Quem acompanha os malfeitos e a obsessão pelo poder que hoje marcam o PMDB, não imagina que um dia, sob o comando de Ulisses Guimarães, abrigou as figuras mais notáveis e impolutas da política brasileira, que hoje morreriam de vergonha do partido que ajudaram a fundar.
Comandou a reação à ditadura Militar instalada em 64, ao lado das instituições mais respeitáveis do país como OAB, UNE , CNBB, Sindicatos do ABC, intelectuais e tantas outras que me fogem a memória.
O berço do velho MDB de Ulisses é São PAULO. Lá se aliou a Mario Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique, Serra e a intelectualidade brasileira, para restabelecer os primados da democracia, surrupiados à força pelo regime militar.
Atravessou os “anos de chumbo”, das torturas, das mortes nos calabouços e nos desvãos do país, [que a anistia soterrou para sempre], da perseguição política e do exílio, com a altivez de um partido que tinha noção exata do papel histórico a cumprir, devolvendo à sociedade as prerrogativas constitucionais.
No Amapá tínhamos os nossos líderes, mas nenhum do porte de Binga Uchoa, uma figura dedicada a seguir os rumos traçados por Ulisses, de quem era amigo. Nada a ver com esse PMDB que está aí, molambento, comandado por Sarney, que entrou no partido [ era da Arena] por imposição do regime militar, concessão que permitiria, no Colégio Eleitoral, a eleição de Tancredo Neves, cujo infortúnio do país foi morrer antes da posse.
Nada a ver com esse PMDB que hoje milita no Brasil, cujas figuras estão longe de representar o ideário do MDB de Ulisses, que hoje jaz no fundo do mar, outro infortúnio que acabou por permitir a invasão do partido por figurinhas execráveis da política brasileira, Amapá no meio.
Na primeira eleição livre do país foi candidato do PMDB, mas traído por Sarney [Presidente] que deveria, como membro do PMDB, dar-lhe o apoio necessário. Manchou sua biografia com uma derrota humilhante.
Collor de Mello, inflado pelos Marinhos do GLOBO, ganhou de LULA, emergido das lutas sindicais do ABC, candidato do PT, mas humilhado pelo adversário [Collor] hoje seu amigo íntimo, que causou um trauma no país e deu no que deu.
A verdade é que a morte de Ulisses levou o PMDB ao débâcle total, rasgando sua carta de princípios e valores mais elementares, como ética,moralidade, e sintonia com os anseios da sociedade.
Hoje o maior partido do ocidente [PMDB] como um dia foi a ARENA, de inspiração Militar, comanda o maior batalhão de vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais e senadores a serviço do poder.
Com um espólio desse tamanho poderia ter o Presidente da República, como argumentam há anos figuras histórica como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos.
Ocorre que Sarney, Renan, Jáder, Romero Jucá são figuras públicas queimadas e como ele [Sarney] jamais poderiam submeter-se a um julgamento popular. Logo a posição que ocupa é confortável pois é presidente sem sê-lo, como ocorre nesse momento com o governo do PT.
Hoje o partido é dominado pela tese de Sarney que garante – provado na prática, que com maioria nas casas legislativas o partido domina a política ou, na pior das hipóteses, divide poder com os governos.
Seus aliados em Brasília, não fossem políticos da trupe sarneysista, fossem simples cidadãos, hoje estariam trancafiados numa cela comum, freqüentada por delinqüentes e pequenos infratores.
Essa turma nunca foi e nem será condenada. É protegida pelo Cap cujos poderes, segundo a crônica política do país e cientistas políticos renomados, deriva dos cinco anos que ocupou o Planalto.
Oportunidade que teria criado uma rede de influência dentro dos poderes da República que permite, que adversários e desafetos sejam expurgados da vida pública, casos dos Capiberibes e Jackson Lago. E mais que isso, garante a impunidade dos amigos fiéis e seguidores.
Talvez seja o mentor intelectual de certo “submundo do poder” que o jurista Dallari se refere, que emperra a vida do país e distorce o sentido da lei.
Quanto ao PMDB do Amapá, que à época de Ulisses tive a honra de pertencer, chore por ele. Só olhar as figurinhas que abriga, suas intenções nada republicanas, aproveitadores, oportunistas, todos domesticados pelo maranhense.
Bajulado por empresários, mídia, políticos e seguidores ignorantes, obsequiados com favores grandes e pequenos, com canal de rádio e televisão, tornou-se a última palavra no Amapá, sem lhe prestar o serviço que um Senador deve a um Estado que lhe deu três mandatos.
Por isso as dificuldades do PMDB para conseguir parceiros eleitorais, é fruto, em parte, da conscientização que se forma, aos poucos, da necessidade de livrar o estado dessa figura que tanto mal causou as instituições e as relações pessoais da família amapaense.
Comentários
Nenhum comentário para “Aonde anda o PMDB de Ulisses? – por Rup Silva”
Comentar