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Amapá – abstração, uma ova!… – Por Ademir Pedrosa

 

Amapá – abstração, uma ova!…

Por Ademir Pedrosa

(pedrosademir@hotmail.com)

Pobre Rogério. Tu és mais procurado pelos amapaenses, que o terrorista Osama Bin Laden pelos americanos. Tu és inimigo público nº 1 do Amapá. Tuas fotos andam espalhadas pela cidade, de lambe-lambe a outdoor. Do gari ao governador, todos querem te pegar. Até o Bispo já pediu ao Papa a tua excomunhão. A Geni daqui quer te conhecer intimamente, diz-que vai tirar leite de pedras para te proteger.

Se eu fosse tu, pedia proteção da Al-Qaeda, me confinava numa caverna talibã, deixava crescer a barba, botava túnica e turbante islâmico. Aguardava quietinho, até a poeira sentar. Exagero? Há uma facção xiita aqui do PT que vai de homens-bomba a pilotos-camicase. É bom não subestimá-los, porque se eles te pegarem – Rum!, não vai ficar oca sobre oca na tua aldeia. 

O roqueiro Lobão declarou que não gosta de música sertaneja – até tartamudeou caricaturalmente os vibratos dos cantores –, e que anda armado com espingarda de dois canos para matar dupla sertaneja. Pra quê!

O cantor Leonardo correu para Playboy e disse o diabo do Lobão. Disse que a maconha lhe debilitou o juízo e coisa e tal, e que ele perdera a noção de gênero musical. No mesmo diapasão, acusaram-no de preconceito por fazer declarações supostamente homofóbicas. Os gays, indignados, queriam devorar o Leonardo vivinho da silva. Eu, heim, rosa!…

Ao te referir à Rede Globo, chutaste impiedosamente os testículos da população. Doeu. Trouxeste à baila o episódio que ojeriza os amapaenses. Num capítulo, o mocinho da novela diz que aqui não há telefone, nem rádio, nem nada – que aqui é o fim do mundo. Pra quê!

A população exigiu que refizesse a cena. Absurdo! Isso não vai ficar assim… Apelaram até para o Roberto Marinho. A produção analisou, e disse que vai corrigir o mal-entendido, em outra novela. Nesta é impossível – já foi. Então restou ao Amapá a pecha do atraso. Por isso que até hoje aqui não tem banda-larga.

Deduraram que tu plagiaste o texto do Mainardi. Fui conferir. Nada a ver. Mas a bandeira de Goiás é cópia cuspida e escarrada da bandeira do Piauí. Puseram cinco estrelas no polígono quadrilátero azul para disfarçar; e de nada adiantou, especialmente porque a constelação que representa o Cruzeiro do Sul é escudo do Cruzeiro, clube de Minas Gerais, que tantas vezes goleou os pernas-de-pau daí de Goiás.

Tu és Mobral pacas em geografia.  A expressão “do Oiapoque ao Chuí”, posto que tenha virado chavão nacionalista, o ponto mais setentrional e o mais meridional do Brasil, porém, estão entre o arroio do Chuí, no Rio Grande do Sul; e o monte Caburaí, em Roraima.

Experimenta dizer que tu não sabes que é Caburaí. Lá os cavalos são autóctones e selvagens, e os índios ainda não aboliram o ritual do escalpelamento. Eles vão adorar – cara-pálida – essa tua cabeleira ridícula de argentino…

Quanto ao Senador Sarney, a gente troca-o por um patuá de pequi, e dá de troco outro senador, Gilvan Borges. Este não foi propriamente eleito, ganhou no tapetão com ajuda da dupla de arbitragem, Renan e Sarney.

O Senador tem hábito pouco ortodoxo. Não calça sapatos, só sandálias, pois tem chulé; não usa cuecas, pois não há mais no mercado cuecas samba-canção nem ceroulas de tafetá. Não faz a barba, nem as unhas, nem os pêlos pubianos – diz que isso é coisa de marica.

Ah, foi ele o autor da declaração explicita de nepotismo: empregou a mãe, porque ela lhe pariu; e a mulher porque dorme com ela. O mundo não é lindo? Então, topas trocar? O pequi aí dá na canela, não fará falta; e os dois senadores – aliás, os três; esqueci de mencionar a bancada completa – não farão a menor falta aqui.

Agora, atenção! Se vocês não conseguirem extrair deles nada de útil, descarte-os. Mais por medida de segurança, guarde-os sob Abadia de Goiás junto com o lixo radioativo durante uma quarentena de cem anos.

Naveguei de Net nos céus de Goiânia. Só as mulheres de Goiás se equivalem em beleza. Descobri que os índios Avá-Canoeiros, conhecidos como “Povo Invisível”, deram origem a Goiás. Quase dizimados pelos John Wayne da vida, foram reduzidos à meia-dúzia, e que hoje habitam terras alheias.

As terras abduzidas, de Tocantins e Brasília, estreitaram o território de Goiás. Que era latifúndio, hoje é gleba.  Breve, a população fará jus aos ancestrais de Povo Invisível. Depois, o Amapá que é uma abstração…                                 

As terras indígenas daqui são todas demarcadas, tintim por tintim. Únicas no Brasil – ou no mundo. Nossa selva aborígine é de infundir respeito até no Tarzan. A natureza é quase surreal. Tivemos o melhor governo do mundo, o PDSA – Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá –, e pretendemos voltar para o futuro – aliás, de onde nunca deveríamos ter saído. Entendeste? Ou tu queres que eu desenhe em cores clorofiláceas?

Vês que o Amapá caprichosamente deu ao Brasil: Lei Transparência Nº 131, de autoria do Ex-Senador João Alberto Capiberibe (PSB-AP). Tu sabes para onde vai o dinheiro público? Se tu saíres de Goiânia na BR 060 em direção a Brasília, tu vais dar aonde, meu bom Rogério? Ah, quase esqueci: a Geni mandou lembranças…

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

3 comentários para “Amapá – abstração, uma ova!… – Por Ademir Pedrosa”

  1. Lu, vc já deu o livro pro Ademir!? É dele!

    Escrito por Bruna Cereja | 23/04/2010, 17:57
  2. (Luciana, eu enviei um e-mail pra você no qual peço que você troque o texto de minha crônica, pois houve um equívoco de sua parte em publicar o texto que enviei anteriormente. Peço outra vez – por obséquio – que substitua o atual texto pelo o que enviei em meu último e-mail. Algumas alterações não estão no texto aqui publicado, e que considero imprescindível para o bom entendimento do mesmo.)

    Bruna Cereja, você gostou da crônica? Brigado, de coração. Posto que você considere que eu merecesse o livro como prêmio, devo dizer que não participei do concurso. Tive o cuidado de ficar alheio daquele, digamos, “pega pra capar”, do instinto selvagem que promovia a crucificação do abominável jornalista que se atreveu a cutucar a onça com vara curta. Um exagero. Todos que participaram daquela avalanche de agressões, travestidas de defesa, tinha um erro de base: trataram o Rogério Borges como um ignorante, um zé mané desprovido de conhecimento elementar que nem sequer sabe que o Amapá está no mapa. Ledo Ivo e engano. O Rogério sabe das coisas. A suscetibilidade dessa gente transformou uma brincadeira de mau-gosto em uma espécie de lesa-pátria. Que leseira, véio! Um texto de cunho literário – uma crônica! – execrada à inquisição porque exulcera a auto-estima dos amapaenses. E a liberdade de expressão que vá à merda?! Me inclui fora dessa, véio. Bruna, eu fico assim metido à besta com o seu elogio – fico me achando -, mas você também não anda exagerando? A crônica passada você achou fantástica!, e agora acha que o livro é meu!, menos. Se não vão achar que você me acha o cara, só porque eu sou botafoguense campeão 2010. E ser botafoguense é meio transcendental, é estar acima das camadas de turbulências, sabia? Baby, escuta: veja como um pequeno o texto pode servir – de acordo com as conveniências – de conforto pra alguém que se sente vitorioso, como eu botafoguense. O poeta russo Maiakovski escreveu: “Dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz” Né?…

    Escrito por Ademir Pedrosa | 24/04/2010, 23:54
  3. Hoje o Amapá é referencia nacional dentro das questões ambientais, não podemos que uma pessoa que nunca pisou em amapaense, fique fazendo menção ao Amapá sem ter conhecimento do Amapá.

    Escrito por Idelfonso Silva | 30/04/2010, 10:13

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