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Sobre falsos cordeiros e caras de pau – artigo e notinhas por Rupsilva

Rupsilva

OS INSTITUTOS de pesquisa são taxativos: eleitor não tolera que se avacalhe o adversário. Virou dogma e pronto. Essa crença foi introduzida no meio político pelos  institutos quando vieram para orientar campanhas eleitorais. E ficou.

PESSOALMENTE  acho que o dogma só serve para proteger políticos incompetentes, gestores relapsos e desonestos. Trata-se de uma manobra do status quo, dos detentores de poder.

ESSAS PESQUISAS eleitorais,ao que se sabe, têm a presunção de desvendar pensamentos e desejos mais profundos da alma do eleitor.

CONVENHAMOS  tratar-se de uma tarefa quase impossível pois dizia minha sábia mãe: “coração é terra que ninguém pisou”.

DAÍ RESULTA que não será uma sondagem de opinião [por melhor que seja] que revelará, com precisão, os segredos da alma e sobre o que quer e pensa o cidadão eleitor.

EMBORA tenhamos que admitir que depois das pesquisas, auxiliada pela poderosa ferramenta da estatística, eleições deixaram de ser um vôo cego.

TORNOU-SE indispensável e hoje não se faz campanha eleitoral sem pesquisa; que abriga, no entanto, um efeito colateral grave se a empresa não for inidônea que é a manipulação de dados.

SEMPRE, óbvio, em favor do cliente, que quando publicada  interfere no ânimo do eleitor. É o caso das pesquisas de intenção de votos, publicadas durante e as vésperas dos pleitos eleitorais

PARA QUEM detém o poder foi um achado. Com a grana farta do orçamento e a mobilidade da máquina administrativa, conseguem neutralizar os adversários orientados por elas [pesquisas].

ELAS PERMITEM  saber sobre os  pontos fracos dos adversários, levando a realizar ações paliativas, anulando  as chances e discurso dos contra, contando com o apoio irrestrito da mídia. E se nada funcionar,  resta anda comprar voto do eleitor indefeso.

TEM HORAS, todavia, que dá vontade contrariar o manual e soltar os cachorros sobre essa gente que vive repetindo discursos enganosos, promessas vãs e métodos escusos para ludibriar a boa fé do eleitor inculto e vencer sua vontade por mudanças.

NADA COMO a vizinhança de uma eleição para que os maus políticos comecem praticar sua retórica eleitoreira cheia de promessas que jamais cumprirão.

PARA ALCANÇAR  seus intentos, inclusive roubam o discurso, propostas e idéias daqueles que realmente trabalham a favor da sociedade, na cara dura.

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PARA ISSO, contam, como venho reiterando, com a adesão da imprensa antidemocrática, que ajuda cristalizar essa prática indecorosa, sonegando  a informação e a correta interpretação dos fatos.

MAIS AINDA, beneficia-se da generosidade do TRE que não fiscaliza e  nem pune as campanhas eleitorais extemporânea, escachadas, vergonhosas.

COM  A OMISSÕ do MPE que tolera a farra com o dinheiro do orçamento público que finge não ver e sequer questiona.

O PROCESSO  eleitoral, portanto, é um massacre. Não acredito em campanhas de moralização, venha de onde vier, máximo as oficiais, protocolares e cartoriais.

O ROSÁRIO de queixa não tem fim. Enquanto educação, saúde e segurança, para citar apenas esses, que mais nos afligem, capengam e não atingem suas finalidades, se vê na TV,se ouve nos rádios e lê nos jornais mensagens e imagens de um Amapá imaginário.

SOMOS UM Estado abstrato, sim senhor. Não tivéssemos uma sociedade com tão baixa estima e ínfima massa crítica, inclusive no ensino superior, já teríamos nos livrado dessa gente.

ACONTECE que  a “balada” seduz mais que debater o flagelos sociais que nos consome. Show musical atrai mais interesse da patuléia deseducada que o conhecimento dos seus problemas e dos autores de sua desdita.

OUTRA FACE  cruel desse processo é a lei que só pune quem compra e nunca quem vende o voto. Seria pedagógico se punisse os dois. Evitaria “armações” para eliminar desafetos e adversários políticos. É estranho que não se toque nisso.

A POBRE  oposição, que canaliza as demandas sociais, fica exposta as intempéries, privada de se expressar, tem que gastar saliva e sola de sapato para se manter.

LOBOS EM PELE de cordeiro. Na cara de pau, querem passar pelo que não são, inclusive construindo teses e projetos que jamais realizarão, como nunca realizaram, confiando que na política o que vale é a força da grana, capaz de redimir todas as diferenças.

UM CICLO vicioso, inquebrantável, que mantém a cacicagem Brasil afora. Só resta chorar pelo futuro do Estado que não cresce, não desenvolve.

A RAZÃO SABEMOS todos: os governos assumem a injusta obra de construir a riqueza e o patrimônio dos que tem, relegando o povo a indigência,privado das garantias básicas.exigidas pela Constituição Por que isso? Por que somos uma abstração. É isso aí.

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