Em cartaz: Pluft, o fantasminha (Direção Álvaro Braga;
e Suruba antropofágica (Direção Herbert Emanuel)
O sujeito só pensava em sexo. Vai ao psicanalista pra análise. No divã, o médico propõe-lhe uma sabatina. Seguinte: eu digo uma palavra, e você diz outra palavra correspondente, que tem sentido análogo. Exemplo: mesa=cadeira; casa=jardim; xícara=pires; céu=estrelas, e assim por diante. Ok?
Médico: nuvem; Paciente: 69; Médico: paralelepípedo; Paciente: suruba; Médico: cibernética; Paciente: boquete; Médico: aritmética; Paciente: D4… O médico desiste, e diz: Basta! Você só pensa em sexo, seu tarado? O paciente retruca: mas, doutor, quer que eu responda o quê? Se o senhor fica me excitando com essas palavrinhas libidinosas? Pô!, sacanagem…
Depois sou eu que penso besteira. Veja os convites: Pluft, o fantasminha (Vamos comer teatro!); e Oswald de Andrade (Suruba antropofágica!). Dois convites sedutores. Um lúdico, outro perversivo.
Indicaram-me pra fazer o papel do pirata da perna de pau do “Fantasminha”; e eu indiquei o Álvaro pra fazer o papel do soldado eunuco do harém da “Suruba”. Fomos dispensados. Precisam de atores, não de dublês…
Agora, falando sério: “Pluft, o fantasminha”, é uma peça infanto-juvenil genial de Maria Clara Machado, dirigida pelo Álvaro Braga (garoto-propaganda da Domestilar), ator admirável e competente, que rala num território pouco reconhecido, e ingrato. E ainda tem gente que tripudia, com frases irônicas em camisas do tipo que vão acima.
Quero me redimir. Vou assistir à peça, e levar minha filha caçula, prometo. E aproveito pra sugerir aos marmanjos a levarem seus filhos ao Sesc-Araxá, pra prestigiar o espetáculo. Boca de forno – forno! Aonde eu mandar – vou! E se não for? Apanha um bolo…
“Suruba Antropofágica”, orgia que comemora os 120 anos do nascimento (11-01-1890) do escritor Oswald de Andrade. O poeta Herbert sabe bolinar com essas coisas, reúne conhecimento de literatura, e é fascinado pelo Modernismo – manifestações políticas, culturais e sociais, em que Oswald não só produziu como viveu sua essência (como Sócrates, em filosofia), que foi o estádio mais criativo e factual de todos os movimentos das escolas literárias.
“Suruba…” sugere a miscigenação do canibalismo, no qual o apetite não obedece às formalidades dos talheres, pode-se comer com as mãos. Pelo visto, “Suruba…” não pretende instituir regras, e quem não estiver gostando pode vestir a roupa e ir embora…
Minha expectativa é de ver duas criaturas magníficas: Adriana e Andréia. A performance dessas atrizes me deixa de queixo caído, e me levanta… o astral. Eu babo, baby! Quem será a Patrícia Galvão, e quem será a Tarsila do Amaral? Só espero que não seja o Herbert o Oswald de Andrade. Protesto! Vai querer estragar a festa com sanduíche que trouxe de casa?
Esse pessoal às vezes exagera na autenticidade do espetáculo. Olha o endereço escolhido pra apresentação: Av. Procópio Rola. Eu, heim, rosa!… Convém não levar seus avôs, pois eles não vão entender patavina.
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