Tenho percebido que, em muitos casos, o povo passa por muitos momentos difíceis e as autoridades não estão nem aí. E assim passam os mandatos e os cargos de confiança daquelas que tem o dever funcional de, no mínimo, lutar para amenizar esses sofrimentos, se é que elas não têm competência de lutar para acabar, dando uma melhor qualidade de vida a esses seres humanos.
É uma tristeza a situação vivida por muitas pessoas que passam por muita humilhação, desrespeito, descaso e abandono, principalmente, quando se toma conhecimento que milhões são desviados dos cofres públicos e deixam de ser empregados para suprir as necessidades básicas do povo.
Não é difícil constatar uma realidade de muita angústia e sofrimento no dia-a-dia dos amapaenses trabalhadores. Parece ser uma dicotomia, mas é a pura verdade se dizer que o trabalhador, aquele que sai cedo de suas residências, muitas vezes sem uma alimentação correta, sem um meio de transporte bom, e, às vezes com uma saúde debilitada, para ganhar o pão com o suor do rosto, é o que mais sofre.
É ele, por incrível que possa parecer, que é o mais castigado, o mais humilhado e o maior sofredor.
Disso posso falar de cadeira porque acompanho muito de perto o trabalho honesto de algumas pessoas e uma delas vou trazer como exemplo para essa reflexão.
Juntos saímos às 04:00h da manhã (vejam o horário) e fomos com destina ao município de Pracuúba onde ele, o trabalhador honesto, foi comprar peixes para revender e assim, ganhar o dinheiro necessário para o sustento de uma família de 09 pessoas.
O carro é um tipo fiorino – básico e sem ar condicionado – já com alguns anos de uso, meio acabado pelo tempo. Mas mesmo assim, foi carregado, com uma tonelada de gelo, comprado aqui em Macapá, porque a fábrica de gêlo do município está parada (bem que poderia estar funcionando o que evitaria que o gêlo fosse levado daqui). Essa imposição deixou o carrinho cheio, não mais existindo espaço para se levar uma mercadoria, para uma espécie de comércio extra, aproveitando a viagem para uma revenda agregando maior valor a essa viagem penosa e desgastante.
Assim, já perdendo ainda na saída, o trabalhador honesto e eu fomos em direção ao município de Pracuúba.
Na viagem, passando por alguns trechos da BR 156, o carrinho foi penando por ter que passar por alguns buracos formados na pista que precisa ser mantida com ações de manutenção para evitar danos aos veículos e até acidentes mais graves, até com a perda de vidas humanas.
Cada buraco era um sofrimento porque o lucro de todo o trabalho era pouco e o carrinho poderia acabar precisando de uma manutenção ao final da viagem, caso ele não parasse no decorrer dela, que seria um sofrimento ainda maior, como foi o caso de um caminhão que encontramos atolado em um trecho do ramal que dá acesso ao município.
E continuamos, até chegar no ramal que dá acesso da BR 156 para o município de Pracuúba. Ao passar por ele, pelo ramal, o sofrimento parecia maior a cada buraco que o carrinho passava, às vezes, espremido, às vezes audaz, numa luta incomum, onde até um caminhão ficou atolado, imaginem um carrinho fiorino e meio desgastado pelo tempo? Foi um trecho de sofrimento, onde o trabalhador honesto, se perguntava e dizia: Cadê as autoridades que não conseguem asfaltar este ramal?
Após muito sofrimento, chegamos no destino, com um porém. Pela demora na viagem, devido os buracos da BR e o ramal quase intrafegável, o gêlo já havia dissolvido muito. Assim, com essa perda, a quantidade não foi suficiente para suprir a necessidade. Então o trabalhador honesto, foi preciso deslocar de Pracuúba até o município de Amapá, para comprar mais gêlo, caso contrário, correria o risco de perder todo o peixe que iria adquirir para trabalhar na feira em Macapá. Assim, acabaria seu ganha-pão.
E haja sofrimento. Mais desgaste físico e de material (pneus, peças, gasolina, etc), mas era necessário passar por mais esse sofrimento – tudo porque a fábrica de gêlo estava parada e só havia uma fábrica funcionando no Amapá. Fomos para o Amapá.
Na viagem, sentia-se bem no semblante daquele trabalhador honesto, um sofrimento lento, a cada decida do ponteiro marcador de combustível, porque era mais dinheiro perdido para reabastecer (reabatecemos na volta para Macapá, em tartarugalzinho, com o litro da gasolina a R$ 3,05, a quantia de R$ 30,00, com o sofrimento de ser menos dinheiro no bolso daquele trabalhador honesto), do pouco que iria lucrar após tanto sofrimento.
Chegamos no ramal do Amapá, e o trabalhador honesto, olhava desolado tanta lama e buracos para enfrentar com o carrinho que metia pena, mas era necessário enfrentar mais esse sofrimento, aumentado a cada “porrada” que carrinho pagava naquele lamaçal cheio de buracos. Essa é a situação do ramal do Amapá, quase intrafegável pela quantidade de lama e buraco, ainda mais castigado pela chuva do inverno, que precisaria ser vencida para concluir apenas uma viagem, das muitas que o trabalhador precisa fazer para trabalhar honestamente.
Assim, após muito sofrimento chegamos ao Amapá. E o sofrimento continua, na hora de pagar o gêlo, mais caro e em quantidade maior que o necessário, para compensar o desgelo da viagem de volta pela demora na passagem do ramal intrafegável. E o pouco dinheiro que ainda restava, ia embora aos montões, sem um resultado bom para o trabalhador honesto. Ia, sim, cada centavo chorado, pelo alto preço, pelo desgelo, isto é, pelo produto da incompetência das autoridades.
Voltamos ao Pracuúba – para Macapá contarei depois – com mais sofrimento do retorno pelo ramal do Amapá e do Pracuúba, culminando com um desgaste físico e emocional incalculável, o qual é submetido um trabalhador honesto, tudo por conta da incompetência das autoridades, que passam longe quando usam as aeronaves (helicóptero e avião) ou carrões de luxo, onde a paisagem e buracos os das estradas e dos ramais sevem de cócegas para gargalhadas de alegrias e de satisfação, e indiferentes com tanto sofrimento. Às vezes, extasiados com o sabor do dinheiro público fácil.
E o povo, o trabalhador honesto, continua no dia-a-dia num sofrimento sem fim.
Em, 17 de abril de 2010.
TCel CORRÊA
ESPECIALISTA EM GESTÃO ESTRATÉGICA EM DEFESA SOCIAL. culminando com um desgaste f nlava, ia embora em forma deghonestamentedo inverno.tartarugalzinho, com o litro da gasolina a R$
Oh amigo tem mais humilhação ainda em Pracuúba do que as relatadas em cima, aquele ramal desgata qualquer um, imagina termos que viajar toda semana por ele,e realmente é um tremendo descaso, pois são aproximadamente 16km, teoricamente era pra ser rápido a chagada a Pracuúba, mas devido as buraqueiras e péssimas condições do ramal leva-se um tempão até chegar ao destino, ah um asfalto!!! E mais queria que tivesse pelo menos passado pela frente do alojamento dos professores, se já assistiu filme de terror na hora iria compará-lo a uma casa mal assombrada!!! está caíndo, um “cinco estrelas para os morcegos”, é muita humilhação para os professores que se deslocam da capital para se submeterem a essa humilhação, tendo que conviver com os morcegos, com o odor horrivel daquele alojamento. Os aluguéis são carissimos, logo resta a muitos professores encararem o DESUMANO alojamento de professores de Pracuúba. S.O.S DIREITOS HUMANOS!!!!