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A arte da política – Por Nezimar Borges (*)

A política causa apelo ao ego das pessoas, sendo assim, à medida que desperta paixões, também desperta o ódio. E quase sempre com desvencilhar das ações de alianças políticas, sobretudo em ano de eleições. Entretanto não se podem dissociar essas ações das decisões dos agentes políticos, detentor de decisões importantes para seu sucesso, ou de outro modo, para seu fracasso. Porém, qual deve ser o perfil político desse agente, que desperte nas massas a sedução, o carisma e o que é extremamente relevante para a dialética dos movimentos e mudança, a esperança?

Em uma analise superficial por aquele incipiente na política, pode se dizer que, quem detém mandato eletivo, representa, de maneira generalizada, o perfil do verdadeiro agente político de sucesso. Mas nem sempre foi assim, e há uma variabilidade de casos de agentes que, por não possuírem o chamado perfil, o “jogo de cintura”, acabam fadados ao insucesso. E embora revestidos em cargo representativo, o descontrole e o despreparo é, em alguns casos, risível e visível, tendo suas ações caráter depreciativo às esperanças futuras de sucesso.

Nesse aspecto, o futuro do agente político não está, exclusivamente, atrelado ao seu carisma, e, não basta o domínio somente da emoção, ou o domínio somente da razão. Em grande parte dos casos, não basta ter mandato eletivo.

Entretanto, dizem que para obter sucesso, um político tem que “engolir sapo”. Em todo caso, deve transitar na fronteira de suas emoções, razões e sentimentos. Deve haver momentos de total controle desses fatores para sobrelevar seu nome como futuro promissor. E para embasar o que se escreve, há fartos argumentos na literatura da história da ciência política. Mas estar-se-á a exemplificar dois casos que corrobora para essa análise. Um da Roma antiga, outro, da Santana moderna.

Em Santana, o desfecho do sufrágio universal de 2008, ressurgiu das urnas o vereador mais votado do PT neste município, e não demorou a se especular como nome de futuro alcaide deste município.  E, embora político de carisma, não tardou a revelar suas ações de política prosselitista. Em resumo, seu modus operandi de fazer política, totalmente divergente e muito aquém do perfil do ideal político, não suportando as seqüelas do debate democrático. Sem controle de suas emoções, não se atem que ainda, em dado momento, não possui poder suficiente para emplacar suas convicções políticas e seus desejos, assim, parte para a violência. E com isso mostra precocemente seu despreparo aos seus eleitores e para aqueles que um dia poderiam vir a ser. No entanto, debates de argumentação, ou mesmo ofensas verbais, é compreendida quando desferidas a um adversário direto. Mas não é compreendida quando é diretamente desferido contra aquele que é seu aliado, que contribuiu para lhe trazer o mandato. E é nessas horas que se vê o perfil degradante do político inexperiente. E é um perigo para a sociedade se um dia, por sorte, esse perfil de político vier a ter cargo no executivo.

Na Roma antiga, as ações de Marco Antônio diante do túmulo de Júlio César são um libelo e um clássico da ciência política. No episódio do funeral do imperador morto, concordava com Brutus, assassino de César. Marco Antônio controlava suas emoções e encarnara na pele de seus compatriotas. De inicio, Brutus teve o total controle da situação junto à massa, pois dizia que tinha assassinado o imperador, e que este declinava a levar Roma para o caos de ações ditatoriais. O povo concordava até que discursou Marco Antônio logo após o de Brutus, “engolindo sapo” concordava com as acusações a César feito por Brutus, este um “homem honrado”, dizia. Certamente Marco Antônio deveria ser político de carisma e de sedução espetacular, pois extasiou a multidão, mudou a retórica de seu discurso, apresentando o lado bom de César, mostrando o testamento do imperador, o qual doava ao povo de Roma todo seu ideal intelectual e bens materiais. O povo emocionado se sensibilizou virando-se contra Brutus.

Esses dois exemplos são apenas prepositivos para aqueles que ainda têm muito que aprender sobre a arte da política. Conscientizar-se sobre suas potencialidades, suas deficiências, seus desejos, sentimentos e emoções.

Todavia, o sucesso do político está no equilíbrio entre o ser bom e o ser ruim, entre o oscilar nas fronteiras da razão e da emoção; entre os limites possíveis entre o legal e o ilegal; entre o equilíbrio não transitório entre democracia e ditadura e entre as ações limítrofes entre a honra e a corrupção. E o sucesso não se obtém a qualquer preço. Portanto, se contradiz Maquiavel, pois na arte da política, nem sempre “os fins justificam os meios”.

(Publicado no Jornal Correio Santanense)

(*) Tecnólogo e Professor da Escola Augusto Antunes/STN

Graduado em Matemática e Especialista em Física

Escreve no Blog http://www.nezimarborges.blogspot.com

borges@unifap.br

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

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