Por Eduardo Neves
Sem alimentação, sem higiene sanitária e sem perspectiva de uma nova moradia. Esse foi o retrato encontrado no final da tarde desta terça-feira, 04, pelo deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB-AP), durante visita as famílias que foram retiradas da área do Ipê e estão abandonadas numa praça do bairro Jardim I.
As 245 famílias de sem-tetos moravam numa área que segundo a Justiça ao pedir a reintegração de posse alegou que eles ocupavam parte da Área de Preservação Ambiental (APA) do Curiaú.
De acordo com o relato das famílias ao deputado Camilo, os sem-tetos foram levados para a quadra da Escola Maria do Carmo no bairro Jardim I, passados 8 dias eles tiveram que sair da quadra, após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), elaborado pelo Ministério Público Estadual e assinado pela comissão de sem-tetos e o governo do Estado, que comprometeu-se em conseguir uma nova área para as famílias.
“Mas até agora o governo não informou não conseguiu outro lugar improvisado para ficarmos”, cobrou o sem-teto, Antônio Alves de Araújo, que está no meio das pessoas que estão em barracos improvisados ao lado da praça do Jardim I.
Segundo Antônio, o governo do Estado prometeu lotear uma área em frente ao bairro Brasil Novo, mas pediu prazo de quatro meses para estruturar a área e repassar as famílias. Outro entrave que os moradores questionam é a consulta que o governador do Estado diz que tem fazer junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AP), para verificar se não há impedimentos para a entrega dos terrenos.
Diante desse impasse crianças estão sem freqüentar a sala de aula por causa da mudança de endereço das moradias. “Eu tenho quatro filhos que não estudam porque eu não tenho transporte para levar os meus filhos até a escola”, relatou à sem-teto, Edna Lima.
A alimentação das famílias é feita com ajuda de comerciantes do bairro e amigos. “Porque o governo prometeu que vão dar meio salário mínimo por mês para ajudar agente. Mas até agora nada”, completa João Barbosa.
Ao final da visita o deputado Camilo Capiberibe, sentou com a comissão de moradores, e foi surpreendido por uma cláusula do TAC, que pressiona os moradores não manterem contato com mandatários de partidos políticos porque se não o acordo de aquisição de uma nova área as famílias será quebrada. “Primeiramente, eu estou como presidente da comissão de direitos humanos, levantando a situação de vocês. E vou me colocar a disposição para cobrar do governo do Estado uma solução para a moradia de vocês”, finalizou Camilo.
Comentários
Nenhum comentário para “Governo Pedro Paulo abandona sem-tetos do Ipê em condições desumanas”
Comentar