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Carnaval 2010

Maria Sambista personagem viva do carnaval

Por Gilvana Santos

Claudionor, Maria Sambista, Fifita e o presidente Egídio
Claudionor, Maria Sambista, Fifita e o presidente Egídio

Ela fez história no carnaval amapaense sempre defendendo sua escola do coração, Maracatu da Favela. Foi coroada Rainha das Sambistas, ganhadora por três anos consecutivos dos concursos realizados na Batalhas de Confetes e pentacampeã em desfiles oficiais com o titulo de Melhor Sambista do Amapá. Maria Gonçalves da Silva, a Maria Sambista, é a ilustre personagem da verde e rosa que conta um pouco da sua história que se confunde com a do carnaval tucuju.

Ela relembra os tempos áureos em que brilhava no carnaval das Batalhas de Confetes do Barão, da Casa Estrela e do Barrigudo. “A gente saia pela manhã para apresentação na Vila Amazonas, em Santana, e depois a gente vinha para Macapá para competir nas Batalhas de Confete e era tudo andando, ninguém ficava parado”, conta saudosa, criticando a pouca movimentação dos ensaios de hoje.

Relembra ainda da rivalidade entre Maracatu e Boêmios do Laguinho. Segundo conta, Boêmios mandou buscar uma moça em Belém para disputar com ela no quesito em que era imbatível o de Sambista. Foi derrotada por três anos consecutivos. “O Dr. Dalton Lima mandou fazer a faixa de bi-campeã e no ano seguinte a de tricampeã, então ela soube e mandou me avisar que se eu usasse a faixa ela iria me matar”, conta enfatizando que só não morreu pelo Maracatu porque seu irmão que era ritmista da escola viu a faca puxada pela rival e a desarmou com um chute.

Maria Sambista exibe jornal com matéria da sua história
Maria Sambista exibe jornal com matéria da sua história

Maria começou a desfilar pelo Maracatu aos 15 anos. Ela não lembra desde quando, nem por quanto tempo desfilou como sambista, mas se gaba de nunca ter perdido uma disputa na década de 70. De acordo com suas lembranças, os desfiles em Macapá estavam apenas começando, então era uma única sambista, assim como uma única baiana, que era sua companheira Mendes. “Três dias antes do desfile a Tia Gertrudes prendia a gente na casa dela e só soltava no dia de desfilar, quando logo cedo pela manhã dava um remédio que fazia passar todas as dores do corpo”, contou se referindo ao confinamento que eram obrigadas a passar para recuperar as forças gastas nas Batalhas de Confetes, quando ficavam doloridas pelo esforço físico desprendido nas disputas.

Hoje ela é Dona Maria, que aos 64 anos conta o tempo para sua aposentadoria, por apresentar problemas de saúde que lhe impedem de continuar preparando os salgados que lhe garantiram o sustento desde os tempos áureos do carnaval. Ela diz que finalmente uma diretoria da sua escola reconhece sua importância e a tem convidado para os eventos. Garante estar presente hoje (28) à noite na festa de aniversário da escola, mas quanto a desfilar pela Velha Guarda do Maracatu ainda não decidiu. D. Maria desfilou ano passado, mas em alegoria que não lhe causa tanto cansaço, justificou.

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