Não poderia ter sido melhor. No ano passado, a única chapa que clara e abertamente defendeu uma aliança com o PSB e recomposição do campo democrático e popular foi esmagadoramente derrotada, tanto do ponto de vista político – nossa tese não conseguiu internamente polarizar o debate de idéias – quanto do ponto de vista eleitoral – tivemos pouquíssimos votos – no processo de eleições diretas – PED – do PT.
Varias avaliações de nossa derrota política e eleitoral já foram feitas, no entanto, a mais profunda delas ocorrerá esse final de semana, quando os militantes da Articulação de Esquerda – AE, os que não se curvaram aos interesses “pequenos” de um grupo no partido e seguiram até o fim PED do ano passado, realizarão sua conferência anual.
Não deixa de ser interessante, principalmente para os militantes da AE no Amapá, que defenderam essa tese no PED, o significado positivo da resolução que foi aprovada ontem na reunião da Comissão Estadual Executiva – CEE, pelo menos em um ponto, a saber: A parte que priorizará a aliança com o PSB.
Por diversas vezes fomos tachados de “amarelistas“, “radicais”, “sem noção” e que o debate ora apresentado “não fazia sentido algum, haja vista, o lugar onde nos encontrávamos agora”.
Essa com certeza é uma boa novidade que a nova maioria do PT apresenta à esquerda e ao povo amapaense, pois durante todo o PED 2009 ouvia-se nos bastidores do partido a “satanização” dos “amarelos”, principalmente, pelo o que ocorreu em 2002, depois que PSB acreditou no “quanto pior melhor” e apoiou Waldez Góes no 2º turno daquela eleições, acabando por se auto-isolar desde então, não prevendo a construção de uma suposta “harmonia” que principalmente em 2006 e 2008 prevaleceu no debate político eleitoral no Amapá.
Agora é preciso avançar, mas para além de avançar rumo a uma aliança eleitoral em 2010 entre PT e PSB, é preciso encarar o debate programático e o futuro dessa aliança, principalmente porque na resolução aprovada, não foi mencionado nada sobre a questão programática e de futuro dessa aliança.
PT e PSB ainda devem debater questões cruciais como a ampliação dessa aliança com partidos de centro-esquerda e esquerda. Se os dois partidos conseguirem trazer ainda durante esse processo eleitoral PCdoB e PR, que constituíam juntos com o PT um bloco partidário, essa aliança estará diante de uma possibilidade real de vitória nas eleições 2010. Sem isso, ainda se terá chance, principalmente de se estar no 2º turno, porém, remotas de vitória.
É preciso também avançar no mínimo em três aspectos importantes nessa aliança, que são: (i) O Programa de Governo que disputará as eleições de outubro próximo; (ii) A compreensão de PT e PSB elaborarem juntos um projeto de desenvolvimento para o Amapá; e (iii) As eleições 2012 e os próximos anos.
1. O Programa de Governo
O PT precisa deixar claro para o PSB que não abrirá mão de elaborar junto o Programa de Governo. O partido deverá colocar como prioridade máxima dentro desse programa, bandeiras históricas como o Orçamento Participativo e o Renda Cidadã, no mínimo, para fechar questão definitivamente com o PSB.
É de extrema importância que se avance no diálogo a partir de agora, principalmente na elaboração de um programa de governo que dê conta de transformar a realidade sofrida da população amapaense, principalmente aquele que mais pereceu no (des)Governo de Waldez Góes, que é a população de baixa renda.
É por isso, que o PT terá que exigir “O renda cidadã” no programa de governo dessa coligação, porém, será preciso avançar na busca de uma “válvula de escape” para esse programa, criando critérios claros e forte fiscalização, para que ele não seja banalizado.
Essa “válvula de escape” terá a tarefa de criar as condições necessárias para que os beneficiados por esse programa sejam capazes de sair dele preparados para enfrentar o mercado de trabalho com dignidade, e os que neles ficarem possam ter sua renda complementada.
Com o mesmo peso, o PT deve exigir que esteja no programa de governo da coligação o Orçamento Participativo. O PT não deve e não pode abrir mão desse instrumento de participação popular que foi rechaçado em 1994 e 1998 por nossos aliados de então.
O OP deverá cumprir um papel fundamental na construção de um Amapá mais justo, onde cada cidadão será um agente dessa construção, decidido os rumos do orçamento frente às mazelas e os limites da intervenção estatal na vida da população.
Se o PT tiver a capacidade política de colocar essas duas bandeiras históricas no programa de governo da coligação, então o partido já terá algo a comemorar.
Porém, será necessário ainda, ter no Programa de Governo outras bandeiras históricas do partido, principalmente nas áreas de educação, saúde, moradia, segurança pública e etc.
2. Um Projeto de Desenvolvimento para o Amapá
PT e PSB tem acúmulo suficiente para compreender a necessidade de um projeto de desenvolvimento para esse Estado, principalmente porque depois de 8 anos estarão revivendo uma aliança que governou o Amapá com um projeto de desenvolvimento sustentável, que, no entanto, não deu conta de continuar governando, e principalmente porque depois desses 8 anos já se tem uma noção exata de quanto o (des)Governo Waldez Góes foi nocivo para a concepção de desenvolvimento que o PT defende.
Será preciso entender que os tempos mudaram e que um projeto de desenvolvimento que pretenda ser sério, deverá levar em consideração a nova conjuntura que está colocada.
Os dois partidos precisarão desdobrar todos os esforços necessários para entender e compreender essa nova realidade que o país e o mundo vivem. Será preciso que PT e PSB tenham a clareza de construir um projeto de longo prazo, para que dessa forma contribuam para construção de uma nova ordem.
O PT não pode admitir que passado esse processo eleitoral de 2010, e é importante que se diga, ganhando ou perdendo, ocorra uma desvinculação novamente.
É preciso levar a sério uma aliança como essa, não se “brinca” de eleições e de se fazer alianças em períodos eleitorais, ou PT e PSB entendem isso, ou acontecerá o que aconteceu em 2002.
3. As eleições de 2012
Como todo partido que se preze, o PT tem seus interesses e perspectivas, por isso, desde agora, devemos deixar claro para o PSB, quais são esses interesses e perspectivas.
Será preciso que PT e PSB consigam dialogar constantemente a partir de agora, para que interesses particulares não interfiram “nunca mais” nessa aliança.
Por isso, será necessária que as direções de PT e PSB oficializem essa aliança, porém, que o façam com bases em critérios políticos e programáticos claramente abertos, e que se consolidem com a assinatura de um protocolo de acordo onde ambos sejam protagonistas.
Questões como composição de coordenação de campanha, equipe de elaboração do programa de governo e em caso de vitória, a futura composição de governo, precisam ficar claras desde agora, para que não hajam surpresas desagradáveis.
Nesse protocolo de acordo, devem constar elementos da aliança de agora e depois, para que erros cometidos num passado não tão distante, sejam realmente superados definitivamente.
Kelson Rocha é membro do Diretório Estadual do PT-AP
Nobre companheiro revolucionário, destaco abaixo parte de seu texto, para depois comentar: “…principalmente, pelo o que ocorreu em 2002, depois que PSB acreditou no “quanto pior melhor” e apoiou Waldez Góes no 2º turno daquela eleições, acabando por se auto-isolar desde então, não prevendo a construção de uma suposta “harmonia” que principalmente em 2006 e 2008 prevaleceu no debate político eleitoral no Amapá.”
“Agora é preciso avançar, mas para além de avançar rumo a uma aliança eleitoral em 2010 entre PT e PSB.”
Concordo plenamente com as duas afirmações principais acima, quais sejam, o erro de estratégia do PSB em 2002 e a necessidade de avanço agora.
Não vou me ater ao passado e passarei a tecer algumas considerações sobre a possibilidade de união agora, o que, sem dúvida, significará um avanço político.
Não vejo futuro na sua dita proposta programática, porque alianças políticas sejam no Amapá ou em Brasília não se fazem nestes termos, e PR é direita raivosa ligada aos evangélicos e o PC do B chega a ser mais direita que o DEM em algumas situações. Então este tal campo de centro-direita não existe mais, nem em construção prática, muito menos programática. Uma discussão nestes termos é completamente inócua.
Antes de tudo, acredito que os dois lados primeiro tem que, abertamente, olhando olho-no-olho, fazerem uma séria autocrítica. Se o Amapá hoje está na mão da dita harmonia, que deixa uma dívida de mais de R$1.000.000.000,00, crise sistêmica na infraestrutura, educação e saúde saqueadas até o último esparadrapo; o Capi e a Janete cassados por causa de R$32,00, o Sarney perpetuando aqui a sua criação de burros, o nosso minério enriquecendo o Eike Batista, um cara que a gente nem conhece, enquanto o povo de Serra do Navio e Pedra Branca passam fome, e etc e tal, (tem mais, né?); se tudo isto e mais ocorreu, A CULPA PERTENCE AO PT E AO PSB, que em 2002 brincaram com o poder e deixaram seus egos a um metro acima de suas inteligências. Tenho certeza que agora todo mundo vai vir com mais humildade, mais se não reconhecerem os próprios erros não há nenhuma condição da dita “harmonia de esquerda” dar certo.
Então, companheiro, pé no chão e cabeça fria vão ajudar muito mais de que conteúdos programáticos já enterrados pelo PT no seu último congresso nacional e que Lula, com Dilma, por sinal, abandonou de vez.
E, boa sorte pra vocês, porque, sinceramente, acho que vocês vão precisar.
PS.: desculpem-me os pequenos erros ortográficos e gramaticais, pois o comentário foi feito diretamente e as pressas, mas acho que a licença poética, ou melhor, política da internet, assim nos permite.
Meu companheiro de esquerda e vizinho Kelson, os anos vão se passando e a gente vai aprendendo a ter mais cautela em relação a que tínhamos quando de nossa infância, adolescência… Digo isto, porque o momento agora nos exige muita cautela e vigilância às ações das pessoas que são contra essa aliança histórica. E olha que não são poucas pessoas e proporcionalmente a elas os grandes interesses para que se mantenha esse projeto atrasado de poder para a população. Acompanhei as disputas internas do PT por 16 anos, já vi companheiro do PT dormir presidente do Diretório Municipal e na hora do encontro municipal ter que desistir da disputa para não passar vergonha, pois, os acordos de última hora inviabilizaram a sua eleição. Vi também, uma imensa maioria partidária de delegados estaduais ser derrotada por uma minoria através de uma intervenção nacional. Muita calma nessa hora, afinal, cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém. Abraço e vamos lutar até o último minuto para garantir essa aliança!!!! Jucicleber