Artigo
Aos companheiros do PT – Considerações sobre as alianças no Amapá (2010) – por Lourival Freitas
Quando, no início de 2006, o PT decidiu participar do governo Waldez (PDT), escrevi minha opinião e enviei para vários companheiros no Amapá.
A participação no governo, ocupando alguns espaços nas secretarias e principalmente na CEA, significava tacitamente um apoio à reeleição do Waldez.
Aquela situação nos engessava e nos impedia de seguir outro rumo caso não fosse possível uma coligação formal com o PDT, devido as restrições da legislação eleitoral (verticalização). O meu temor era que o PT ficasse sem alternativa e tivesse que, de última hora, improvisar uma candidatura ou disputar apenas as eleições proporcionais.
De fato o PDT lançou Cristovam Buarque como candidato a presidente, portanto inviabilizando a coligação com PT, pois Lula era o nosso candidato.
Aconteceu pior do que eu temia. O PT, impedido de coligar com o PDT, mas já tendo o compromisso de apoiar o Waldez, resolveu de forma magistral lançar um candidato laranja chamado Erroflyn. Nem o verdadeiro astro conseguiria convencer a população da seriedade da sua candidatura. Ele fingia que era candidato enquanto a direção do partido e os ocupantes de cargos no governo, participavam dos eventos da campanha do Waldez.
O Erroflyn é o símbolo do papel secundário e subalterno que o PT começou a desempenhar desde a eleição de 2006.
É incompreensível que depois de elegermos os prefeitos de Macapá, Santana e Serra do Navio, em 2004, e ocuparmos um espaço importante na política local e nacional, fossemos obrigados a aceitar uma rendição do PT aos interesses pessoais de alguns mandatários que pensando no imediatismo de seus mandatos, condenaram o partido a um papel auxiliar dos interesses do PDT, comprometendo o futuro do Partido.
Este fato é a demonstração clara que passou a vigorar a lógica do salve-se quem puder, e como puder. Os interesses coletivos e partidários ficaram submetidos aos interesses individuais que, utilizando-se dos espaços no governo trabalharam apenas para a obtenção de um mandato, desvinculado de qualquer projeto coletivo e partidário. De fato, em 2006 reduzimos a nossa bancada a apenas um deputado estadual e uma deputada federal.
O desempenho pífio da candidatura do PT (Dalva) na eleição municipal de 2008, grande parte é reflexo do efeito Erroflyn. Muitas vezes fui questionado se a Dalva não seria o Erroflyn II. Será que ela não vai desistir para apoiar o Roberto? Se todos fazem parte do governo só podem estar fingindo ser candidatos, mas no final estarão todos do mesmo lado.
Na realidade o que a população percebeu era que o governo tinha 4 candidatos. O Roberto Góes era o principal e os demais coadjuvantes.
Como a eleição em Macapá historicamente sempre é polarizada entre um candidato do governo e um da oposição, o resultado não poderia ser diferente: o candidato Camilo Capiberibe, do PSB, disputou o segundo turno contra o candidato do governo Roberto Góes.
O apoio do PT ao candidato do governo, Roberto Góes, no segundo turno, só confirmou aquilo que a população já desconfiava, mostrou a impotência do PT e escancarou a nossa submissão a um projeto de poder dos deputados que comandam a Assembléia Legislativa do Estado.
Mesmo perdendo a prefeitura da capital, o PT ainda tem força em Santana, a segunda maior cidade do Estado, Serra do Navio e Ferreira Gomes. Este capital político não pode estar a serviço da reedição do papel lamentável que desempenhamos em 2006 e em 2008. Ou reagíamos agora ou estaremos condenados a ver um novo Erroflynn ( O retorno ) em 2010.
Participando de um bloco de aliança com o PDT e PP, ao PT estará reservado um papel subalterno na política local. Parece que nos contentamos apenas com os cargos que ocupamos na máquina estatal como se isto fosse a garantia de reeleger nossos dois parlamentares (Dalva e Joel). Não temos nenhuma referência de política pública que possamos demonstrar ao eleitorado como uma marca de nossa administração. Ao contrário, as referências que se fazem às administrações petistas são negativas.
A nossa política de aliança neste ano de 2010, não pode e não deve, se resumir a um ato de desespero para salvar os dois únicos mandatos parlamentares que nos restam. Sei que é cômodo para os detentores de mandatos parlamentares, ficarem quietos com os seus espaços no governo e apoiar o candidato que nos dá esta benesse. É tudo que nos resta?
Acredito que ainda temos força para buscar uma alternativa. Não acredito que nossos dirigentes estejam satisfeitos com a avaliação que se faz deste governo e com o resultado do nosso próprio trabalho participando desta administração. Quais os resultados que temos para mostrar para a população que justifiquem defender a continuidade deste governo?
Se quisermos recuperar o espaço e a importância política que já tivemos no Amapá, é preciso acreditar na nossa potencialidade, deixar de lado os ressentimentos e a tolice, e saber negociar com independência e altivez um papel mais digno e condizente com a nossa força e trajetória política, baseado num programa de desenvolvimento para o Amapá.
Brasília, 27 de abril de 2010.
LOURIVAL FREITAS
Análise coerente e verdadeira, estou torcendo para que as lideranças políticas do PT optem por fazer alianças com a oposição, reeditando a frente de oposição do Amapá, capitaneada pelo PSB e PT. A situação que o estado se encontra, falido economicamente, social e moralmente, requer determinação e vontade política que somente partidos de luta e vanguarda podem proporcionar ao nosso povo tão sofrido.
Muito coerente a análise do esperiente político, o ex-deputado Lourival Freitas.
se isso de fato ocorrer no estado vai ser historico concerteza essa dupla vai ser historia mesmo essa eu to pagando pra ver PT E PSB juntos meu vai ser o fim da corrupçao em nosso estado governado por essa corja de corruptos e vagabundos que so se alimentam do nosso dinheiro e isso asi 2010 vai ser um ano de muitas surpresas
Bem lembrado pelo ex deputado lourival parece que o pt realmente perdeu seu principal o foco o povo é vergonhoso apoiar esse governo que ai esta pois todo mundo vê a situação da saúde, educação, corrupição etc e o pt parece simplismente querer apenas manter seus cargos e esquecer do povo que precisa de politicos que realmente lhe represente , antonio
Parabéns pela lúcida avaliação da conjuntura (em tempo: petista adora mesmo analisar conjuntura, né?). É bom saber que os anos de ostracismo político ai em BSB não amoleceram vossos miolos e muito menos a velha fibra de lutar pelo nosso pedaço de chão aqui na ponta do Brasil. Sempre achei que você foi (ou é, ainda não morreu, né?) o ente político mais injustiçado da história política amapaense, vítima do barcellismo e da imprensa amestrada daqui. Mas, acima de tudo, não se afaste da construção dessa nova possibilidade que se abre no horizonte político amapaense, acho que eles vão precisar de sua experiência, inteligência e pé no chão. Seja bem vindo de volta.