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Cultura

Jornalista faz “mea culpa” e pede desculpas por ter “atingido a identidade de cidadãos amapaenses”

Leia abaixo a íntegra do texto do jornalista Rogério Borges publicado hoje em seu Blog onde ele se desculpa por ter atingido os amapaenses, ainda que, segundo ele, não o tenha feito de forma intencional:

Do Blog do Rogério Borges

Esclarecimentos sobre o Amapá

Uma crônica de minha autoria publicada em O POPULAR no dia 7 de abril gerou polêmica no Amapá, estado aludido no texto. Recebi, em meu e-mail pessoal, e também por meio de comentários em meu blog, diversas reações iradas ao trabalho, tachando-o de desinformado, ignorante e preconceituoso. Muitas dessas manifestações referiam-se à crônica como uma matéria jornalística ou um artigo de opinião.Quero, portanto, prestar os devidos esclarecimentos não só aos leitores deste jornal, como também à população amapaense que se sentiu ofendida.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que nunca houve a intenção de atacar o povo do Amapá. Na crônica, quando “é posta em dúvida” a existência do Estado, obviamente que se tratava de uma afirmação fantasiosa, uma vez que é impensável alguém dizer, seriamente, que determinada unidade da nação não existe. Seria o negar o óbvio ou defender que o mar não é salgado ou que o Sol gira em torno da Terra. Quem quer que diga que o Amapá não existe, mesmo em uma conversa informal, só pode estar brincando com seu interlocutor. Pelo menos é assim que eu encararia se alguém me dissesse ou escrevesse que Goiás não existe.

Ao dizer, logo no início do texto, que “duvidava” da existência do Amapá, faço automaticamente o convite ao leitor para sair, em alguma medida, da realidade. O absurdo da afirmação suspende os planos da lógica no restante da leitura. Esta, aliás, é a dinâmica da crônica, gênero híbrido que mistura o real e o ficcional em uma narrativa que foge dos parâmetros tradicionais do jornalismo. Como um texto que mistura discursos, a crônica busca referências na realidade para, justamente, subvertê-las de alguma maneira ou então supreender seus leitores com o elemento inesperado, da ironia e da fantasia. Isso não ocorre, por exemplo, em reportagens e artigos de opinião, restritos que estão à busca do relato da realidade palpável.

Ao tomar o Amapá como tema de meu texto, o objetivo não era denegrir o Estado e sim ironizar, a partir dele, mazelas que são de todos nós brasileiros, do Rio Grande do Sul ao Amazonas, do Ceará ao Acre, de São Paulo a Goiás. Quando digo que os escândalos políticos não existem no Amapá, estou salientando exatamente o contrário, que eles existem em toda parte, indiscriminadamente, tanto que cito um político que tem se envolvido em vários deles nos últimos tempos. Quando falo da goleada do Goiás sobre o São José, estou, na verdade, pegando no pé do time goiano, que tem dificuldade em vencer seus adversários regionais, numa provocação caseira.

Quando se publica um texto, a reação do leitor é legítima, desde que dentro dos parâmetros mínimos de civilidade. Entre os muitos comentários recebidos, vários são críticas pertinentes, que precisam ser levadas em conta. Aqui faço um mea culpa por ter, mesmo que involuntariamente, atingido a identidade de cidadãos amapaenses e agradeço as mensagens que ressaltam o erro cometido, pelo qual peço desculpas. Mesmo o gênero crônica, como muitos disseram, não permite excessos e me penitencio por aqueles que tenha cometido.

Há, porém, mensagens – infelizmente em maior número –, que partiram para ataques pessoais, desqualificando a mim e a meu trabalho de forma chula e irresponsável. Entre essas manifestações de desequilíbrio, algumas mencionam até ameaças físicas. Lamento profundamente que tanta gente só encontre o xingamento como o melhor argumento para defender sua terra. Em redes sociais, comentários deram lugar à incitação ao ódio, o que é lamentável, muito mais que qualquer crônica equivocada.
Entendo que a difusão do texto no Amapá como foi feita, sem a devida contextualização, de forma sensacionalista, por meio de um recorte de jornal escaneado que retira todo o contexto da publicação original do texto – que é impresso na página do horóscopo e dos quadrinhos, mostrando seu viés literário – tenha contribuído para a percepção de que se tratava de uma agressão gratuita. Na internet, as pessoas se sentem mais corajosas para ameaçar e ofender. Em muitos dos recados deixados, os autores até admitem que estão escrevendo por comentários ouvidos e não pela leitura do texto em si.

Àqueles que criticaram o texto, agradeço. Àqueles que se sentiram ofendidos pela crônica, peço desculpas. Àqueles que me endereçaram ofensas, não tenho nada a dizer.

P.S.: Este é um artigo de opinião e não uma crônica. Portanto, não há nada fictício aqui.

Uma versão deste artigo será publicada no jornal O Popular

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Comentários

3 comentários para “Jornalista faz “mea culpa” e pede desculpas por ter “atingido a identidade de cidadãos amapaenses””

  1. Entendo que o senhor Rogério já deu um grande passo, ao reconhecer seu erro e pedir desculpas. Mas entendo que não é suficiente. Um pedido de desculpas é um gesto que só demonstra a grandeza daquele que o pratica. Mas, para isso, é necessário que a humildade implícita ao gesto seja proporcional à arrogância contida na ofensa, e isso não se observa em seu mea culpa. Na verdade, não se trata de um pedido de desculpas, mas simplesmente de uma tentativa fracassada de justificar o injustificável: a ofensa gratuita contra um povo que habita e constrói o Estado do Amapá. Primeiro é descabida a assertiva de que, por se tratar de uma crônica, portanto de conteúdo ficional, fique justificado o teor do texto publicado. O texto aponta fatos e locais concretos, ridicularizando-os sem qualquer contextualização. Isso não é ironia, é deboche puro. Ridiculariza a equipe do São José em função da goleada sofrida contra o Goiás, esquecendo-se que muitos grandes clubes, inclusive detentores de título do campeonato brasileiro, sofreram revezes ainda maiores. Afirma desconhecer qualqer produto de exportação do Amapá. Vale lembrá-lo que o açaí, que invadiu a mesa de brasileiros, europeus e americanos, é exportado pelo Amapá, assim como foi o manganês extraído da Serra do Navio que financiou, durante mais de 40 anos, o progresso do Centro-Sul do País, inclusive Goiás. Se o Rio Grande Do Sul tem o Inter de Porto Alegre, Getúlio Vargas e Felipão, o Amapá tem o brilho de fogo (colibri só encontrado aqui e considerado um dos mais belos do mundo), Veiga Cabral (herói que lutou e preservou a integridade da fronteira Norte do Brasil contra a sanha dos franceses) e Osmar Júnior (um dos maiores poetas já musicados no Brasil, comparável a Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Raneto Russo e Cazuza). Também temos intérpretes como Amadeu Cavalcante, Zé Miguel e Patrícia Bastos, cuja voz melodiosa em nada se compara aos trinados esganiçados de várias duplas c=sertanejas oriundas de seu Estado. Mas essa é a minha opinião, e respeito o gosto daqueles que apreciam o gênero. Aliás, é essa diversidade de culturas, costumes, hábitos, gostos e de traços, alinhavada pelo sentimento de brasilidade, que torna o povo brasileiro único no mundo. E isso aprendi de há meuito, por ser “carioca da gema do ovo” como diz a canção infantil, nascido no Méier, na Cidade Maravilhosa, mas já tenso sido comedor de piqui, quando morei, durante minha infância, morei em Goiânia, período do qual trago gratas recordações, e também papa-pinhão, nos 20 anos em que morei em Curitiba. Se hoje me considero amapaense, não é por por nascimento ou por herança genética, mas por opção, deslumbrado que fiquei quando tive a oportunidade de conhecer Macapá, ainda em 1992. Firmo a convicção de que o senhor não deveria desperdiçar uma oportunidade dessas, e, por isso, o convido a vir conhecer o Amapá. E não tenha receio: posso lhe garantir que será muito bem acolhido, como eu fui, por esse povo hospitaleiro e generoso, que a todos recebe de braos e coração abertos. Por fim, pediria que me enviasse o seu endereço, residencial ou profissional. Calma! Isso não é uma ameaça velada. Apenas quero lhe enviar uma amostra da produção musical amapaense. E tenho certeza que, depois que ouvir e assistir aos CD e DVD que lhe enviarei, se o fizer de coração aberto e desprovido dos dos sentimentos xenófobos presentes em seu texto, o senhor não so mudará a sua opinião sobre o Amapá, como certamente desejará intensimente conhecer o povo capaz de produzir obras de arte desse quilate. Tenha a certeza que, apesar de indignado com as ofensas desferidas e a superficialidade da retratação, não ntro pelo senhor qualquer sentimento de ódio ou rancor. O máximo que posso sentir é uma imensa piedade, não pela sua ignorância, no sentido estrito da palavra, manifestada no texto inicial. Mas pela sua completa incapacidade de reconhecer seus erros e com eles aprender, tirando as lições necessárias para crescer e melhorar, não como jornalista, mas como ser humano.
    Receba minhas fraternas saudações. Fraternas, sim, pois, independente de nossas diferenças, de sermos cariocas, paranaenses, goianos ou amapaenses, somos todos irmãos em nossa brasilidade.

    Escrito por Luiz Eduardo Pena Gonçalves | 17/04/2010, 10:53
  2. Diante de nossa revolta agora Rogerio Borges vai saber que o Amapá existe. lamento sua total desinformação como jornalista,são esses profisionais que derrubam a classe. Nunca li tanto absurdo sobre o nosso Estado. Concordo com tudo o que o Sr Luiz E.P. Gonçalves escreveu, vale lembrar também que a Fortaleza de São José foi escolhida como uma das setes maravilhas do Brasil, o nosso Estado é um dos Estados mais bem preservado do pais.
    Ele tem toda razão quando diz que não pode ter preconceito de algo que não conhece, portanto, ele deveria ter ficado calado, demonstrando a sua total desinformação sobre o nosso Estado. Temos problemas politicos sim, mais que bom que o estado não é visto no Brasil com escandalos politicos.

    Escrito por Carla Patricia dias de Oliveira | 22/04/2010, 14:27
  3. SENHOR ROGRIO BORGES, COM MUITA ALEGRIA DIGO A VOCE QUE O ESTADO DO AMAPÁ É UMA MÃE, ACOLHE PESSOAS DE OUTROS ESTADOS, COMO SEUS COMPATRIOTAS QUE AQUI HABITAM. E TEM MAIS, VOCÊ É UMA VERGONHA PARA A EDUCAÇÃO DO ESTADO DE GOIAS. LEIA MAIS LIVROS DIDÁTICOS.

    Escrito por CYDILENA MARTINS | 12/05/2010, 23:22

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