Dalto Martins, Manoel Brasil, Papaléo Paes e Pedro Paulo Dias. Este é o naipe das nossas autoridades de branco: três legisladores e um gestor; todos eles discípulos de Hipócrates, profissionais da saúde e abençoados por Deus. Amém!
O leitor pode observar os postos que eles assumem como representantes do povo amapaense. Dalto, médico gastroenterologista, Deputado Estadual e Vice-Presidente da Assembléia Legislativa; Brasil, Médico Cardiologista, Deputado Estadual; Papaléo, Médico Cardiologista, Ex-Prefeito e Senador da República; Pedro Paulo, Médico Urologista, Secretário de Saúde e Vice-Governador.
Sem ser prolixo com taxas estatísticas, e nem querer jogar conversa fora, não vamos esquecer que a cidade de Macapá está entre as capitais brasileiras com o maior índice de suicídio de jovens. Os camicases e haraquiris orientais cederam lugar a enforcamento e outros métodos suicidas em nossa hiléia tropical.
Por que essa inclinação mórbida juvenil? Uma singularidade já que o Brasil é um dos países com a taxa de mortalidade por suicídio mais baixa no mundo; e, paradoxalmente, o Amapá tem alcançado nessa escala íngreme, alto índice de casos em que os jovens decidem aniquilar a própria vida.
Quanto à saúde pública, olha a discrepância que há entre os Estados do Amapá e Pará, quando se trata de doença tipicamente tropical. Enquanto o Pará com 143 municípios baixou em cerca de 50% os casos de Dengue; no Amapá, que tem apenas 16 municípios, este índice subiu assustadoramente. Hoje o Amapá está entre os Estados da Federação, comparativamente com a população, com um dos maiores índices de caso de Dengue. Uma pouca-vergonha olímpica.
Às vezes – que Deus me perdoe! –, eu desejo a cada desses “doutores” uma picada hemorrágica do mosquito da Dengue. E que seus últimos dias infectados sejam tão funestos quanto ao estádio terminal que viveu o pequeno Danilo, e que morreu à míngua por falta de cuidados médicos. Santo Deus!, a omissão é tão perversa quanto à tirania.
À corriola de mafiosos de branco, cujo juramento ético a Hipócrates não passa de uma abstração burlesca, minhas condolências. Assistir impassível à morte de 26 bebês com a desculpa esfarrapada de que isso é resultado estatístico considerado dentro da média, é um absurdo. Quem quiser vesti a carapuça, que vista; mas antes, tire a máscara anti-séptica do rosto, para mostrar a cara-lambida de quem não tem compromisso com a saúde do povo.
E para o leitor não achar que isso é pouca porqueira, olha as notícias aziagas que a internet tem me reservado. Fui assaltado com assombro recentemente por notícias fúnebres. Abalo sísmico no Haiti de 7.5 na Escala Richter; falecimento intempestivo do Governador Waldez Góes; e morte de 26 bebês no Hospital da Mulher Mãe Luzia.
A calamidade do Haiti comoveu o mundo. A morte do Governador foi uma brincadeira sinistra, logo desmentida antes que um aventureiro se apressasse em ocupar o seu trono. E a morte dos bebês que parecia mentira, era a verdade inusitada de uma tragédia.
As crianças recém-nascidas enfermas do Hospital Mãe Luzia tinham muito mais chances de sobreviver do que as crianças que foram vítimas do terremoto do Haiti. A diferença crucial entre esses dois casos é que as crianças do Haiti estavam sob os escombros; enquanto as crianças do Hospital Mãe Luzia estavam nos berçários da maternidade. As crianças soterradas foram felizmente socorridas com vida; os bebês do Hospital Mãe Luzia não tiveram a mesma sorte; não resistiram, e morreram.
Caro Leitor – desculpe-me –, eu sou torcedor do Botafogo. Sei que o futebol tem de seus infortúnios, e quando meu time perde, eu sofro que nem um babaca desprezível. Mas diante de notícias como essa que vai acima, eu chego achar Herodes natural – palavra de escoteiro…
P.S.: Este artigo parece ser fresquinho, mas já faz algum tempo que escrevi. Embora artigo desse gênero seja perecível, tem resistido às intempéries por conta do que se repete com a saúde pública no Amapá, dias após Dias. Ops!, desculpem aí a maiúscula, foi sem querer. Depois das revelações do Fantástico, meu artigo dá impressão que saiu do forno indagorinha. É velho, como também não há novidade alguma com as mazelas que o povo passa, especialmente quando precisa de assistência médica. Tudo isso é facilmente diagnosticável: incompetência e corrupção, resultado dessa harmonia miserável – como diz o Dep. Smith – entre os Poderes. Tem o que faz a merda; o que tapa o nariz; e o outro que faz beicinho injuriado, porque é quem tem que limpá-la…
Não necessariamente uma coisa tem que haver com outra,mas que precisamos resolver o problema de saúde pública no Amapá urgentemente.
palavreando Kenes “Ao longo prazo todos estaremos mortos…”
Lendo artigos como este percebe-se a inércia política, onde toda e qualquer política, são simplesmente eleitoreiras, e sempre a curto prazo. O fato é que o povo parece saber, mas mesmo assim se deixa envolver por promessas de emprego e outros benefícios. o mesmo acontece com os nossos legisladores, porém estes se vendem por muito mais dinheiro (mensalão por exemplo).
Acompanho a tv senado a algum tempo e percebi que o nosso presidente Sarney, raramente vai trabalhar e sentar na cadeira, quem faz isso é Senador mão Santa que é o 3º secretário…