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Deu no Fantástico: “AP: um bebê morre a cada dois dias por falta de equipamento”

Do site do Fantástico

Em Macapá, capital do Amapá, existe uma única opção de maternidade. Lá, os funcionários tem que decidir quem vai viver e quem vai morrer.

Em um cemitério estão enterrados os sonhos de centenas de mães. Uma delas é Kamila Souza. A filha dela viveu apenas 15 dias. “A dor de ter um filho passa. Mas a dor de perder um filho não passa de jeito nenhum”, diz ela.

Em Macapá, capital do Amapá, existe uma única opção para as mães que não têm como pagar por um parto: a Maternidade Estadual Mãe Luzia.

“Eu sentia que não era para eu ir para lá. Eu disse para minha mãe não me levar para lá porque eu não quero ter filho naquela maternidade”, lembra Kamila.

A Maternidade Mãe Luzia recebe gestantes de todo o estado e também da Ilha de Marajó e faz uma média de 800 partos por mês.

A equipe do Fantástico entrou na maternidade com uma câmera escondida e presenciou uma cena dramática: havia apenas um respirador para três bebês na UTI para recém-nascidos. Um dos bebês que precisava do respirador acabou morrendo horas depois.

“Você está ali por um ser humano e, de repente, tem que decidir quem vive e quem morre. É muito complicado para nós”, diz uma funcionária da maternidade que não quis se identificar. “Mortes com crianças e uma rotina“, conta.

O Fantástico reuniu mães que entraram grávidas na Maternidade Mãe Luzia e saíram de lá sem os filhos.

“É uma dor que nunca vai passar. Aquela cena vai ficar para o resto da minha vida”, diz Cilene Castro, de 31 anos.

O grupo pediu ao Ministério Público que as mortes dos bebês fossem investigadas.

“De janeiro até agora nasceram 1755 crianças, das quais 57 foram a óbito”, diz o promotor Marcelo Moreira dos Santos.

Na estatística de mortes de bebês no estado do Amapá, chama a atenção o percentual registrado apenas na Maternidade Mãe Luzia.

“Deste número, de 60% a 70% dos óbitos foram na maternidade”, afirma o promotor.

O Fantástico procurou o secretário de Saúde do estado, mas ele pediu que o diretor da maternidade falasse em nome do governo.

Fantástico: Como obstetra, você considera que hoje as condições da maternidade são satisfatórias?

“As condições não são satisfatórias. Temos superlotação, carência de médicos, enfermagem. Nossa maternidade está pequena para a demanda que temos hoje”, constata o diretor Dílson Ferreira da Silva.

O Fantástico perguntou ao diretor sobre o elevado número de mortes registradas dentro da maternidade.

“Esse índice de mortalidade está dentro da média. Se você procurar no site do Ministério, vai olhar que está dentro da média”, assegura ele.

Mas a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia contesta o diretor da maternidade. Só este ano, o índice de mortalidade de bebês de até um mês de vida na Maternidade Mãe Luzia chegou a 32 para cada mil nascimentos. E a média brasileira é bem menor.

“Em cada mil, de cinco a seis crianças é que morreriam nessa faixa etária. A gente vê que lá é um número de cinco a seis vezes maior do que ocorre nas grande capitais”, diz Lucia Nagata, membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.

O Fantástico mostrou à médica as imagens do hospital.

“Acho que seria uma situação aceitável se a gente estivesse em guerra, em um lugar onde realmente não houvesse condições”, avaliou Lucila Nagata.

“Eu acho que só aceitaríamos se estivéssemos em uma situação de extrema urgência, em um terremoto. Em uma situação de calamidade publica, até poderia acontecer de gestantes em trabalho de parto dividirem uma mesma maca. É totalmente desumano uma paciente dividir uma cama com mais duas pessoas que estão na mesma situação que ela”, conclui.

A dona de casa Ivete Nascimento diz ter sido vítima da falta de estrutura. Depois de completar nove meses de gravidez, ficou uma semana indo à maternidade em busca de atendimento.

Quando conseguiu, era tarde demais. “À 0h30, a enfermeira disse que minha filha havia passado da hora de nascer e o caso dela era muito grave. O certo seria estar na UTI, mas não havia vaga. Às 10h30, ela faleceu”, conta Ivete.

“Estamos solicitando uma intervenção federal na saúde pública do Amapá, para tentar evitar as mortes que estão acontecendo de forma acelerada dentro da maternidade do estado”, adianta o diretor do Sindicato de Enfermagem e Trabalhadores de Saúde do Amapá, Dorinaldo Malafaia.

“Eu não tenho dúvida de que existem responsáveis. Vamos apurar e buscar que se faça justiça em relação a essas vidas que se perderam desnecessariamente aqui no estado do Amapá”, afirma o promotor Marcelo Moreira.

O Ministério Público pediu a abertura de um inquérito policial e ingressou na Justiça para que os serviços prestados pela maternidade melhorem.

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Comentários

7 comentários para “Deu no Fantástico: “AP: um bebê morre a cada dois dias por falta de equipamento””

  1. Esse é o retrato da corrupção que se instalou no Amapá.Com 40 milhões que foram roubados de uma só vez, daria para comprar muitos Respiradores para atender os nossos Bebês.

    Escrito por Santarém | 3/05/2010, 8:11
  2. A saude publica no brasil e principalmente no Amapá é um grande negócio privado. Pelo menos é assim que é tratado o seu grande orçamento e sua administração. Para cumprir acordos políticos e seguir mau-conduzindo o Estado, waldez fatiou a administração e deu no que deu. Educação e Saúde ficaram no osso, cadavéricas, desnutridas, falidas. Esse senhor que se despediu dos comandos do governo, saiu, mas levou em seus ombros muitas mortes de inocentes. Fruto também de acordos, o que assumiu, se comprometeu em que nada mudasse, que tudo continuasse do mesminho, azulzinho jeitinho. Há muita podridão nas entranhas dessa parceria. Nos bastidores dos poderes, das entidades, dos hospitais, das escolas, muitas coisas são encobertas, negligenciadas, roubadas, não fiscalizadas, não punidas. Consequentemente, nesse terreno fértiu de corrupção e impunidades, muitos inocentes morrerãm por falta dos serviços públicos humanos adequados. A visão de corpos moribundos muitas vezes abandonados, disputando leitos insuficientes ou mesmo os bancos duros das casas de saúde, a visão das criançinhas enfileiradas esperando a merenda nas escolas e em vez disso recebendo a bolacha dura com suco, a visão a cada dois anos do caríssimo asfalto sonrisal ser colocado até mesmo nas cabeças de pontes nas ressacas para comprar as consciências e ganhar eleições, a visão dos secretários de estado algemados pela polícia federal nos recorrentes fatos de corrupção, a visão dos “bacanas esnobes” da parceria, tetentores dos grandes e médios cargos e seus grandes carrões, cargos distribuidos sem nenhum critério técnico, tão-somente para aplacar a voracidade dos cúmplices, sedentos pelas benécies. Um verdadeiro dragão de várias cabeças. Sem dúvida nenhuma serão o grande legado desse governo. Agrande parceria que não deu certo. certo.

    Escrito por Lucivaldo | 3/05/2010, 20:17
  3. É LAMENTÁVEL QUE AINDA ACONTEÇA ESSE TIPO DE COISA, NÃO SÓ NO AMAPÁ, MAS COM CERTEZA EM OUTROS ESTADOS DO BRASIL. ISSO DEMONSTRA A FALTA DE HUMANIDADE DE QUEM TEM QUE SALVAR VIDAS. TEMOS QUE VER TAMBÉM QUE OS MÉDICOS, ENFERMEIROS E OUTROS PROFISSIONAIS DA ÁREA DE SAÚDE, FAZEM O QUE PODEM, COM OS RECURSOS QUE LHES SÃO DADOS.
    AGORA, QUE TEMOS QUE ACABAR COM O ALI BABÁ E OS “N” LADRÓES, AH! ISSO TEMOS.

    Escrito por ADEMIR DUARTE (CARIOENSE) | 3/05/2010, 20:27
  4. Bando de Baba Ovo,tentando justificar o injustificável.Durante o governo Waldez/Pedro Paulo, o Amapá só apareceu na mídia nacional de forma negativa,seja pelas Operações da Policia Federal ou dessa maneira que o Fantastico mostrou no domingo(02.05.2010).Está previsto um grande investigação que envolve julgamentos de politicos no Estado do Amapá,deverá assim como foi a Materia da Maternidade,mais um escândalo.

    Escrito por Robson | 3/05/2010, 20:46
  5. A corrupção realmente não só se instalou,mas se institucionalizou. Essa relidade precisa mudar. Estamos próximos as eleições e o grupo de WG e RG apoiados pela pessoa nefasta do Sarney precisa ser extinto desse rincão, senão, Bye Bye Amapá.

    Escrito por Otizete | 3/05/2010, 20:51
  6. Porque o Fantástico não mostrou o ex-estádio Zerão,o ex-aeroporto e a Ponte do Laranjal do Jari.Tudo fruto de corrupção praticado pela Corja que tenta a todo custo desqualificar a reportagem.

    Escrito por Benedito | 4/05/2010, 21:10
  7. CARA A SITUAÇAO DA SAUDE É PRECARIA, QUANDO O DR PEDRO PAULO ASSUMIU O GOVERNO DISSE QUE O ATENDIMENTO NO PRONTO SOCORRO TAVA BOM,E ISSO TODO MUNDO TA CARECA DE SABER QUE NAO É VERDADE, O ATENDIMENTO ´É OTIMO SIM MAS NA CLINICA DELE AFINAL TAO PAGANO!!!

    Escrito por REVOLTADO | 9/05/2010, 9:20

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