A preocupação da Igreja Católica com a situação do Estado e a ineficiência do governo no atendimento das necessidades da população amapaense não é de agora, como pode pensar algum desavisado.
No dia 4 de fevereiro de 2008, o sermão da missa solene dos 250 anos da cidade de Macapá foi pra lá de animado. As autoridades que estavam na Igreja tiveram que ouvir de corpo presente as queixas de Dom Pedro Conti encarnando o sofrimento da população mal atendida nas áreas de saúde, educação e segurança pública. Chegou a questionar a aplicação dos recursos públicos – “Muito dinheiro, pouca obra!” – lembro bem. Sobrou para o povo também, quando disse que os eleitores precisavam acompanhar o trabalho do seus representantes.
Com o agravamento de outros problemas – violência urbana, corrupção, fraude eleitoral e impunidade, parece natural que tal inquietação acabasse desembocado na Carta do Conselho
Diocesano na defesa da sociedade amapaense, que não é tardia coisa nenhuma, mas resultado do amadurecimento de uma decisão coerente com a história da igreja no mundo
e sua opção pelos pobres, pelos excluídos, pelos que não têm plano médico, pelos que têm fome e sede de justiça.
E não adianta especular por que a condução da Igreja Católica sob inspiração do seu líder, Dom Pedro Conti, tem sido de equidistância dos pleitos eleitorais, das disputas, das ambições que vêm permeando a luta pelo poder no Amapá, o que não tem acontecido
com outras igrejas – não todas – que transformaram os púlpitos em palanques eleitorais. E são parte de esquema de poder que se sustenta de parcerias como da imprensa tucuju e os seus canhões [rádio, jornal e televisão] apontados contra a qualquer iniciativa que ameace o acordão das elites inventada no Governo Waldez Goés. A igreja Católica, portanto, tem tradição de defesa do cidadão prejudicado no seu direito de viver numa sociedade mais justa.
Dom Aristides Piróvano enfrentou o golpe militar de 64 que queria impedir o povo de ser informado do que se passava no Território Federal do Amapá; pediu para ser preso no lugar do editor de A Voz Católica, padre e jornalista Jorge Basile, o que não foi necessário porque os gorilões da Revolução recuaram diante da ira santa do primeiro Bispo Prelado de Macapá.
Dom Pedro é um homem bem informado, tem o apoio da sociedade, Deus o abençoa nessa travessia tormentosa. Ele e a igreja não pertencem a nenhum partido político, ele e a igreja estão ao lado dos mais humildes, dos que sofrem na carne os problemas gerados pelos desgovernos, o que nos lembra o drama do garoto Danilo e as mortes dos bebês da Maternidade Mãe Luzia. É por eles e outros que dobram os sinos da Catedral…
Artigo apropriado em tempos de tanta safadeza de quem deveria promover o bem estar social do povo, representantes das instituições públicas que, em nome de seus interesses mais mesquinhos e estúpidos, preferem através da corrupção enriquecer seus negócios.
Bem analisado caro João Silva. Não se pode mais conviver com tantos desmandos. Brasília é fichinha perto do que ocorre no Amapá. E as instituições que se aam sérias o que estão fazendo. Pastores apoiando a corrupção. O Judiciário todo enlodado, dizendo amém e assinando em baixo de mar de corrupção. Só nos resta a Igreja Católica para iniciar uma luta sadia de conscientização popular.
Apesar de não ser Católica, mas parabéns ao Bispo e a CNBB.