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Artigo

Cortando na carne – por Rup Silva

A operação Mãos Limpas, continua o tema dominante onde quer que se vá e mexe com o Estado pelo teor explosivo das informações produzidas pela mídia nacional, já que a local, como se sabe, as sonega em atitude de conivência com políticos e empresários atingidos e presos por desvio do dinheiro público.

A mega operação executada pela PF com seiscentos agentes levou dezoito personagens a prisão e uma quantidade significativa de outras a se explicar, seja voluntariamente seja de forma coercitiva, já era esperada.

Pelo menos para o juiz federal João Bosco mais cedo ou mais tarde isso aconteceria pelas evidencias há muito exposta a uma sociedade estupefata diante da leniência e conivência das instituições públicas, criadas para a defesa de seus interesses.

O que há de novo na afirmativa de João Bosco é que se explique por que, como juiz federal, ficou só na impressão, e não cumpriu seu dever constitucional.

O Amapá, na verdade, nada difere de outros Estados brasileiros a maioria dominada pelas oligarquias políticas, como já faziam os coronéis no início da República. Como antes, esses grupos controlam o aparelho de Estado e produzem riqueza cujo resultado é rateado pelos grupos de sustentação do poder.

O mais grave e que órgãos, fundamentais na formação do arcabouço jurídico institucional do país silenciam criminosamente permitindo que oportunistas, pessoas medíocres, desprovidas de ética e interesse público, prosperem enquanto a sociedade é privada de seus direitos fundamentais.

A Operação Mãos Limpas reflete o descaso e conivência dessas instituições. Por esta razão os cárceres ficaram lotados de agentes públicos que produziram aquela que já é considerada a maior farra com recursos públicos do país, segundo o ministro do STF que acionou a operação que está apenas no seu começo.

É possível sim governar considerando o interesse público, em favor exclusivo da sociedade. Temos bons exemplos

Não custa lembrar àqueles de memória volátil, que desde que PT/PSB desfizeram a aliança que os uniu até 2002, que o Amapá desandou em matéria de ética e de moralidade pública.

O governo, qualquer que seja ele, não é um bloco monolítico. Laranjas podres existem em qualquer organização seja governamental ou de natureza diversa.

Por dois mandatos os desvios de conduta e de mau uso do dinheiro do cidadão, dentro do possível, eram sustados e punidos com a devida transparência daí o sucesso da aliança PSB/PT cujo governo tornou-se referencia no Brasil.

O Acre dos irmãos Viana, por exemplo, garimpou nas águas inquietas do PDSA, um plano inovador de governar fundamentado na ECO-92 do Rio de janeiro, cujo ignorância de alguns não impediu seu sucesso.

O PDSA tinha vários atributos e se fundamentava na moderna gestão do Estado. Primeiro tinha rumo, objetivo; tinha equipe competente, planejamento e controle do orçamento público e não se roubava o dinheiro do cidadão.

Seu êxito só não foi maior pela escassez de recursos financeiros num país vitimado por crises econômicas mundiais, uma atrás da outra, dificultando seu crescimento.

As fontes de renda do Estado dependiam do FPE minguado, do ICMS sonegado por maus empresários e da luta tenaz contra analfabetos políticos que defendiam mais dinheiro do orçamento para os poderes, impedindo o governo de cuidar de investimento nas áreas sociais, infra-estrutura e geração de emprego e renda.

Esse recall é necessário nesse momento de crise institucional cujo foco central e a gestão do orçamento do Estado desviado grosseiramente de suas finalidades.

Li em Alcinéia Cavalcante que Waldez Góes[PDT] teria sido líder do governo e candidato da coligação a Prefeitura de Macapá em 96.

A jornalista faz a observação com maldade e manifesta intenção de colocar todo mundo num mesmo saco. Claro que Waldez foi. Assim como Bala Rocha[PDT] se elegeu senador no rastro de Capi.

A diferença residia no fato que o governo tinha diretriz e comando. Nele não se roubava os cofres públicos porque o governo vigilante não permitia. E a jornalista já crescidinha sabe disso.

Coisas como essas só servem para baixar o nível do debate, desviar o foco da questão e desconstruir a imagem de um político, gostemos ou não, implementou um modelo de governar que trouxe bons frutos ao Estado.

Outra coisa pequena, mofenta é o malfadado projeto político familiar. Vira e mexe está, indevidamente, no centro do debate.

Essa coisa bolorenta esquece outros clãs que militam na política regional todavia com objetivo diverso. Caso dos Borges, Alcolumbres, Góes , Favachos, Ramos e o próprio Sarney, senhor do Maranhão.

Essa é a razão do Amapá viver os dias sombrios de hoje da Operação Mãos Limpas que ganhou o Brasil, compuscando a imagem do nosso belo Estado.

Não sei a que atribuir a posição equivocada da jornalista, a não ser a vontade de confundir a opinião pública e vender gato por lebre. Cidade de muro baixo conhecemos os interesses, relações e a obra de nossos políticos.

A acusação de projeto familiar é uma falácia, falta de argumentação. Fossemos elencar todos os políticos e agentes públicos que se projetaram à sombra do governo socialista, faltaria espaço. De Milhomem a Papaleo e desse a João Henrique que beberam na fonte do PSB e se evadiram.

O companheiro CORREA NETO vive o dilema de entender a migração de ex-companheiros rumo à candidatura de Lucas Barreto em detrimento do projeto PSB/PT.

É elementar. Essa “nova esquerda”, como auto intitula-se ,perdeu a capacidade de resistir. Barreto é um dos construtores da harmonia, um de seus membros mais eminentes, tanto que, segundo o Presidente Jorge Amanajas, sua passagem pela presidência AL é alvo da Operação Mãos Limpas.

O sectarismo cega. A “nova esquerda” só quer uma “boquinha”. Não mais interessa discutir o Amapá, seus caminhos, como tirá-lo desse atoleiro que a harmonia o colocou.

Para a sorte de todos nós a Operação Mãos Limpas chegou no exato momento. Estamos sangrando. Isso é bom por que depura, segundo os antigos.

O Amapá deve agradecer a PF e STJ, donos da operação. Nada de pessoal, mas quem prevaricou no mandato deve ser punido. De outra forma continuaremos nossa via-crúcis pelo atraso.

POUCAS & BOAS

O CIDADÃO ZÉ. Sem dúvida o músico Zé Miguel [PSB] é um exemplo de cidadão. Fosse nossa sociedade mais politizada jamais perderia a chance de elege-lodeputado. Em meio a essa poluição moral que atinge sua categoria, é um exemplo a ser seguido. Merece seu voto.

GOSTINHO DO FEL. Bastou um solavanco na harmonia para Jorge Amanajas sentir o gostinho do fel. Numa prova de desconfiança sobre suas chances ao governo, logo sua candidatura começou fazer água. Deputados, antes fiés, migram para Lucas Barreto, a esperança da harmonia.

LERO LERO. Na “nova esquerda” tem quem acredite que Barreto será a redenção do Amapá, renegando suas origens. Ao lado do mega empresário Jaime Nunes, outro exemplo de dedicação, cidadania e interesse público, espinafrou um desses petista roxo.

POR FALAR EM PETISTA ROXO.O corpo mole do PT de Santana, que tanto brigou pela unidade das esquerdas, é visível. É que essa turma não faz leitura política, só te olhos para o umbigo. Não avaliam que uma derrota poderá devolverá o partido aos braços de Dalva Figueiredo.

UM ESPANTO!! Refiro-me ao desempenho de Randolfe Rodrigues [ PSOL] e sua campanha ao senado. Para mim nem tanto. Ela se insere no projeto da harmonia e se inspira em SARNEY que “alimenta” sua velha paranóia: impedir que Capiberibe [PSB] volte ao Senado. Capi é o calo de Sarney.

DEPOIS. O rebelde do PSOL, que se considera um ícone da esquerda amapaense, ocupa essa posição graça a harmonia que além do “apoio”, tem seu nome levado por todos os candidatos da direita. Agora se deram conta que assumiu uma dimensão perigosa. Capi deu a volta por cima, lidera as pesquisas[ não a de Sarney] e os outros vão penar para mudar o jogo com a candidatura Randolfo inflada por eles próprios. O que era de brincadeirinha virou um suplício.

MAIS QUE ISSO. Colou a intenção de “nova esquerda” de afixar em Lucas a imagem postiça de mudancista a quem sempre defendeu o interesse do empresariado e poderosos. Impossível negar o papel de Randolfo, cujo preço a pagar será maior que o “apoio” recebido. Fé na vida, fé no que virá.

ÓBVIO ULULANTE. A propósito a obra do candidato Randolfe, que não é tão grande assim, nem significativa, já está irremediavelmente comprometida pela mãozinha que dá a a sobrevivência da harmonia.

E TEM MAIS. Seus parceiros de “mudança” formam uma dupla das mais dinâmicas na periferia, usando métodos ilegais de captação de votos que já está no MPF para averiguação. Por isso fé na vida, fé no que virá. Cabe perguntar ao PSOL se vale trocar o interesse maior do Estado por um sonho ou um delírio pessoal?

PENA!!.Que o Professor Marcos, candidato do PT ao senado pela Frente Popular tenha sido abandonado pelo seu partido. Como o PT não existe diante do lulismo, o Prof.Marcos foi prejudicado presidente [arrogante e prepotente, como é seu feitio] que para atender Sarney apoiou Waldez Góes e o tiro saiu pela culatra. Bem feito!

PISOU NA BOLA. O bola murcha é o Des. Dôglas Evangelista que substituiu Pedro Paulo no seu período de impedimento. Falou alem da conta e assumiu posição que jamais poderia fazê-lo em respeito à moralidade pública, aos cidadãos e as instituições que cumprem seu papel constitucional que deveria respeitar.

CADÊ O IMPEACHMENT? Tudo o que é legal não funciona no Amapá. Tem sempre aquela mão invisível manipulando a tudo e a todos. Ao que tudo indica o MPE, OAB, MPF, IGREJAS, SINDICATOS querem distancia do tema. É duro ser oposição aqui.

COMPROMETIMENTO. A mídia continua fora de órbita. Continua de mal com o verdadeiro jornalismo. Veja o caso da Band que preferiu um falso discurso moralista em favor dos atingidos pela Operação Mãos Limpas que noticiar evento grave e de interesse público.

NA MESMA TOADA. Enquanto isso a afiliada da GLOBO deu uma cobertura espantosa ao retorno ao Amapá dos atingidos pela Operação Mãos Limpas. Enquanto isso cala sobre o impeachment. Mas nos sabemos por que.

O REI DO TAPETÃO. Aquela figurinha indigesta continua urdindo contra desafetos. Sua avidez é tanta que acaba gerando enorme confusão. Ao promover seus favoritos ao governo e senado, acaba prejudicando companheiros históricos.

CUIDADO COM O IBOPE. Ele está chegando com seus números insólitos e suspeitos. Com ele Sarney. Vacine-se! Ouça a voz rouca das ruas, como diria Ulisses Guimarães.

LEWANDOVSKY ESTEVE AÍ. Na surdina o paladino do Ficha Limpa, quase simultâneo a chegada dos principais envolvidos na Operação Mãos Limpas da STJ/PF,chegou para dizer que nada muda no processo eleitoral. Nenhuma palavra sobre o assalto aos cofres públicos, um dos maiores da historia republicana, nem qualquer recomendação contra eleger seus personagens. Estranho, não!

Por hoje é o que há.

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Comentários

Um comentário para “Cortando na carne – por Rup Silva”

  1. Parabens Rup, artigo de primeirissima analise da conjuntura eleitoral e politica da terra tucuju, com certeza como cidadao estamos todos de cabeça baixa, envergonhados, pois no Pais em que a corrupçao faz parte, infelizmente estabelecida no Estado brasileiro de forma clara, os crimes capitaneados pelo ex-governador W e sua quadrilha no AP conseguiu chocar o resto do Pais, tanto que a imprensa nacional da ampla cobertura, estarrecida com o nivel dessas figuras cancerosas, componentes da harmonia, implantada pelo Sarney a partir de 2003. CHEGA DE VOTAR NA TURMA DA HARMONIA os capachos do Sarney:Lucas,PP ,W,JA,Papaleo e…

    Escrito por Sônia | 25/09/2010, 22:02

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