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Por que tantos navios ao largo?

De onde vem? Como vem? Por que vem? Pra que vem? São perguntas que o povo do Estado do Amapá está começando a fazer ao ver tantos navios transitarem na frente da cidade de Macapá, já se tornando uma paisagem corriqueira, tanto é o tráfego desses navios, navegando em processo de aproximação, lentamente pelo canal do majestoso Rio Amazonas indo de encontro ao porto da cidade de Santana e de lá zarpando. De onde será que eles vem? Da América do Norte? Da América do Sul? Da Europa? Da Ásia? Da África ou da Oceania? De qual país? Perguntas pertinentes, porque é por demais interessante saber de onde esses corpos estranhos são e quais as suas origens? É bom saber.

Agora como eles vem? Carregados? Se carregados, carregados de quê, pra que e para quem? Se carregados, esse carregamento é bom para o Estado do Amapá? Para o seu povo? É riqueza que está chegando? É trabalho que está chegando? Se for que sejam bem vindos.

Outra pergunta que se faz é por que vem ao Amapá? A trabalho, a comércio, a abastecimento, a ajuda, a indústria, a intercâmbio cultural, a turismo? Se for a tudo isso, que seja bem vindos, pois o Estado do Amapá precisa de tudo isso, mas se não…

Para quê eles vem? A passeio ou seria para buscar riquezas? Se for a última, que essas riquezas saiam daqui todas legalizadas, ajudando no futuro do povo do Amapá, com preços justos, com tarifas de impostos todos pagos e legitimamente transferidos para o tesouro do estado, tendo uma fiscalização rígida na saída dessa riqueza do estado.

O transitar desses navios deixa o povo do Estado do Amapá, um tanto quanto apreensivo, pois na história do estado não muito distante, o transitar de vagões em estrada de ferro, comunados com navios no Rio Amazonas, deixaram um rastro de destruição do meio ambiente e do ser humano ao saquearem por dezenas de anos uma gigantesca fortuna natural, propriedade do povo amapaense, que presenciou essa infâmia sem poder fazer nada, naquele contexto, e por assim acontecer, nada, nada mesmo dessa riqueza fez bem a esse povo, o que ficou foi a saudade dos que pereceram naquela labuta igual escravo a retirar das profundezas da terra o precioso e valioso metal a cair em mãos distantes e insensíveis, o que ficou foi fantásticas crateras, clones lunares, sem vida, morta a vida outrora existente, o que ficou foi ribeirinhos, descendentes de operários cheios de marcas sofridas, calejados, com cicatrizes profundas no corpo e na alma, ribeirinhos que ora só contam histórias tristes de dias tristes passados no arrancar das entranhas da terra riquezas , as quais tinham destinos certos, que não eram o destino de suas vidas.

Existe um temor, existe um tormento sempre a rondar o pós riqueza mineral do Estado do Amapá, manganês, que deixou um legado, sobre o qual recai hoje esse temor que é o de novamente o povo do Estado do Amapá voltar a presenciar mais saques, mais destruição, mais infâmia com a terra e com o povo desse estado. Por isso vale observar as ondas que esses navios ora estão fazendo no seu navegar, vale não só observar, mas tomar como lição o passado e passar a perguntar e a exigir respostas sobre o transitar desses navios e ainda dos vagões que insistem a balançar nos trilhos de aço expostos nessas terras tucujus, vale pedir transparência sobre de que esses navios estão carregados deixando o porto do Amapá, pois se de riqueza mineral, é patrimônio do povo amapaense e portanto precisa do seu aval para ser explorado, se carregado de riqueza fruto do trabalho do homem, que esse seja dignamente remunerado, mas que parte dessa riqueza fique em terras de onde está sendo trabalhada, a ser posteriormente dividida com o povo do Estado do Amapá.

Faz-se necessário que o poder público, gerente das riquezas desse estado, converse com a população a respeito, coloque-a a par de tudo isso, convoque a população a participar desse processo de produção e comércio das riquezas do Amapá, afim de que o fantasma da usurpação gratuita não paire mais sobre as cabeças e mentes das famílias do Estado do Amapá.

Professor Alcides de Oliveira

alcides.oliveira2005@ig.com.br

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