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Acessibilidade: minha muleta, meu calvário nas pontes

     Acredita-se que quando se propõem a falar, a estudar, a apresentar projetos, a discutir sobre acessibilidade de um município, deve-se procurar em tudo isso, procurar abranger todo o universo no qual está inserido a população naquele município, a fim de que todos os cidadãos e cidadãs, com necessidades especiais que tem problemas de acessibilidade, possam ser inseridos nessas discussões, com objetivos claros de resolução dos problemas enfrentados por estes, levando-se em consideração não só a problemática da acessibilidade em prédios públicos, em logradouros públicos, em ônibus, em calçadas no centro da cidade, mas principalmente na saída de casa e na chegada em casa dessas pessoas, porque certamente em centenas de lugares na cidade de Macapá, muitos cidadãos e cidadãs com problemas de acessibilidade não tem condições sequer de sair na porta de suas casa.
                                A situação é muito séria e muito mais preocupante do que se imagina, pois como temos uma Macapá na qual a população constrangedoramente anda sobre pontes, anda sobre flechais, anda sobre as águas, certamente ali terá e tem pessoas que só podem se locomover se for com o auxílio de uma muleta, de uma cadeira de rodas, de uma perna mecânica e daí pode-se concluir que de maneira nenhuma essas pessoas tem a possibilidade de se locomover sozinhas, sobre essas pontes, sem correr o altíssimo risco de sofrer um mal maior, podendo perder a própria vida, nisso que para o município de Macapá é uma vergonha, uma nódoa na condição social de uma população, que é a desonra de viver sobre as águas e andar sobre pontes.
                               Está de muletas, vive com essas muletas, se  apóia nelas para poder dar os passos com muita dificuldade, “espia” da porta da sua casa, situada sobre as águas, as pontes, as pontes por onde terá que passar se quiser sair de casa, pontes quebradas, cheias de buracos, tortuosas, mal dando para a comunidade dita sã andar, e sendo assim não sai de casa, pois tem na sua frente, na frente da sua casa um calvário, um sofrimento imposto pelo destino, mas mais imposto ainda pelos governantes desse município onde vive, porque os mesmo não lhe dão condições de locomoção, não lhe dão saída para pelo menos sair de sua casa com dignidade, não lhe dão.
                               Que se faça leis, que se crie uma legislação específica para ajudar as pessoas com necessidades especiais com dificuldades de acessibilidade, mas que essas leis ao serem feitas pelos legisladores, que eles observem o quão de hipocrisia é os governantes gastarem fortunas de recursos públicos em embelezar frentes da cidade, em melhorar o acesso de afortunados na locomoção de seus carrões, em gastar na construção de obras na frente da cidade onde a bebedeira irá imperar, em gastar descabidamente para mostrar a turistas o quanto Macapá cuida dos munícipes aquinhoados, e que essas observações levem a elaboração de uma legislação onde muitos desses recursos gastos com hipocrisia, possam ser direcionados verdadeiramente na retirada das famílias que vivem sobre as águas, de pelo menos daquelas onde infelizmente tenha uma pessoa com dificuldade em locomoção, em ter acesso a sua própria vontade de continuar vivendo, que seria uma maneira mais fácil de se locomover, e ai de viver, de sobreviver, de fazer sua muleta ter condições de realmente ajudá-lo, de fazer realmente sua cadeira de rodas rodar de maneira em que não traga constrangimento e mais dor do que já sente no carregar da sua cruz.
                                 Acessibilidade em todo lugar e para todos.
 
 
Professor Alcides de Oliveira
alcides.oliveira2005@ig.com.br

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