A GRITARIA DOS RENEGADOS
Rupsilva
Vivo a dizer nesse espaço que em matéria de definição política, não esperar coerência. Tudo vai girar em torno de interesses pessoais, enquanto existirem nuvens mudando de forma e jabutis subindo em árvores.
Nem o PT, que cultivava, com rigor, o centralismo democrático para alinhar seus militantes a uma decisão superior, discutida pelas mais diversas correntes políticas e ideológicas da “companheirada”, se salvou.
A era pós-Lula, cuja liderança e projeção de Lula ofuscaram a imagem do próprio PT, levou o partido a prática de submeter ao Presidente suas decisões mais importantes, jogando para o limbo o tal “centralismo democrático”.
Essa mudança tornou o PT um pouco desfigurado, longe da imagem que o levou ao poder. Causando estupefação em uns, conformismo em outros e descontentamento em parcela significativa do Partido dos Trabalhadores.
Prática que contrariava um dogma partidário e que levou a fazer alianças até então considerada “espúrias”, em nome da governabilidade.
Puxo esse debate a partir desse ponto, para entender a razão da “comoção” que se abateu sobre o setores governistas depois que PT e PSB, com legitimidade, decidiram juntar seus “trapos” e ir à luta.
Entende-se, por isso, o desespero daqueles que há quase oito anos governam o Amapá. Como todo grupo político e seus milhares de comensais, sonhara prolongar sua permanência o maior tempo possível, desta feita ancorada na força política de Sarney.
O PT do Amapá, que por muito tempo atuou em oposição às forças conservadoras do Estado ao lado do mesmo PSB, quando no poder e no comando do país, preferiu aderir à direita, nunca antes pensado e admitido, crítica que ainda hoje se faz.
A tarefa, aqui, ficou com o PSB e PSOL, esse surgido muito depois de uma dissidência do próprio PT, comandado por Heloisa Helena, então senadora petista.
A aliança local histórica com o PSB que governou por oito anos {1995 a 20002] marcou a vida político-administrativa do Amapá.
Enquanto juntos, socialistas e petistas colheram vitórias marcantes, apesar dos solavancos e atribulações normais produzidos pelo inconformismo de alguns, mas próprio de qualquer governo e de qualquer aliança política.
Desta forma ao retornar ao regaço da velha e verdadeira oposição, reação comandada corajosamente por Antonio Nogueira [PT] prefeito de Santana e pelo deputado Joel Banha, com ampla maioria no Diretório e na Executiva, causou uma “comoção” nos arraiais do poder vigente.
O PT que emerge dessa “rebelião”, quebrou a lógica vigente de submeter seus interesses [PT] aos de Sarney, por razões óbvias. E que nada aconteceria por esses lados sem o consentimento do cacique maranhense. Garantia que, de certa forma, mantinha sua “tropa” sossegada.
É possível que isso explique a postura da deputada Dalva Figueiredo, aboletada com seus liderados [e não o partido] no governo, que estrebucha, esperneia e não aceita a decisão da maioria, que não mais lhe pertence, em favor do rompimento com o governo.
Prova mais do que provada que o centralismo democrático jaz em algum ponto do planeta, como faleceu em outros Estados do BRASIL para adequar-se ao PMDB, cujas lideranças pressionam e chantageiam Lula e seguidores.
Dalva é desse time, infelizmente. Alguém lembra ser ela um “poço de mágoa”. Não assimilou a derrota no returno do pleito ao governo em 2002, cuja vitória dependia do PSB que preferiu apoiar WG, quando viu que Sarney se mudara para o palanque de Lula, batalhando por uma vitoria também. Mas essa é outra história.
O desespero de Dalva Figueiredo e aliados é o mesmo que tomou de assalto a tal harmonia. Nunca dantes o risco da perda do poder foi tão iminente.
Não foi fácil chegar aonde chegou. Para encarar decisão tão grave o PT garantiu-se que a Nacional não interferiria na sua decisão.
Nesse ponto foi fundamental o papel do ex-deputado Lourival Freitas, e o pouco empenho de Sarney [advogado da harmonia] mergulhado em problema semelhante na terra natal, cujo empenho é fundamental para reeleger a filha e manter o controle político de sua terra, o Maranhão, ironicamente nas mãos do PT.
A harmonia inteira entrou em “estado de choque”. Partidos e políticos parecem pedidos no que fazer para estancar a sangria que o PT vem causando.
Ela está absolutamente fragmentada, envolta em defender seus privilégios. Todos os demais candidatos, fora os da aliança PSB/PT, são filhotes desse grande acórdão, por isso brigam para manter o status quo sobre o Estado e sociedade.
Imune aos danos causados está o candidato Jorge Amanajas [PSDB], que nunca contou com os petistas , por razões óbvias. A crise de certa forma não lhe afeta. Pelo contrário, pode inclusive reforçar e consolidar sua candidatura no meio da harmonia.
Mas de todos os grupos que fazem parte do poder, convenientemente aparelhados pelo governo, o que mais acusou o golpe foi o midiático.
Nada a estanhar, pois essa tem sido a postura de jornalistas, informais e “biqueiros”, que infestam a imprensa do Amapá, remunerados pelo Estado para distorcer as informações, falar bem dos seus agentes e esculachar adversários.
O que se ouve e se vê é um triste espetáculo de “doação” a anti-mídia e ao desrespeito à princípios básicos da imprensa, fundamental na construção da cidadania.
A pregação que ela [mídia] faz dos acontecimentos é criminosa, distorcida e raivosa chegando ao delírio de inventar situações jamais imaginadas capaz de causa inveja ao realismo fantástico de Garcia Marques.
Desespero dos incapazes e da incompetência, digo eu, por que são pessoas que não conseguem sobreviver sem as expensas do Estado. Ao contrário de Thomas Morus, abdicaram da lógica, da ética, dos valores morais e de sua independência.
O problema é esse. Só esse. Medo de perder privilégios. Ao poder tudo é permitido. Da indecorosa intervenção de Sarney à construção de um Frankstein político qualquer. Depois ficam furiosos quando se diz que o Amapá é uma abstração, uma miragem.
POUCAS & BOAS
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PEDRO PAULO EM APUROS. É o que dizem seus aliados. O projeto de liderar as forças governistas parece cada dia mais distante. Acham que recebeu uma herança maldita de Waldez Góes que não soube construir aliança confiável. Está tendo que refazer tudo, trocando turbina em pleno vôo.
A DEFESA DE WALDEZ. O ex-governador, fidelíssimo à Sarney,que o induziu a decisão tomada, defende-se em off argumentando que a quebra da harmonia é função direta de sua escolha.Teria rompido um pacto com Jorge Amanajas, cujo palanque Sarney, Lula e Dilma não poderiam subir.Faz sentido.
A RECOMPENSA. Para um pedetista o partido, que governou sete anos e quatro meses, foi modesto ao exigir a vice governadoria e o cargo ao senado. Por sinal que dentro do partido cresce o nome de Conceição Medeiros para vice.
A CONSTRUÇÃO DE UMA ALIANÇA. Aquela que levou o PSB e costurar o retorno do PT foi dura e cheia de lances emocionantes. Ela não aconteceu por gravidade. Foi uma tarefa que envolveu obstinação, competência e interesse público.
O PSOL CHEGOU. O PSOL, mesmo atrasado para o baile, fez o que deveria ser feito na primeira hora. Dá fortes indícios que comporá a frente de oposições com o PSB, PT e PMN [por enquanto]. Nesta sexta prestigiou a festa socialista que comemorou a vigência da Lei Capiberibe.
NO ANDAR DE BAIXO. Como toda eleição geral, abaixo das candidaturas majoritárias [Governo e Senado] há um duro trabalho de construção. A arrumação das proporcionais é um exercício doloroso, pois envolve todo tipo de interesse. Tanto maior quanto for a aliança e o número de postulantes a AL e Câmara Federal. O certo é que, ao em vez de facilitar, muitas vezes se torna um empecilho a remover. É neste ponto que ocorre o maior nível de “traição”.
PAÍS FISCALIZADO. Um Big Brother de verdade nas mãos da sociedade entrou em vigor dia 28. Trata-se do projeto do casal Capiberibe, denominado de Lei Transparência, um duro golpe nos agentes públicos corruptos desse país. A sociedade doravante detém um poderoso instrumento de fiscalização dos atos administrativos das autoridades do Estado brasileiro, obrigadas a publicá-los em tempo real na Internet. Vitória da cidadania.
Tem mais, mas fico por aqui.
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