muito mais, antes) nem admite “do que”; inclusive eu… = não se usa “inclusive” como sinônimo de até, até mesmo, ainda, etc.; contei mais de 40 verbos no gerúndio, o texto está eivado de gerundismo; há outros erros como ambages, ambigüidade, solecismo, etc.
De tão pragmático, o autor chegou a uma conclusão filosófica inusitada: “não devemos esquecer que todos nós vamos morrer, mais cedo ou mais tarde.” Mentira?! Posto que Barcellos, que tem 180 anos, prefira que os corajosos passem à sua frente, e assim vai a passos de tartaruga para a eternidade… O livro não é de auto-ajuda, mas de vez em quando o autor fala cada merda, que Paulo Coelho se arrepia na sinagoga.
O volume do livro impressiona, mas os dois pequenos capítulos me bastam. Tentei ir adiante e recuei de chofre. Na página seguinte, capítulo 30, há um erro elementar de digitação: “PODIDO DE INTERVENÇÃO (…)”. Obviamente que queria grafar “pedido”, mas caprichosamente o título veio desfigurado.
Materialmente o livro de 607 páginas tem boa encadernação e é bem apresentável. Não pode, portanto, se dá ao “luxo” de errar o cabeçalho. Isso equivale ao cidadão bem apessoado que se veste elegante e impecavelmente, mas esquece de fechar a braguilha da calça. Desnecessário justificar o óbvio ululante.
Para o leitor não achar que é delírio meu, olha a declaração do autor-jurista sobre os eleitores que supostamente venderam votos ao Capi: “(…) a experiência me dizia que tais eleitores não suportariam cinco minutos de interrogatório e acabariam abrindo o jogo, contando tudo.”
Que métodos infalíveis são esses, se até a subversiva Dilma Rousseff mentiu sob torturas nos calabouços da ditadura? Será que na sessão de interrogatório eles dão beijinhos, e fazem promessas de casamento? Só pode, porque sedução bem-sucedida há de ter dessas coisas, senão a mocinha não abre as pernas nem que a vaca tussa…
Um jurista da mais sagrada cepa afirmou que o capítulo do livro sobre o julgamento do Capiberibe se configura como prova ilibada de sua inocência. Declarações contidas no livro são contraproducentes, provam o contrário do que argumenta. Pastana quer complicar o que é simples; obscurecer o que é claro; e, por fim, generalizar o que é excepcional. Recorre ao sofisma cuja premissa é mais falsa que tiro de festim. Pá!…
Casos citados, inclusive o do Ministro Velloso, só comprometem de fragilidade a teia processual que resultou na defenestração de Capiberibe. Ainda que a tentativa de condenação pelo TRE-Amapá tenha malogrado, isso não ilide o fato de que Pastana se sentiu o pai-da-criança quando o TSE proferiu a sentença da cassação-anunciada. Foi o primeiro senador (e único) no Brasil a sofrer retaliação política de tal magnitude – e Pastana ainda comemorou, por considerar justíssima.
Data vênia, Doutor. A minha mãe faltou-lhe apenas um grau para ser freira; e se não fosse o garanhão do meu pai, ela teria feito voto de castidade e seria beata da irmandade de Padre Cícero. Minha velha mãe do alto de sua sabedoria ecumênica costumava dizer sobre a justiça dos homens: “Justo – mas justo mesmo – só o cu da jia…”
*Ne sutor supra crepidam – não vá o sapateiro além das sandálias. Palavras do pintor Apeles a um sapateiro que, depois de ter criticado num de seus quadros uma sandália (moldura), achou de julgar do resto. Aplica-se também àqueles que vão além da faxina – ou aquém…
DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA
“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado
O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA
No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.
O CRIME DE LESA HUMANIDADE
O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.
A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS
Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos
A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO
A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.
RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5
A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;
A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA
A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.
QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA
A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.
A COMISSÃO DA VERDADE
A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas que divulguem a notícia, bem como que a envie para seus representantes no Legislativo, para que exijam do Governo Federal e Estado do Ceará a localização da COVA COLETIVA.
Paz e Solidariedade,
Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
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Eu ainda não tinha lido o livro – ou, mais precisamente, a parte referente ao Capi. Li. Pareddes tem razão, se eu fosse o Capi arrolava o livro do Pastana como testemunha de minha inocência. Simples assim.
Leitor, você conhece o Mário? Nem eu…
O faxineiro, o gari, o vigia tem a mesma importância social que um procurador, um médico ou um reitor – ou não? O que eu acho desigual é o porteiro da Faculdade Seama, por exemplo, levar uma dedada na entrada, outra na saída; enquanto o reitor, agasalhado em seu gabinete, sorri. Sacanagem. Evidentemente isto é uma metáfora – deletéria, mas figurativa. Desculpa. Quis apenas ilustrar com bom humor a discrepância que há nas hierarquias. Imagina comparar o cabo ao general, o coroinha ao vigário, o eunuco ao sultão, o Pastana ao Pareddes? Se escarafunchar as 306 páginas daquele livro, não vai restar um tuiuiú pra contar história. É por isso que eu não compito com quem não tem formação. Autodidata, é? Sei…