Quando cidadãos e cidadãs de uma determinada cidade dá um adjetivo de princesinha a essa cidade, pressupõe-se que a mesma esteja em um patamar de desenvolvimento que pode causar inveja a outras cidades, pressupõe-se que, principalmente o desenvolvimento humano dessa cidade esteja além do normal, que todos os serviços essenciais à população, funcionem a contento, satisfazendo as necessidades dessa população, que todos os equipamentos a serviço da comunidade dessa cidade, estejam realmente a serviço da população, que saúde, educação, saneamento básico, segurança, trânsito, moradia, emprego, limpeza pública, acessibilidade, cidade não poluidora, transportes urbanos, lazer, inclusão social, que tudo isso esteja de pleno acordo com as expectativas da comunidade dessa cidade, com um adendo, que tudo isso esteja sendo estendido a toda a população que mora ali, desde a frente dessa cidade até a sua “periferia”, ai sim, todos incluídos nessa felicidade, então merecedora é a cidade ser chamada de Princesinha do Amazonas.
Infelizmente Macapá ainda não se enquadra nos exemplos daquela cidade, a começar que Macapá sem ter culpa de não ter uma rede de esgoto sanitário, joga toneladas de dejetos no Rio Amazonas e milhares de pessoas convivem com valas a céu aberto em todos os lugares da cidade, que Macapá sem ter culpa de não ter uma política de moradia popular, faz com que milhares de seus munícipes vivam em cima da água, andando em passarelas, que Macapá sem ter culpa de não saber cuidar de seus bebês, os deixa morrer todos os dias, que Macapá sem ter culpa de ter um trânsito violento, mata centenas de pessoas todos os anos, que Macapá sem ter culpa de não ter uma política de distribuição de água para a população, deixa centenas de famílias sem o vital líquido em todos os bairros que formam a cidade, que Macapá sem ter culpa de não ter uma política efetiva na luta contra as desigualdades sociais, deixa a míngua centenas de famílias nos bairros mais distantes da cidade, que Macapá sem ter uma política eficaz na proteção das suas crianças, deixa que essas fiquem jogadas pelos quatro cantos da cidade, abandonadas, desprezadas, esquecidas e vulneráveis a toda sorte de infelicidade que estão a lhes espreitar, sendo assim, é de uma insensatez muito grande um cidadão que mora em Macapá chamá-la de Princesinha do Amazonas, talvez o fazendo por deboche ou por só querer enxergar o belo, porque o feio não lhe convém enxergar, talvez por querer enxergar e fazer parte só da frente da cidade, mascarada com a imagem de uma cidade onde seus cidadãos e cidadãs vivem em um rio de maravilhas, onde corre peixe e camarão em abundância, onde as músicas dos quiosques abastados cheguem aos casebres alagados, uma máscara onde a limpeza, as lixeiras, os garis, a atenção do poder público que estão na frente da cidade, se faz presente também aonde os que nem conhecem quiosques, moram. É preciso salientar que a frente da cidade não é a cidade de Macapá, que a cidade de Macapá também são as áreas de ressaca, são as áreas onde não tem água, não tem energia, não tem escola, não tem comida, onde não tem saúde, não tem asfalto, não tem ônibus, onde não tem dignidade no sobreviver, isso também é Macapá, e ai Macapá deixa muito a desejar, e ai Macapá sem ter culpa, está a chamar a todos, a todos que vivem nela, ao poder público, que veja a todos indistintamente, para que juntos possam, com muito trabalho, ter um objetivo que não seja só o de formar frases de amor a Macapá, mas que com esse trabalho, verdadeiros cidadão e cidadãs dessa cidade, procurem a felicidade de Macapá, de seu povo, e ai com a permissão do Rio Amazonas, poder chamá-la um dia, com muito orgulho de Macapá, a Rainha do Amazonas.
Professor Alcides de Oliveira
alcides.oliveira2005@ig.com.br
Excelente a percepção e a sensatez do seu texto professor, contudo, infelizmente nossos questionamentos sobre as atuais administrações pública do Estado e da Prefeitura( Capital), não tem o alcance desejado por nós homens e mulheres com senso crítico apurado, isso ocorre devido aos meios de comunicações do Amapá estarem em sua maioria atrelados e depentes do grupo da Harmonia, grupo esse que usurpa e destrói os sonhos e anseios de nosso povo, os meios de comunicação de maior alcance colocam seus intelectuais “orgânicos” para trabalharem a serviço dos interesses desse grupo harmônico, pois o objetivo deles é perpetuarem-se no poder, além é claro de não permitir que alguém que pensa e pretende agir de forma diferente da deles jamais chegue ao executivo estadual ou municipal. Eles são os donos do discurso, os senhores da razão, são competentíssimos na arte de trabalhar encima da ignorância do nosso povo, povo esse tão sofrido e esquecido por eles próprio.