Por Ademir Pedrosa
Lucia Cravalho Gomes disse:14 de abril de 2010 às 11:36
Inobstante as observações quanto a eu haver trocado o local do “r” quando da digitação, tenho uma interpretação desse sonho. Até agora você está meio f…do, pode ficar por inteiro ou f…do e meio, então você precisa urgente arrumar algo mais produtivo para fazer e ajudar a pagar a energia da casa e as demais contas. Ninguém merece um pai desses
Lúcia – permita-me acentuar seu nome. Paroxítonas terminadas em ditongos são obrigatoriamente com acentos. Não importa se é nome de batismo, pois a regra vale para ambos, nomes próprios e comuns. É meu ofício escarafunchar as entranhas da língua. Posto que me sobre mais esculachos que agradecimentos. Ossos do ofício.
A propósito, a conjunção “posto que”, não equivale a “porque”, mas a “embora”. Veja o que o Fernando Canto escreveu em ADORADORES DO SOL (pág. 91): “(…) para não deixarem a minha música vencer, posto que eu tinha sido expulso da AUP e era considerado subversivo (…)”.Lúcia, o Chupa-Cabra vai querer sorver de canudinho a minha bílis, por Deus…
A Pérola-Pedrosa – minha filha, que você diz não me merecer –, tem no sobrenome Carvalho. Vi seu nome grafado doutro modo, achei que fosse erro de digitação. Fiz um trocadilho, e você não gostou. Você anda muito suscetível, Lúcia. Relaxa. O psicanalista Flávio Mascarenhas adorava quando lhe chamavam de Flávio Mascarinhos ou Mascaralhos.
Que é o nome? Não é rosto, nem corpo, nem mãos, nem pés, nem olhos, nem coração. A flor que chamamos rosa, com outro nome não teria o mesmo perfume? Assim é você, querida. Pressuponho que você tenha corpo, mãos, coração e etc., e que em vez de “Carvalho”, o escrivão, distraído, grafou “Cravalho”, mas você continua sendo a mesma pessoa, sem tirar nem pôr. Há um poema do Oswald Andrade que diz:
Eu fui o maior punheteiro dos meus tempos
Todas as mulheres dormiram em minha cama
Principalmente cozinheiras e cançonetistas inglesas
Hoje cresci, as mulheres fugiram
Mas tu vieste, trazendo-me todas no teu corpo…
Sei que eu estou f…do (o recurso das entrelinhas de “fudido” é bárbaro!), e que literatura não enche barriga. Tenho 12 livros publicados, oriundos de concursos literários, coletâneas; e 6 livros solos por publicar. Confesso que há muito tempo que procuro outra atividade mais lucrativa, mas só tenho dado com os burros n´água – Xi!, não se fala em corda na casa de enforcado.
Ando numa penúria, Lúcia. Mas não precisa tripudiar. Já não bastam as figuras emblemáticas da literatura que sucumbiram aos percalços, e morreram de fome? Edgar Allan Poe e Van Gogh, por exemplo. Que se dirá de mim! Espero que desta vez o Herbert Emanuel não julgue que quero me comparar ao poeta Poe – salvo se for de inanição.
E os infortúnios que a sorte tem me agraciado, estão saindo pelo ladrão. Eu tenho acertado só na trave. Prestei um serviço legítimo pra Secretaria de Saúde, e eles acharam por bem não me pagar. “Descobriram” que eu sou Capi, e me mandaram cantar em outra freguesia. Faz um tempão que a tal merreca não sai de jeito nenhum.
Como você vê, é por isso que tem me faltado “alguns” pra pagar a CEA, e outros supérfluos, como: feijão, arroz, farinha, açaí (que eu não sou de ferro), e as misturas. Nem o jabá eu tenho, que não sou jornalista.
O curioso é que o Pedro Paulo nunca disse não. Ele me oferece a expectativa, e a estende em reticências ininterruptas… Já fiz mandinga, promessas, abstinência alcoólica, e já pensei até em greve de fome – o que seria uma redundância cruel diante da fome que venho passando –, e nada.
Sei que a Saúde do Estado passa por maus momentos. Falta remédio, leito, equipamento – tudo. Os médicos têm que operar milagres (desculpem, o trocadilho) pra dar conta do recado. Os 26 bebês que morreram hospitalizados foi desígnio de Deus, Herodes é coisa do passado. O Danilo, coitado, em frente ao Hospital suplicou pra não morrer. Lavaram as mãos – câncer não tem cura, e fim de papo. Não tardou Danilo morreu. À míngua.
A Dengue no Amapá está no topo do ranking. O Pará, estado vizinho com 143 municípios, conseguiu abater 50% dos casos de Dengue, enquanto aqui (com 16 municípios) aumentou o percentual. Por que será? Dei minha contribuição à campanha com essa musiquinha:
Melô da Dengue
Ademir Pedrosa e Cléverson Baía
Num adianta trocar tapa
Nem querer vencer no grito
Mano te manca com a lapa
Da picada do mosquito
Cacarecos, tralha velha
Gargalo de pote e bilha
Pedaço de vidro e telha
Caco de vaso e vasilha
E qualquer treco que tá de boca pra cima
É o cão chupando manga com a bunda na vitrina
E pra tirar todo o moral desse mosquito
É só gorar o ovo, e não dar a asa pro maldito
E pra acabar com esse mal pela raiz
É só secar sua sorte, e não dar água pro infeliz
Com o mosquito de amanhã…
Fez chuva, fez sol e necade pitibiriba de pagamento. Já gastei sola de sapato, saliva, tempo e suor, em vão. Então, como não me resta alternativa, eu vou botar pra fuder. Desculpe-me, dona Lúcia, mas evitar o palavrão com aquele recurso me parece ingenuidade, como a namorada que tenta esconder o periquito do pescoço com band-aid. Inútil.
Vou ao Maracanã no próximo domingo, assistir ao jogo Botafogo X Corinthians para a entrega de Faixa de Campeão Carioca 2010. Vou estar vestido de médico, de bata branca, maleta e estetoscópio, a caráter; quando eu e minha parceira (ela fantasiada de mosquito da Dengue) vamos comemorar, abraçados (Dengue e Médico), a festa do Botafogo. Vamos exibir um cartaz para todo o Brasil, através da Rede Globo de Televisão com a seguinte frase:
Amapá, campeão da Dengue.
Visite-o, e ganhe
uma picada hemorrágica.
Fantástica matéria, parabens Ademir Pedrosa.
Fantástico! Dá-lhe, Ademir Pedrosa!
Até quem fim,apareceu uma pessoa como vc para falar a verdade transparente que outros não admitem que existe nessa sociedade que vivemos.