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O triunfo dos Capiberibes e a derrota da harmonia

Rupsilva

Foi um ato de justiça o deferimento dos Capiberibes. Criou-se uma expectativa sinistra contra o registro de candidaturas de Capi e Janete. Considerando o histórico do TRE, que tem julgado, reiteradas vezes, contra os pleitos da oposição, essa possibilidade, unanimidade na harmonia, era considerada como certa.

Embora grande o anseio dos adversários pela “cassação” [mais uma], notoriamente os concorrentes ao mesmo mandato [deputado federal e senador], o colegiado do TRE, desta feita, foi correto na interpretação da lei.

O Procurador Cardozo não disse com clareza, mas nas entrelinhas insinuara que cumpria uma missão institucional [MPE], cuja tarefa era oferecer denúncia contra os “fichas sujas”, categoria que incluíram, injustamente, essas excepcionais figuras da recente história política do Amapá.

Estranho mesmo só o voto do Juiz Federal João Bosco, a ponto de merecer dos colegas críticas azedas. Afinal, como Juiz, não deveria corroborar a tese esdrúxula do TSE de agressão a um dos postulados básicos da justiça: a do princípio da irretroatividade da lei.

Imagine um cidadão, condenado e em fase de reintegração social, criando seus porcos, por exemplo, para sobreviver honestamente, ter que voltar a prisão por conta de uma lei criada anos depois.

A quase unanimidade a favor dos Capiberibes [4 a 1 ] foi a vitória da coerência, do direito, da razão e da cidadania e nos anima esperar  seriedade e isenção do TRE na condução das eleições que vem aí, aliviando dos ombros o peso da suspeição que lhe acompanhou nos pleitos recentes.

Além de tudo, o processo que cassou os mandatos dos Capiberibes em 2004 continua em aberto, não foi concluído, do que se deduz que sequer se pode alegar serem condenados e “fichas sujas”.

Em favor de ambos serem figuras de projeção nacional. Afora ter combatido o regime militar, perseguidos e exilados, tem seus nomes cravados na moderna republica brasileira com a Lei da Transparência, promulgada por unanimidade pelo Congresso [ ratoeira contra maus gestores públicos] que enriquece sua biografia.

É chegada a hora de acabar com o longo processo “de caça as bruxas” e satanização que lhes impuseram. Seus algozes, que não são poucos, e dentre eles Sarney, vão ter que se quedar à realidade. São figuras intimamente vinculadas aos interesses da terra e das populações espoliadas e abandonadas pelo poder público, e mais uma vez estarão combatendo em favor delas nessas eleições, contrariando a harmonia.

Seu governo, entre 95 e 2002, ainda não foi igualado. Seu programa de sustentabilidade, inspirado na ECO 92 do Rio, é reconhecido como um marco, sem precedente, notoriamente  pela comunidade internacional. Menos pelos idiotas da objetividade, que por ignorância preferiram ironiza-lo. E perderam.

O certo é que a decisão do TRE veio para aliviar mentes e corações dos que acompanham seu calvário, iniciado desde que Sarney resolveu, com toda petulância, catalogá-los como inimigos, como se fosse o imperador do Amapá.

Posso garantir que a vitória dos Capiberibes se junta a de todos aqueles que um dia, punidos injustamente por essa figura nefasta por interesses menores, deixou a cidade mais alegre, aliviada e feliz.

PIFOU!!!

A tentativa da turma do PMDB [leia-se Sarney & Cia.] parece não ter funcionado. Refiro-me as recentes pesquisas de intenção de voto publicadas,  em que produziu uma descomunal distorção no desejo do eleitorado do Estado. Tão grosseira, que nem seus aliados se empolgaram.

Pretendia o “honorável”, de verdade, atingir vários objetivos de uma só  pesquisada. A colocação reservada as oposições, tem a clara intenção de ceifar precocemente suas cabeças mais ilustre: candidato ao governo e senado. Objetivava, em primeiro lugar, desestimular a militância e os possíveis doadores de campanha, além de influir o animo do eleitorado.

A distribuição percentual dos candidatos ao governo e senado, não importa que os índices “embolem” a chances,  se considerada a margem de erro, tem a clara intenção de  causar uma humilhação aos PSB/PT e impedir o seu crescimento já no início de campanha.

Não é mais segredo que o candidato Lucas Barreto, seu ex-assessor no Senado, é o seu preferido. Em primeiro porque lidera as pesquisas há algum tempo. Depois porque entende ser o único capaz de vencer o candidato oposicionista Camilo Capiberibe, seu desafeto.

Seu desempenho percentual denuncia, no entanto, uma indesejável verdade. A queda significativa, se verdadeiros forem os números de Montenegro. Há quem garanta que pesquisas domésticas, confiáveis ou não, já lhe deram 45%. Uma queda, portanto, preocupante.

Para completar os números de Camilo se chocam com a realidade. Caso se confirme, estaremos diante de uma quebra de paradigma. O PSB, condutor e veículo das oposições, têm um eleitorado cativo e historicamente oposição e situação [governistas] decidiram as eleições no Estado.

Ao contrário, Camilo tem crescido e bem, afirmam os socialistas, exibindo números de sondagens feitas pelo seu markting. Tanto que a militância não arreda o pé continuando seu trabalho com otimismo.

De novo Jorge Amanajas, que vem tendo um desempenho acima do esperado. Sua posição nas pesquisas, no entanto, poderia ter procedência não estivesse disputando votos dentro do mesmo segmento de Lucas Barreto e Pedro Paulo, igualmente expoentes da harmonia.

Logo a ordem é ilógica. Não faz sentido a não ser satisfazer a vontade do “honorável”. O desempenho de Amanajas, diga-se de passagem, nada deve a aliança com o PMDB, embora tenha lá suas sua serventia. Primeiro Sarney pode provar ao “chefe” Lula que a birra do PT e sua aliança com o PSB foram um equívoco.

Mas a maior das intenções, de verdade, é amarrar Jorge Amanajas. De todos, o candidato o que mais se aproximou do PSB nas conversas pré-campanha; depois sua relação com o colega Camilo Capiberibe é respeitosa. Logo neutralizar a possibilidade de uma aliança no returno, se houver, é algo fundamental.

Aquilo que se imaginou ter sido um ato de rebeldia do PMDB ao aliar-se aos tucanos, foi na verdade de caso pensado. Obra de maquiavelismo do “honorável”. Frustrada a intenção de isolamento, já no primeiro turno, quebrada pela recomposição PT/PSB, procura agora reduzir as chances da coligação no segundo. Jorge Amanajas, naturalmente deve saber disso. Não é possível não saber. Bucha de canhão? Sei não.

Na composição do cenário pela harmonia, Pedro Paulo é o patinho feio. Sequer serve de contrapeso. Pior seria não tivesse o ex-governador Waldez Góes, figura, se verdadeiro forem os números, vital para a sua campanha. Seu palanque não terá Dilma e Lula como sonhara. Por outro lado falta-lhe assessoramento competente, apesar de dono da chave do tesouro do Estado.

Quanto à corrida as duas cadeiras do senado a discrepância é risível. Pode-se até entender os índices, ainda que robustos demais, do ex-governador Waldez Góes. Gostemos ou não, as quali, como dizem os marqueteiros, sempre lhe deram bons índices. Político experimentado, nunca largou seu “saco de bondades”. Afinal foi governador até pouco tempo, outra vantagem que pode explicar sua colocação.

Quanto a Gilvan Borges e seus 41 % foi motivo de boas gargalhadas, apesar do império radiofônico colocado a serviço de sua campanha Estado inteiro. Não faz sentido, como não os índices atribuídos a Capiberibe e Randolfe.

Está claro que Randolfe é peça chave no sádico plano de Sarney que é alijar o desafeto e ex-senador Capiberibe. Alguém falou ser inocente útil, pesado demais para um professor universitário. Embora o PSOL tenha desfeito sua coligação com o PTB, permanece irredutível na idéia do “nos veremos no inferno”, ou “morreremos abraçados”. Ele e, lógico, Capiberibe, para felicidade de Sarney, seu padrinho e da harmonia.

Por isso, dia desses, alguém lhe cunhou a expressão “coveiro das oposições”. O certo que mesmo que inflado jamais chegará, mas coloca em risco a eleição certa de Capiberibe, cuja derrota tem uma dimensão que seu ódio e despeito não deixam ver.

Daí que Sarney se vira como pode para manter sua “fazenda de burros” e os neo-companheiros sob controle. Sua esperança, idade provecta, quase em fim de carreira, é eliminar de vez, nesse pleito, o que resta de oposição para que a harmonia reine em paz. Com a ajuda do PSOL.

POUCAS & BOAS

NA MOSCA 1. Assim podemos considerar o tiro do articulista Gustavo Ioschpe na última Veja ao abordar os problemas da nossa educação. A certa altura disse, em letras garrafais: “Os sindicatos de trabalhadores em educação não tem como função primordial pensar no bem do Brasil e na melhoria da qualidade de nossa educação.Seu interesse é pela defesa de seus filiados”.

NA MOSCA 2. Disse ainda, contrapondo essa verdade, ser um erro atribuir o fracasso da educação a inaptidão do aluno, como fazem com freqüência pedagogos e autoridades oficiais. O problema reside alem da falta de recursos, no descompromisso da categoria que só luta por aumento de salário e outras vantagens não dando, ao aluno, a devida educação nem a ensina-lhe a cidadania indispensável. Como já falei disso, tenho dito.

INCRIVEL!!!! Nenhum jornal de circulação local noticiou o indeferimento da candidatura dos Capiberibes solicitada pelo ‘laranja” Bronca Pesada. Aliás, as vezes me pergunto, por que temos que abrigar figuras tão pequenas? Quer mais jornalismo? Ligue o Sistema Beija-Flor.

Ao contrário, a  divulgação da pesquisa de Sarney foi uma “farra”.

LUCIANA NA GUERRA. Assim tive o prazer de conhecer essa figura espetacular do PSOL, Luciana Genro, em campanha no comercio de Porto Alegre. Parecia animada. Tinha razão para estar. Não faltavam abordagens amistosas e carinhosas dos conterrâneos. Na breve conversa falou com pleno conhecimento do ocorrido no Amapá e da intervenção no PSOL. Disse ter um carinho especial por Janete, sua parceira de parlamento, e achar Capiberibe uma figura extraordinária, a quem nutria enorme admiração.

O DEDICADO BALA. O deputado Bala Rocha incansável, tem o reconhecimento de ser um dos melhores parlamentares do Amapá. Não se envolve em fofocas e desenvolve sua atividade com operosidade. Há muita gente torcendo pelo seu retorno, inclusive esse escriba. Merece respeito. E é um democrata.

PEDRO PAULO DE BEM COM A SAÚDE. Não é nenhuma unanimidade, mas é na saúde onde reside um expressivo contingente de seguidores. Entre seus colegas médicos recebe o apoio da maioria e nutre esperança que isso reflita um bom desempenho nas eleições. Médico, afinal, é bom formador de opinião.

ELOGIADOS. Luciano Del Castilho, Marcio Figueira e Sandra, foram muito bem na defesa do PSB na recente vitória que livrou seus lideres. A defesa foi considerada irretocável. Ponto para todos o que prova não precisar importar, a peso de ouro, advogados de outras praças.

FALOU E DISSE. Muito bom o artigo de Galazzi. Lúcido e verdadeiro. Difícil realmente entender uma população que ainda se impressiona com os “tapa buracos” e asfaltos. Demonstra total desconhecimento das funções do estado. Fosse só o periférico, tudo bem. A classe média pensa igual, infelizmente. Não consegue ligar seu infortúnio aos desvios de recursos que paga em impostos e que formam o orçamento do Estado.

Por hoje é só.Até mais ver.

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

2 comentários para “O triunfo dos Capiberibes e a derrota da harmonia”

  1. O Bira é genial. Cada vez mais expressa de forma eloqüente seu raciocínio a fortiori. E convence. Na teia política é difícil desvencilhar-se do emaranhado que ela tece. Chegar à ilação de que a “harmonia” contabilizou como favas contadas a “condenação” do Capi e Janete, e perdeu, é gol de letra. Agora, considerar lúcido e verdadeiro a análise do Yashá Gallazzi é gol contra. Aquilo nada mais é do que uma lição passada a limpo, ditada por Sarney. Não convence. Bira, eu sugiro que leia outra vez aquele troço. Escrevi uma crônica a respeito, e não pretendi fazer um gol; mas, como eu estou na área, provoquei um pênalti – o gol fica por conta de vocês…

    Escrito por Ademir Pedrosa | 10/08/2010, 21:53
  2. A fidelidade dos eleitores do Capi é algo que vai além de simplismente votar, é algo de segurança, muitos votam pensando no coletivo e isso mostra como é ser um bom político. O senhor é genial!

    Escrito por Erick Boaventura | 2/10/2010, 10:08

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