Ninguém melhor que os chineses conseguiu teorizar com sabedoria a arte da guerra. Suas batalhas épicas, vencidas e perdidas, valorizavam todos os aspectos de uma luta que vai muito além da supremacia numérica sobre o adversário. São conceitos e verdades seculares que vararam os tempos.
Salvo engano, se mal comparo, o desempenho dos partidos para formação de suas coligações, tem ingredientes que exigem dos formuladores dessas alianças certa dose de competência e sabedoria chinesa que permitam o tratamento correto do tema.
No trato dessa questão não cabe amadorismo e principalmente monopólio de opinião. É fundamental ter bons “generais” para ouvir suas estratégias para superar os problemas com maior facilidade.
É da práxis política que mandatários resistam a qualquer tipo de assessoramento para que suas teses não sejam contestadas ou tenha que dividir mérito. Por isso preferem os “tarefeiros” como costuma dizer o Conselheiro Manoel Dias, há vários carnavais no metiê.Sabe o que fala.
Sob os efeitos da picada da mosca azul, protegidos pelo manto do poder, ainda que finito, se tornam, do dia para noite sábios, mágicos e videntes. Forma monocrática [anti-democrática] de decidir sobre o caminho de todos.
Nenhum mortal sabe mais que ele, [o eleito], que teoriza e sabe sobre tudo mais que qualquer um, e feito um bruxo tem a formula [solução] para todos os males. Eu disse todos. E, por fim, conhece melhor sobre o futuro. Tudo solitariamente.
Nos entendimentos para a construção da política de aliança, quem se deu bem foi o PSB, graças a habilidade com que conduziu o processo de conquista do PT, partido cortejado por todos, obra de uma equipe competente, solidamente subjugada as demandas do partido e não do candidato.
No entanto, me segredou um socialista, não foi um trabalho fácil. Os entraves foram além de quebrar a resistência dos partidos não alinhados [PMDB, PDT, PP ETC], preocupados com a reativação da aliança PSB/PT, um risco real ao projeto de prorrogar a permanência da harmonia no poder.
Houve dificuldades a superar no próprio PSB, por exemplo. Houve quem torcesse; e até agisse para inviabilizar a aliança, comprometidos estranhamente com candidaturas externas, reclama um militante.
No PT pegou o conflito, já conhecido, pelo domínio da sigla entre os grupos do Prefeito Nogueira [PT/Santana], Joel Banha, deputado estadual, posicionados a favor da coligação com o PSB contra o grupo até então hegemônico da deputada federal Dalva Figueiredo, aliada do governo onde tem inúmeros cargos inclusive a CEA
Apesar de tudo, me asseverou um petista, o enlace está com seu final feliz garantido. O PSB venceu a batalha que culminará na construção do cobiçado palanque de Dilma Rousseff, candidata do PT a sucessão de Lula.
Os demais partidos: PDT, PMDB, PP, PC do B, PTB, PCB, PR, PV e nanicos foram vítimas das ambições pessoais de suas lideranças. Em oito anos, não conseguiram construiu a unidade da sua ampla base que permitisse manter o controle do Estado.
Por conta disso a harmonia, ficou ao relento, sem lenço e documento, perdida em querelas e conflitos de interesses, disputa centrada na divisão do orçamento público que destinava muito pouco para investimento e programas sociais.
Senão vejamos, começando pelo governador Pedro Paulo Dias, candidato do PP e do poder vigente. Em tese o mais forte de todos os candidatos, pelo controle da “máquina” governamental, que significa ter nas mãos, além do orçamento, poderoso instrumento político [estrutura do governo] para aplainar seu caminho.
Vantagens que usa [como qualquer governo faz], desafiando a lei eleitoral, aparelhando mídia, sindicatos, organizações da sociedade civil, clubes de serviços e esportivos, escolas de samba, grupos juninos, Enfim, empresários e dando cargos públicos, fartos e generosos àqueles dispostos a trocar apoio por benesses pessoais. Tem sido assim e vai continuar assim até que os TREs cumpram seu papel.
Mesmo assim Pedro Paulo não levou vantagem. Ao contrário, tem muitas limitações. Seu compromisso com o PDT, por exemplo, é uma delas, cujos argumentos, todavia, são procedentes e justos.
Waldez Góes [PDT] muito pressionado no final do governo colocou seu pescoço a prêmio ao optar por Pedro Paulo, como candidato da harmonia, provocando rusgas nos aliados até agora não superadas, máximo pelo PSDB de Jorge Amanajas, a quem [consta na crônica política], teria prometido apoiar.
Daí que a exigência pedetista da vaga de vice e senado, na chapa, amarrou o governador Pedro Paulo, apesar de sua legitimidade, como frisei.
Outro nó é o “neo-pepista” Edinho Duarte, ex PMDB, que abocanhou significativa fatia do reformado governo, muito além de sua força e importância política, limitando o espaço para recrutar novos aliados.
Por outro lado o PDT não quer companhia para Waldez Góes na disputa para o Senado, nem abre mão do vice, uma forma de garantir espaço dentro do futuro governo[ caso aconteça] que ocupou por quase oito anos. Isso obstruiu o canal que poderia trazer o PT e o PMDB.
Situação dramática e vexatória para o PMDB de Sarney e seu afilhado Gilvan Borges cuja companhia vem sendo rejeitada por várias coligações em construção, apesar do tempo no horário eleitoral. PC do B e PR virão por gravidade Têm cargos no governo.
É evidente que a candidatura de Lucas Barreto, do PTB perde substancia todos os dias. Uma promessa revelada no pleito municipal de 2008 patina e está em queda livre, segundo opinião quase geral. Apoio de peso só do partido da ACIA e FECOMERCIO por conta de Jaime Nunes, lide do setor, já definido como seu vice.
Para complicar mais o PTB no plano nacional, por inspiração do seu presidente Roberto Jefferson, adotou postura ambígua. Apóia Serra e libera a base para o “vale tudo” regional. O PMDB, que se ofereceu como parceiro, para salvar Gilvan, teria sido rejeitado.
E tem explicação. Lucas Barreto teria detectado que sua ligação com Sarney [atos secretos] contribuiu para sua queda. Depois, instigado por alguém, tenta ocupar um espaço [oposição] que não é sua praia assim como não ser verdade o carimbo de “algo novo na política do Estado”.
Seu passado se confunde com o dos políticos conservadores do Amapá, sua base natural. Nenhum pecado nisso. Lucas esteve ausente do debate que envolvia seus amigos nas falcatruas e ilícitos cometidos com o dinheiro público, que somam dezenas de casos. Calou, omitiu-se, segundo uma voz autorizada do PT.
Não basta a simples retórica, portanto. É preciso ir além do discurso falacioso, e praticar a verdadeira oposição que implica na coragem de, correr riscos e combater ao lado do povo. Anda jururu por falta de companhia.
Enquanto isso Jorge Amanajas [PSDB] se tonifica. Nunca contou com o PT, que é uma vantagem, e tem nos seus colegas de parlamento, DEM, PPS, PSC, PHS, PSL, enfim, uma sopa de letras, sua base de sustentação. Tirando o PSDB e um pouco do DEM, os demais não têm a robustez exigida para uma eleição do porte da que se avizinha.
Mas é, ao que parece, a candidatura mais forte entre os harmônicos para enfrentar a poderosa aliança PSB/PT/PMN e PSOL, talvez. É, de todas, a única que acena com simpatia a vinda do PMDB, já acertado com Gilvan, mas com a dificuldade: de precisar do consentimento de Sarney que prefere aliar-se a partidos da base do governo LULA.
Mas como diz o profeta, o tempo é o senhor da razão, é esperar para ver o que acontece até as convenções, pois para alguns homens de boa fé muita água ainda rolará sob a ponte.
POUCAS & BOAS
DO FUNDO DA ALMA. Ledo engano que PSB e PT só têm inimigos na mídia amestrada. No fundo da alma há quem, do lado das oposições nutra esperança do insucesso da coligação PT/PSB por interesses inconfessáveis, mas que todo mundo conhece. Aliás a harmonia usa como estratégia cooptar oposicionistas com cargos e funções remuneradas.
NÃO É BEM ASSIM. Disse-me um petista que a decisão da Executiva do seu partido de solicitar a entrega de cargos do atual governo, não implica obrigatoriedade e imposição. É questão ética e de foro íntimo de cada companheiro, disse. E do governador, que tem o livre arbítrio, de aceitar ou não essa permanência sem contrapartida. Que prova a morte do centralismo democrático do PT. O duro é não poder opinar com independência e isenção.
LEITURA FINA. Dalva quer estabelecer um encontro PSB/PT para tentar fazer Camilo vice de Pedro Paulo, tese absurda, segundo um socialista, prontamente rechaçada. O Ministro do Trabalho Carlos Lupi veio ao Amapá e não consegue influi nos rumos do seu partido nem na aliança com o PP. As romarias a Brasília cessaram. Nada mudou. Sarney , com dificuldades no Maranhão, seu feudo principal, parece ter jogado a toalha, tanto que por conta própria Gilvan procurou Jorge Amanajas para aliar-se. Não deve topar, desagrada o Planalto.
E MAIS. Pedro Paulo enfrenta dura realidade. Não sabe se governa ou se trata de sua campanha, diz um assessor palaciano. Padece de graves problemas financeiros. A mídia indócil reage com a virulência de sempre. Sinais suficientes para concluir que a aliança oposicionista PT/PSB está consolidada.
NÃO FUNCIONOU. A estratégia do governador Pedro Paulo, dono do cofre, parece não ter funcionado. À medida que o tempo passa mais difícil arrebanhar aliados. As coligações em fase final de acabamento enquanto, sem saída, só está contando com o PP, PDT, PC do B e PR. Que lhes dão tempo reduzido de TV e pouca densidade eleitoral.
SEGUNDO A MÍDIA. Lula não está só nas trapalhadas e contradições que carrega mundo afora. Sua vocação de apoiar ditaduras é flagrante. A última foi forçar o encontro da delegação brasileira de futebol a uma visita protocolar ao ditador Mugabe, mais de 30 aninhos no poder. O Itamaraty a, acionado, atuou pra valer.
DESAFIO AOS OLHOS AZUIS. Nada a favor das civilizações de olhos azuis ou esverdeados, como queiram. Nem dos Estados Unidos enquanto potencia hegemônica pela sua economia e poder bélico. Doido existe em qualquer lugar.
O EXEMPLO. O filme Dr.Estronglove mostra isso. Só que a América do Norte é um estado democrático cujas instituições dificultam loucuras desse tipo O Irã, não. Vive uma ditadura e um conflito milenar com Israel, e não hesitará banir os judeus, como já prometeu seu presidente, se possuir arma atômica que nem Lula pode garantir que não será fabricada quanto mais usada. Um adendo: Israel é um Estado com pendores imperialistas e fomenta os conflitos com os árabes por se saber mais forte. É só uma opinião.
ABANDONADO. Aconteceu com o candidato do PSDB Jorge Amanajas.Foi pelos ares o prometido apoio do Prefeito de Macapá Roberto Góes, que tinha jurado fidelidade ao presidente da AL. A realidade é que ,sendo do PDT, sua ida para apoiar Jorge enfraqueceria mais o PP de Pedro Paulo. E a campanha do primo WG ao Senado. Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, teria enquadro o prefeito.
Chega por hoje.
Brilhante como sempre Rup Silva, seus comentários e análise do cenário político e do que rola nos meandros da política tucuju. Concordo que a aliança PT e PSB incomoda muito a turma da harmonia e quem dela recebe migalhas, que são os que se escondem sob o manto de serem oposição, mas que na hora da verdade tentam sempre desqualificar a verdadeira aliança de oposição ao status quo. Basta ouvir a mídia amestrada do estado pela manhã.