// você está lendo...

Artigo

A fulô-do-lácio, inculta e bela… – Por Ademir Pedrosa

pedrosademir@hotmail.com

Sr. Ademir Pedrosa,

Antes de mais nada, quero dizer que sou professor. O senhor se diz escritor e professor. Queria ler um livro que você publicou, nunca vi nenhum. Quanto ao “professor”, me disseram que você não concluiu o curso. É por isso que não sabe concordância, veja: “A literatura e a língua portuguesa está em mim, no meu DNA.” O senhor escreve assim? Não é “A literatura e a língua estão (no plural) em mim, no meu DNA…”? O senhor me desculpe, mas é que o senhor se acha o tal em português, mas é capaz de cometer erro que nem mesmo o meu filho que faz o 1º Grau comete. Vou fazer que nem o Seca Pimenteira da Zorra Total: eu sempre quis ter um professor assiiiiim!!! Isac da Silva Gusmão/E-mail: isacgume@gmail.com

O sujeito encerra seu e-mail num gesto caricato com os olhos borgianos, de pupilas esgazeadas a duvidar de mim… e logo em língua portuguesa. Apesar de tudo, não chuto cachorro morto. Por isso não vou responder sobre os meus livros que esse cretino nunca leu, nem sobre o meu curso que ele diz que nunca concluí. Desculpe-me, leitor, se pareço indelicado ao chamar o Isac de cretino. Na verdade tive vontade de chamá-lo de outros impropérios, mas a dona do blog não permite grosserias explícitas. Pena.

Quanto à incorreção que ele me acusa de ter cometido, meu caro leitor, permita-me reafirmar alto e bom som, pois agora quem fala é o professor que há em mim, com Doutorado em Filologia: a frase “A literatura e a língua portuguesa está em mim, no meu DNA.”, é escorreita, tão certa como dois mais dois são quatro.

Repare, inclusive, que o computador (sublinha de verde) aponta-o como incorreção. E ambos os dois estão equivocados, tanto a gramática corretiva do computador, quanto o cretino que me subestima. O sujeito chega agora, e já quer sentar-se à janelinha (neófito!, neófito!). É por isso que ataca com a peculiar linguagem desabrida, que é vara curta de quem não tem destreza.

Já me defendi de mesquinharias assim. Foram insultos gratuitos que tinha por finalidade a provocação, pois estão sempre a me irrogar a pecha de eu ser um sujeito turrão, e que por conta disso estou sempre disposto a demonstrar que mato a cobra e mostro o pau, quando fico furioso. Tolices. Não é verdade.

Primeiro, eu não mato cobra porque sou 100% PDSA (Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá), meu coração é ecologista; segundo, não mostro o pau porque não sou exibicionista. Admito que às vezes minha voz ganha uns decibéis a mais, por conta de minha improficiência auditiva – sou acometido de hipertricose (pêlos excessivos no ouvido) que me arrefece a escuta, dando-me a impressão de que não sou ouvido – e que o Fernando Canto os chama poeticamente de “pêlos satânicos”.

Se minha voz é um tanto alta e denota hostilidade, o que dizer do terrorista Bin Laden que fala bem baixinho, quase sussurrando?… e tem a barba hirsuta,  de pêlos cerdosos como a do Fernando. Ando em dívida com o poeta, tenho que retribuir uma música que ele fez pra mim. Quanto aos pêlos, melhor deixar pra lá, tanto os dele, quanto os meus – Melhor. Este papo enfadonho é capaz de dar coceira na virilha, chato à beça…

Minha libido literária já desenhou o título da música que componho pra ele: Eco-lógico, uma paródia de Eqüino-cio cujo trocadilho é o óbvio ululante, lógico! A letra dos versos é em linguagem tartamuda, uma tronchice barroca capaz de botar o poeta Jorge de Sena no chinelo. Vai ficar 10, vai ficar de+kbça… Urruuuuuu!

Os professores devemos ter compromisso com o bom-senso no ensino. A didática, inclusive, nos licencia a formular conceitos que não são rigorosamente exatos, quando dirigidos a estudantes que sentem dificuldades em absorvê-los corretamente.

Quem não aprendeu a fazer contas usando os singelos dedinhos das mãos, quando criança? Recordo com saudade que “substantivo concreto ou abstrato é aquilo que se pode pegar ou não pegar”, a ´fessora ensinava essas coisas, e eu entendia tudo direitinho. Mais tarde descobrimos que não é bem assim. Como não é assim a concordância verbal que o pobre Isac aprendeu com a lição escolar.

Caro, Leitor, nessa frase pode até parecer, a vista desarmada, conter incorreção: “A literatura e a língua portuguesa está em mim, no meu DNA.” O verbo “está” deveria ficar no plural, já que a concordância é pluralista, ensina a lição escolar.

Não convém tirar conclusões pelas aparências, ensina também a dialética de Platão. Leitor, não há transgressão à concordância verbal nessa frase. Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos – ou considerados como tais (nesse caso, considerei que “literatura e língua portuguesa” são sinônimos) –, o verbo “está” fica obrigatoriamente no singular.

Afirmo isso categoricamente, e sem medo de ser feliz. E olha quem me faz companhia: “O rancor e o ódio não conduz a boa coisa.”, do renomado filólogo Luís Antônio Sacconi, que tomou por sinônimos “rancor e ódio”; “A luz e a ciência só veio ao mundo em nosso tempo.”, do clássico português Alexandre Herculano, que considerou que a “ciência” é a “luz”.

Antes de tudo, caro leitor, o que significa “antes de mais nada”?que significa a expressa dizer que sou professor.  Nadica de nadas. Francamente, é judiar demais da fulô-do-lácio (a língua portuguesa). Isac precisa de uma mãozinha do Mobral, um reforço didático ao seu ensino. que significa a expressa dizer que sou professor. E basta! Gastar mais vela com esse defunto é desperdício…

PS – Naquele estádio em que escrevi a crônica, recebi um balaio de e-mail em que apontavam o suposto erro. Uns faziam gracinhas (numa boa), outros quase que pediam desculpas por me advertir, já que eu me identifico como professor. Respondi a todos com a devida explicação, e os agradeci. O que não é o caso da carta acima, que me obrigou a escrever esta crônica. Mais recentemente um amigo me ligou e apontou um caso semelhante, quando escrevi aqui neste blog essa frase: “Zelo e capricho é saudável a nossa tão molestada fulô-do-lácio.”. Creio que já respondi. Agora, peço licença, porque respeito e caldo de galinha é bom, e eu gosto…

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

Um comentário para “A fulô-do-lácio, inculta e bela… – Por Ademir Pedrosa”

  1. Pedrosa,
    estranhei o senhor Isac dizer que é professor e falar que o filho dele faz o “1º Grau”. Ora, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de dezembro de 1996, não utiliza o termo 1º grau e sim Ensino Fundamental.
    Com “trave no olho” querendo tirar cisco do olho dos outros.

    Escrito por Joel | 27/05/2010, 11:10

Comentar

Memória

Categorias

Arquivos

Divulgue seu produto ou serviço aqui.


Fale conosco.