Costumo freqüentar o Bar do Abreu – único bar do mundo, onde os clientes se sentam por trás do balcão, enquanto são servidos pelas garçonetes do lado oposto, sem que se distingam clientes de funcionários.
Essa inversão de atendimento que resultaria num serviço atabalhoado, absurdamente funciona. É como numa operação aritmética em que a ordem dos fatores não altera o produto. Ou num jogo de xadrez, em que o tabuleiro é branco com casas pretas, ou vice-versa.
Em conversa visceralmente íntima com os meus botões, marquei um encontro com uma divindade mitológica no Bar do Abreu para fazer-lhe algumas perguntas. Por que no Abreu? Ora, considero aquele local uma espécie de Oráculo de Delfos, freqüentado por gregos e troianos.
Num local onde as mais diversas ideologias se misturam numa suruba antropofágica, numa orgia canibal e futebolística, nada melhor que recorrer ao oráculo para obter dos deuses a verdade nua e crua.
Devo dizer que só fui falar aos quatro anos de idade por conta de improficiência auditiva, e que até hoje me dificulta ao ouvir com clareza. Então é natural que num local de burburinhos eu não escute direito meu interlocutor.
Por conta disso pedia a todo o instante ao meu entrevistado que repetisse a resposta. E num dado momento ele não se conteve, e tét-a-tét – com o olhar mundiado de Sarney – indagou: “Eu estou falando grego?”
Eis o que resultou de minha breve entrevista:
Se juntar os Roberto Gato e Góes, DaLua, Vicente Cruz e Carumbé na mesma tribo?…
Oráculo: Rum!, num vai ficar oca sobre oca, cara-pálida…
Se puser o Panã e o Melo de testa?
Oráculo: Convém esconder a chave, o Ministério da Saúde adverte…
No paredão do BBB entre Carlos Lobato e Hélio Nogueira, quem sai da casa?
Oráculo: Paulo Silva.
Jornal chapa-branca estampou foto do Waldez com a legenda: “bandido perigoso procurado”.
Oráculo: Gafes acontecem até mesmo no lar das melhores famílias de Londres…
Informativo oficial do Governo postou falsa notícia que o Governador Waldez havia morrido.
Oráculo: Primeiro “procurado”, depois “morto”. Mui amigo!…
O Joãozinho Gomes é afinado ou desafinado?
Oráculo: É fanho.
O Gilvan se reelege?
Oráculo: Primeiramente ele deveria ser eleito…
Por que o autor do livro Equino-Cio, Fernando Canto, não bebe Skol?
Oráculo: Porque desce redondo?… Trocadilho tão ridículo como o título do livro.
Você acredita no assalto à Amcap?
Oráculo: É melhor consultar os búzios.
Se você não fosse oráculo, você queria ser quem?
Oráculo: Eike Batista.
Entre Jorge Amanajás e Pedro Paulo, pro Waldez qual o melhor critério de escolha?
Oráculo: Na porrinha; e não vale lona na saída.
Se o Randolf Rodrigues é canhoto, como pôde prestar exame do vestibular pra Direito?
Oráculo: De novo!, outro trocadilho sinistro. Vai ver ele se encheu de ser gauche na vida…
Numa queda-de-braço entre Super-Homem e Sarney, em quem você aposta?
Oráculo: Se é no Senado, eu aposto que o perdedor vai usar cueca por cima da calça…
E o PP do PP?
Oráculo: Eu falo grego, não falo a língua do pê…
Pra onde vai o dinheiro público?
Oráculo: Como assim, Bial?
Em direção ao nascente – copiou? –, aonde vai dar a Avenida FAB?
Oráculo: Ah!, sim: na Suíça…
P.S.: Devo inclusive dizer que o filósofo Aristóteles só foi falar aos oito anos de idade…
Eike Batista? Jura?!
De que adiantaria ser milionário, se quem pega a mulher do cara é o bombeiro de 700 reais mensais?
A mulher que você fala era a rainha da bateria, a que usava no desfile de carnaval coleira cravada de diamantes? Bobagem. O todo poderoso imperador Calígula obrigava a sua mulher usar cinto de castidade de ouro maciço. Quem pegava, às esconsas, a mulher do Imperador era um gladiador eunuco. Como você vê, chifre independe de dinheiro e de poder. E qual a diferença que há entre um gladiador eunuco e um bombeiro de 700 reais mensais? Quando disse que gostaria de ser Eike Batista, não foi por causa de sua mixaria de 29 bilhões de dólares. É que descobri que o magnata é botafoguense, e ser feliz nem precisa de muitas coisas…
Genial!!!
Estamos na mesma linha: De que adianta ser imperador, se é o gladiador quem faz a festa em casa? O mesmo raciocínio vale pro Eike.
Botafoguense por botafoguense, seria melhor se identificar com o… o… Bem, não há muitos mesmo… Pode ficar com o Eike…
Ainda na mesma linha: o Yashá prefere mil vezes (licença poética, semelhante a que ele se utilizou para iniciar com maiúscula a frase depois de dois pontos) ser o bombeiro dos 700 reais mensais; como também prefere ser o gladiador eunuco. O Yashá é mesmo um adúltero mesquinho. Ora, se o sujeito já está no inferno, o que falta pra beijar o capeta na boca? Perguntei pro oráculo, quais as três melhores coisas do mundo, e ele respondeu de chofre: dinheiro, mulher e bicho-de-pé. Bicho-de-pé? – estranhei. E ele: de que adianta ter o dinheiro do Eike; ter a gostosa da Luma; e não ter o bicho de pé?…
Botafoguense? Vou citar um, dos que couberam na Kômbi: Armando Nogueira. O poeta dedicou uma belíssima crônica poética ao Zico, jogador do – com licença da palavra – Flamengo. Por conta disso, perguntaram ao Armando se ele era flamenguista. Ao que ele respondeu: Santo Deus! Gente, eu sou alfabetizado…
Armando Nogueira é ídolo!