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Artigo O nascimento da harmonia & Curtinhas por Rup Silva

As recentes decisões do TRE, casos Roberto Góes [PDT], Antonio Nogueira [PT] e o impedimento da juíza Sueli Pini, contraditórias, estapafúrdias e discutíveis, estimulou um mergulho no passado recente de nossa história política.

Isso porque, para entender esses fatos, faz-se preciso e indispensável uma prospecção no passado.

Há um conflito anunciado entre as forças democráticas do Amapá [Igreja inclusive] e o poder vigente, apelidado de harmonia.

Que luta com todas as armas para manter o status quo, enquanto democratas se esforçam para garantir o direito do eleitor escolher, sem tutela, seus candidatos no pleito de outubro, o mais importante do país.

Sobram razões para que ele se deflagre. Há algum tempo as eleições no Amapá, municipal e estadual, acontecem em clima longe do padrão de normalidade e os resultados contrariam a vontade da sociedade.

Salve engano a última ocorrida, em que se deu em ambiente de razoável normalidade, foi a João Henrique [ex-PSB], para a Prefeitura de Macapá, em 2000, apesar da chiadeira de Papaleo Paes[PSDB] que foi mandado encomendar a posse sem uma avaliação criteriosa dos votos do Bailique, francamente favorável ao PSB.

É incorreto atribuir-se a SARNEY [por razões pessoais], a fundação dessa prática descontrutiva da cidadania e da livre manifestação do cidadão, chamada harmonia, embora tenha contribuído para fortalecê-la.

Por isso esse reparo precisa ser feito por dever de ofício e justiça. A aliança das elites [harmonia] começou com o ex-governador Barcelos, último interventor imposto pelo golpe militar e prosseguiu depois que se elegeu primeiro governador do Amapá.

Um grande acórdão cujo objetivo sempre foi manter o poder por um tempo longo e indeterminado. Coube a Sarney, agora sim, avançar e aperfeiçoá-lo, introduzindo, principalmente ódio e perseguição aos adversários, como fez no seu Maranhão.

Foi por ocasião da implantação da harmonia [era Barcelos] que se formaram as grandes fortunas do Estado: burocratas do alto escalão, empresários bajuladores, políticos sem escrúpulo, mídia amestrada, que não tinham , como não tem, qualquer compromisso com o futuro do Amapá.

Mais que isso, [e não menos grave], coube ao velho marinheiro a tarefa de construir, junto com amigos, a infra- estrutura do Estado nascido da Constituição de 88 e constituir, a seu bel prazer, sem consultar e discutir com a sociedade, os poderes do Estado.

Desta forma, e em razão disso, herdamos um quadro político de baixa qualidade e formação intelectual, cujos aliados, como hoje, beneficiários desse conchavo incestuoso com o governo.

O verdadeiro Amapá sobrou. Não passou de mero espectador do processo e alguns de seus filhos optaram pelo papel de colonizado e adesista para auferir vantagens pessoais. Nesse caldo de cultura gerou-se a harmonia e os males que nos afligem até hoje.

Nossa tragédia ficou maior com Sarney. Contrariando Ulisses Guimarães , então presidente do PMDB, Azevedo Costa, presidente do partido no Estado, como bom colonizado, deu-lhe guarida e passou para o limbo da história.

Conhecedor profundo da alma dos políticos e das instituições brasileiras, fruto da longa vivência com o poder, seja como aliado da ditadura, seja como intruso das forças democrática do país foi, passo a passo, construindo seu poder no Estado.

Aparou várias arestas. A mais grave com os Borges. Cooptou políticos da direita que “só queriam se dar bem” mantendo privilégios conseguidos com Barcelos; satanizou adversários e estabeleceu linha de comportamento [para o bem e para o mau], seguida cegamente por aliados, transformando-os em reféns e dependentes de sua vontade.

Faça-se exceção ao velho PT de guerra e o PSB comandado pelo ex-governador Capiberibe, que lhe custou uma injusta cassação do mandato de senador e da mulher, numa trama sórdida urdida nos porões do poder, historia que o Amapá e o Brasil conhecem.

Enquadrou, com a autoridade de ex-presidente da República, os poderes do Estado, formados por pessoas sem origem e compromisso com o Amapá, que nunca bebera açaí nem nadara nas águas barrentas do Amazonas.

Óbvio que tem muito mais. Impossível falar de tudo. Mas o certo é que para se entender o fato recente, só possível com esse mergulho no passado.

Fatos que revelam a face autoritária do poder instalado no Estado. Governantes que governam sem prestar conta e não ouvem o cidadão como gastar o orçamento público, nem tão pouco apresentam plano de governo.

Os órgãos que deveriam fiscalizar e investigar que nada fazem, não cumprem sequer a Constituição. População carente de serviços básicos, deseducada, despolitizada, massa de manobra de políticos espertalhões; desinformada pela mídia que se deixa comprar, enfim, um panorama nada dignificante e que compromete o desenvolvimento do Estado.

Daí que não poderia ser diferente. Desembocamos no caso que abre esse artigo, envolvendo as decisões recentes do TRE.

Instituição que há algum tempo tem suas decisões contestadas por setores das oposições que se consideram vitimas delas.

Não são poucos os que acham que a justiça quer tutelar o eleitor, retirando dele o legitimo direito de escolher seu governante.

Há uma flagrante tentativa do judiciário de intimidar e calar aqueles que contestam seus feitos como aconteceu com Correa Neto e Galazzi.

Um magistrado não pode se travestir de Deus, nem considerar-se acima do bem e do mau, muito menos achar que o axioma “sentença de juiz não se discute, se cumpre” seja uma verdade inabalável.

Como funcionário do Estado qualquer juiz deve sim satisfação a sociedade que garante seus salários e privilégios. Daí o direito de espernear.

Um médico, que tem a nobre missão de salvar vidas, é só um médico, não Deus. Tenho certeza que os colegas que salvam vidas diuturnamente, em condições precárias de trabalho, pensam dessa forma. São falíveis como qualquer ser humano.

Desta forma parte do que coloquei talvez explique por que juízes como Marconi Pimenta, Sueli Pini e outros, são considerados corpos estranhos a ser banidos da judiça eleitoral.

O porquê de Roberto Góes ter seus processos de cassação em primeira instancia [seis ao todo] negados pelo pleno do TRE ao contrário do prefeito Nogueira[PT],por razões menos grave, privado de seu mandato.

E dizer, sem medo da verdade, que o afastamento da juíza Sueli Pini, solicitado e consentido pela corte por motivo fútil, é um desserviço a democracia e imeritório.

Fosse o caso de fazer justiça teria que alcançar os desembargadores Ednardo Souza e Luiz Carlos que poderiam estar decidindo em favor de interesses dos filhos, que como o da juíza Sueli, são ligados a partidos políticos que, em tese seriam beneficiários das suas decisões em favor de Góes.

Todo mundo sabe da integridade da juíza Sueli Pini, figura integrada a sociedade, diferente da maioria que prefere ignorar a voz das ruas e vive enclausurado em  suas redomas ou cortejando o poder.

Operadores da justiça feito Sueli e Marconi, brigam pela lisura do processo eleitoral, contribuindo como poucos.Ela tem o reconhecimento nacional e internacional pelo seu trabalho em favor da boa justiça.

No caso Nogueira o PT promete representar. Diante dos fatos é cabível. Os demais partidos de oposição deveriam lhe seguir os passos. A sociedade civil organizada idem, pelo bem do Amapá, que vem aí, desembalado, descendo a ladeira, infelizmente.

POUCAS & BOAS

————————————————–LIÇÃO DE MESTRE. O cineasta japonês AKIRA kUROSAWA , em RAN, obra prima do filmografia mundial,ensina com precisão cirúrgica, o efeito devastador que o ódio, a ganância e sede de poder pode causar as mentes e corações dos homens.Bem atual.

A LONGA VIAGEM DE RADOLFE. O jovem líder do PSOL parece ter embarcado numa viagem sem fim. A “briga” com Sarney é algo de interesse de todos os cidadãos de bem; Por isso sua adesão ao seu candidato incomoda, embora goze do direito de trilhar seu próprio caminho.

Como incomoda classificar Lucas Barreto [PTB] como a única coisa nova na política do Estado.Ele pode até achar, mas para isso tem que negar a história.O que move Randolfe, afinal?

O RETORNO DO VELHO GUERREIRO. Saúdo com grande felicidade a volta do amigo Correa Neto ao campo de batalha. Ele, ao lado de poucos que não se deixaram amestrar, é um Oásis no deserto, um sopro de esperança na luta por uma mídia comprometida com a sociedade.

POR QUEM DEVE CHORAR O AMAPÁ. Pelos crimes de colarinho branco impunes; pelas centenas de criancinhas mortas na maternidade; pelos remédios vencidos; pela teimosia do TRE em manter fraudadores de eleições; pelos políticos viciados; imprensa amestrada e criminosa, que esconde do povo a realidade do Estado; pelas mortes no transito; pelas drogas que se alastram e muito mais?

PALPITE. Levo gosto pelo risco. Por isso me arvoro a um exercício de futurologia. Essas eleições, nas majoritárias, nos reservam as seguintes alianças: PSB, PT, PMN e outros; PSDB, DEM, PPS, PSC e outros; PP,PDT,PR e outros;PTB,PMDB e outros; Ah! No momento só o PSOL parece fora do jôgo.

VAI E VEM. A romaria de candidatos e não candidatos a Brasília não pára. O trecho aéreo MCP/BS anda congestionado. Motivo: aliança com o PT que continua vacilante. Sem candidato ao governo, tira partido para barganhar pelo vice. Há um lobby muito forte em favor do PSB que disponibiliza a vaga além de outras garantias.

Pedro Paulo [PP], governador e candidato, está amarrado a um compromisso com o PDT. Sarney, apesar do poder sobre o PT e Lula, parece de mãos atadas diante da situação do Maranhão e pelo nó difícil de desatar por aqui. Tempo ao tempo e logo saberemos.

A REVOLTA DO PT. Isso no Maranhão, segundo o Jornal Pequeno. Sarney vem usando todo seu poder junto ao Planalto para detonar a aliança do PT com o PC do B, visto que lideranças proeminentes e históricas do partido não aceitam a liderança da famiglia Sarney mantendo o acordo para apoiar o deputado federal Flávio Dino [PC do B], cujo partido, da base governista,  não aceita ser descriminado pela direção nacional do PT, leia-se Lula.Essa é uma boa briga.

EXTRA, EXTRA!Essa é fresquinha. Saiu no meio da noite dessa segunda-feira. O PT local finalmente bateu o martelo e em resolução da Executiva, órgão máximo do Partido dos Trabalhadores, resolveu, afinal, oficializar negociação com o PSB, restabelecendo uma aliança que governou oito anos o Estado.

RESUMO DA ÓPERA. Ponto hum: ficou estabelecido que o PT entregará os cargos que ocupa no atual governo.Ponto dois:oficialmente abrir negociação com o PSB para formalizar coligação, até o final de junho.Ponto três:discutir composição da chapa com os socialistas e PNM da frente de oposições com vista aos cargos majoritários e proporcionais.

Por hoje é só. Desculpe o tamanho do texto, tem a dimensão da minha saudade.

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Comentários

7 comentários para “Artigo O nascimento da harmonia & Curtinhas por Rup Silva”

  1. Bira, se estou feliz com o retorno do Corrêa Neto, duplicada fica minha felicidade com sua volta a Blogosfera. Abração!! Jucicleber

    Escrito por Jucicleber Castro | 18/05/2010, 11:53
  2. É muito difícil de acreditar como pode um Estado da federação brasileira tão pobre como o Amapá sustentar tanto ladrão.Parece um batalhão de saúvas para comer um único pezinho de milho.

    Escrito por pedro baia | 18/05/2010, 22:05
  3. Rup Silva, obrigado por presentear a sociedade do estado com este artigo MARAVILHOSO, IRRETOCÁVEL e ABSOLUTAMENTE VERDADEIRO. Me permita a honra de fazer suas minhas palavras, concordo com a análise da conjuntura institucional do estado e não vamos desistir da luta, afinal amanhã vai ser outro dia…

    Escrito por SJ | 19/05/2010, 9:04
  4. Que artigo porreta!!! Muitos cabelinhos de nucas vão ficar arrepiados quando lerem. Vale dizer ainda que faz muita falta na mídia local, impressa, articulistas desse quilate, parabéns!

    Escrito por Isabel | 19/05/2010, 9:15
  5. Se a população amapaense tivesse a oportunidade que estou tendo de ler este artigo,penso que o povo amapaense já saberia que rumo daria ao tão sofrido Estado.Muito bom,consciente e esclarecedor.Ao ler tb a curtinha “por quem deve chorar o Amapá”,não tenho dúvidas de que a tal HARMONIA deve ficar em um JAZIGO, das familias que contribuiram com esse ex desgóesverno p/a destruição desse Estado e seu povo menos favorecidos.Parabéns Rup,pela matéria que mostra fatos desconhecidos p/quem ama o Amapá e vive distante (ou mesmo dentro), dele.

    Escrito por Malu | 19/05/2010, 11:44
  6. Valeu pelo resgate da estória recente do estado e de como as instituições foram formadas por aqui, daí se explica o domínio atual da “turma da harmonia”. Com certeza os cidadãos que não compactuam com essa prática necessitam se rebelar, vamos nos unir para extirpar o mal da corrupção que hoje domina o nosso estado. Podem contar comigo nessa luta.

    Escrito por Alcione | 20/05/2010, 9:13
  7. TRE OU FAMÍGLIA?

    Escrito por pedro baia | 23/05/2010, 16:33

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