Jamais imaginei, apos trinta anos de vida Pública, viver uma situação política como a em que me encontro. A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias que formalizam as
candidaturas às eleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meu partido- o Partido Socialista Brasileiro.
A se dar crédito às pesquisas eleitorais, eu estaria falando por algo ao redor de 15 milhões de brasileiros, apesar de não dispor de nenhuma máquina como as portentosas estruturas do governo federal ou do
governo de São Paulo ou de, notoriamente, não ser o mais querido da nossa grande mídia ou de nosso baronato. É muita coisa. É coisa mais que suficiente para irrigar em meu coração um profundo sentimento
de gratidão e, mais que isso, um grave sentido de responsabilidade para com nossa Nação. Modesto, mas real e grave! A se seguir pelo conselho pragmático que avilta a política brasileira, é
óbvio que o partido só tem a ganhar apresentando uma candidatura. Os partidos que disputaram, cresceram. Os que não disputaram definharam. Merecidamente, diga-se de passagem.
A se por um olho minimamente sério sobre a realidade brasileira
presente, mais óbvio e moralmente mais importante ainda é a tarefa
de apresentar uma candidatura à presidência!
É fato notório o mal que faz ao Brasil esta polarização amesquinhada,
porém mutuamente conveniente, entre o PT e o PSDB. É a imposição
ao Brasil ,por um preço cada vez mais impagável, da briga
provinciana dos políticos de São Paulo. Lá eles são iguais,
especialmente nos defeitos. Isto definitivamente não é verdade no
Brasil!
Esta disputa pelo mero mando propiciado pelo poder, ou, pior, por
seu aparelhamento patrimonialista e corrupto só garante uma coisa:
o Brasil não muda na sua essência de mais desigual entre todos os
países do mundo organizado! Claro que com Lula a coisa tem
melhorado…Com os neoliberais acanhados do PSDB, a coisa vinha
piorando…
A democracia brasileira, jovem e imperfeita como ainda é, agüenta
que, ao invés de uma ampla opção arbitrada pelo povo, o jogo do
poder seja decidido em gabinetes de Brasília onde a linguagem é um
misto de pressões e trocas? Lembremo-nos de que, por regra, as
burocracias partidárias se eternizam, o que quer dizer que basta a
ação de pressão e/ou ofertas fisiológicas sobre uma mera meia dúzia
de pessoas. Assim mesmo: sobre SEIS pessoas fechadas e isoladas em
gabinetes de Brasília ou de São Paulo pode-se hoje definir as opções
TODAS a serem “escolhidas” pelo povo nas eleições. Isto não é,
infelizmente uma hipótese. É o que está acontecendo no Brasil aqui e
agora. Omitir-se sobre isto é criminoso!
O sistema eleitoral prevê dois turnos por respeitar a realidade do
Pais. Uma federação cheia de maravilhosas contradições! Uma
realidade de grande fragmentação partidária, parte por seqüelas de
uma ordem política viciada, parte, entretanto, por expressão de
muitas realidades que pedem muitos olhares sobre a vida dura de
nossas maiorias. As alianças se impõem e são naturais no segundo
turno.
A quem interessa tirar do povo as opções que no passado recente
permitiram a um sindicalista chegar à presidência? A história
acabou? Não há mais o que criticar ou discutir? Oito de Lula, quatro
de Dilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir pro
futuro de nosso Pais? A única alternativa é voltar a turma da
privataria como diz o Elio Gaspari ? E estas transas tenebrosas de PT
com PMDB é o melhor que nossa política pode oferecer como
exemplo de prática aos nossos jovens?
O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão
de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai se decidir isto
agora.
Eu cumprirei com disciplina e respeito democrático o que decidir
meu Partido. Respeito suas lideranças. Mas, tenham meus
companheiros clareza: eu não desisto! Considero meu dever com o
Brasil, lutar até o fim. Se for derrotado, respeito. Mas amanhã algum
brasileiro mais atento dirá que alguns não se omitiram quando se
quis tirar o povo da jogada.
Ciro Gomes
APÓIO IRRESTRITAMENTE CIRO GOMES. JÁ ESTAVA DISPOSTO A VOTAR NELE NESSAS ELEIÇOES. PENA SE CERCEADO DENTRO DE SEU PARTIDO, O PSB NACIONAL.