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Ajudem-me – Por Professor Alcides de Oliveira

Pessoas andando sem destino nas ruas, nas vielas ou mesmo nas estradas, andando sem destinos nas cidades, nas cidadelas, nos bairros e praças, em Macapá, como se procurassem alguma coisa, mas sem saber o que, como se estivessem sendo chamadas mas sem saber quem os chama, como se falassem com alguém, mas sem saber com quem, como se fantasmas as rodeassem e as quisessem, são pessoas com distúrbios mentais, são pessoas doentes, com uma doença que deveras seja uma das piores para o ser humano, pois o faz sozinho, o faz perante os ditos sãos sem sentido, o faz perante as outras pessoas ridículas, pessoas estéreis, feias, nocivas, perigosas, ralé da sociedade, por vezes maltratadas, açoitadas, amarradas, amordaçadas, sedadas e assim, anuladas.

As pessoas ditas “dementes”, tem um sofrimento muitas vezes aumentado, porque além de não poder controlar as suas atitudes, as suas vontades, os seus sentimentos, controlar o seu destino ainda são discriminadas no seu viver, que é o viver que elas tem, o viver demente, são colocadas a margem, longe da visão, não podem ser vistas, ou se vistas faz-se que não se enxerga, por que se não, vai evocar responsabilidades, é melhor escondê-las ou deixá-las no meio sem qualquer responsabilidade, muito melhor que a sua demência passe despercebida até a hora da sua morte, deixe que só as pessoas próximas se envolvam e sofram com elas, esse sofrimento não é nosso, assim diz a sociedade, no seu orgulho, na sua soberba, na sua prepotência, na sua ignorância, mostrando com essas atitudes mais demência que a própria pessoa com o distúrbio mental, mostrando que a solidariedade, a caridade, a bondade, o espírito altruísta, a capacidade de prestar atenção aos que sofrem e querer ajudar, não faz parte de sentimentos que tem que ser colocados a disposição principalmente daqueles que nem percebem a sua própria existência, que são os doentes mentais, por que se assim não for, o irracional estará prevalecendo sobre aquilo de muito nobre que Deus nos deu que é o discernimento para o bem do ser humano.

Certamente todos já viram pessoas andando consigo, elas andavam mas não notavam a sua presença, elas falavam, mas não era com você, elas sorriam, mas não era pra você, elas chamavam, elas chamavam mas ai era você que não notava, não notava o seu chamamento, ninguém decifrava esse chamamento, talvez porque não quisesse decifrar, mas se quiser verá que é um chamamento de socorro, é um chamado pedindo ajuda, é um chamado dizendo presente, estou aqui, é um chamado dizendo: eu sou gente, é um chamado pedindo políticas públicas para doentes mentais, pedindo socorro para políticas não públicas mas políticas, pedindo que a vejam e digam: vamos ajudar, vamos socorrer, vamos tratar como gente, vamos medicar com médicos que gostem de medicar e não com médicos que muitas vezes e as vezes são dementes por reais ganhados através de pessoas consideradas irreais, vamos trazer para perto, juntos com as famílias, vamos dar hospitais e clínicas preparadas, vamos dar acima de tudo atenção, amor, compreensão e solidariedade, pois só assim as pessoas com distúrbios mentais, mesmo com esses distúrbios não lhes dando discernimento, com certeza no fundo de suas almas que Deus lhes deu, estarão agradecendo e bendizendo aqueles que de alguma forma os notou, os escutou e souberam aceitar o pedido de ajuda e ajudaram.

Povo do generoso Amapá, ajudem.

Professor Alcides de Oliveira

alcides.oliveira2005@ig.com.br

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