Maria do Socorro Pelas Damasceno fez um discurso emocionado, onde lembrou o início da luta para o reconhecimento do problema do escalpelamento, ela disse que viveu durante muito tempo sentindo preconceito contra si própria “Essa pessoa que está aqui hoje não existia disse Pelaes, “o preconceito que eu tinha comigo mesma era maior do que a vontade que eu tinha de estar aqui na frente”, contou a presidente da Associação das mulheres ribeirinhas vitimas de escalpelamento, falando que teve que vencer muitas barreiras para conseguir falar em público. Tereza Duarte dos Santos, que é vitima de escalpelamento, leu uma carta de mulheres ribeirinhas para a sociedade brasileira. Ela explicou que para a família ribeirinha, o sonho de comprar um barco a motor é equivalente ao sonho da classe média brasileira de comprar uma moto ou um carro. Ela conta que o motor utilizado acumula água no barco e são geralmente as crianças que fazem a retirada da água, “que ao se abaixarem para retirar a água muitas vezes têm seus cabelos presos no eixo e em fração de segundos se concretiza o acidente trágico evidenciado pela prisão dilacerante da pele, carne, nervos, vasos sanguíneos e o couro cabeludo; o escalpelamento, seguem-se gritos e o sangue quente, pesadelo macabro que lhes acompanhará pelo resto da vida: as dores físicas, a deformidade, o medo do espelho e a pior de todas, a discriminação”.
A governadora do Estado do Pará, Ana Julia Carepa, apontou para o problema da precariedade com que os barcos que navegam na Amazônia são construídos, ela disse que o governo do Pará vai oferecer isenção de ICMS às empresas que desenvolverem e produzirem embarcações seguras, “porque nós só vamos resolver quando nós tivermos outros barcos pra essa população”, disse a governadora.
Para a deputada Janete o evento foi importante para marcar o cumprimento da Lei de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, “meu carinho especial às mulheres vitimas de escalpelamento, que agora têm uma lei específica para sua proteção e prevenção contra esse tipo de acidente tão grave e podem contar com o amparo de uma rede de instituições públicas para fazer valer a Lei e para dar-lhes suporte”, pondera a deputada.
Estiveram presentes ao evento a Ministra de Mulheres do governo federal Nilcéia Freire, a governadora do Pará Ana Julia Carepa, Abdias José de Souza Junior(presidente do Banco da Amazônia), Maria do Socorro Pelaes Damasceno(presidente da Associação das mulheres ribeirinhas vitimas de escalpelamento), José Afonso Plácido(Defensor Geral da União) e o Almirante Rodrigo da marinha Brasileira.
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