A verba da Petrobrás fora transferida para a Fundação Sarney em 2005. A Petrobrás repassou o dinheiro pela Lei Rouanet, que garante incentivos fiscais a empresas que investem em projetos culturais. A reportagem do Estado revelou que, do R$ 1,3 milhão repassado, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviços com endereços fictícios e até em uma conta paralela que nada tem que ver com o projeto. Parte do dinheiro foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney. Durante a tramitação do processo de captação de recursos incentivados, o senador José Sarney enviou um bilhete ao então secretário-geral e hoje ministro da Pasta da Cultura, Juca Ferreira, pedindo que o patrocínio fosse “agilizado”. Em São Luiz, a reportagem comprovou que o projeto não saiu do papel.
Os auditores da CGU também estiveram na capital maranhense e constataram que a Fundação José Sarney apresentou, em sua prestação de contas, notas fiscais de empresas com endereços falsos. É o caso, por exemplo, do Centro de Excelência Humana Shalom, que supostamente deveria prestar serviços de consultoria à Fundação. O Estado já havia informado, e a CGU comprovou, que tal empresa não existe. “Não foi localizada nem no endereço indicado em suas notas fiscais nem no endereço declarado à Receita Federal”, relataram os auditores. Eles encontraram, no entanto, os supostos donos da empresa, mas “o sócio se mostrou evasivo quando solicitado a especificar os trabalhos por ele desenvolvidos”. A mesma empresa aparece na relação de contratadas que, segundo a Controladoria, “não executaram serviços” de digitalização do acervo do museu da Fundação ? que tem o senador maranhense pelo Amapá como seu presidente vitalício. As fraudes eram grosseiras, como esta descrita pelos auditores: “Cinco notas fiscais possuem frequência cronológica de emissão incompatível com sua sequência numérica.”
Os auditores também encontraram irregularidades na contratação da MC Consultoria ? outra empresa com endereço fictício ? e da Ação Livros e Eventos. A Controladoria requer a devolução do dinheiro pago a essas empresas, por serviços que elas não prestaram. Além disso, de acordo com o demonstrativo de execução de serviços e comprovantes de notas fiscais apresentados ao Ministério da Cultura, a Controladoria-Geral da União descobriu que a Fundação José Sarney teria sonegado R$ 79 mil em notas fiscais; que usara R$ 129 mil, destinados ao projeto, para a manutenção da própria entidade ? R$ 102 mil gastos em energia elétrica, R$ 15 mil em alimentação e R$ 11 mil em impostos ?; que parte do dinheiro da Petrobrás foi usada para contratar empresas de funcionários da própria Fundação.
Recorde-se que o presidente do Senado anunciou, em novembro, a decisão de fechar a Fundação José Sarney, alegando que não havia mais condições para mantê-la funcionando. Não fechou. As irregularidades praticadas na entidade motivaram pedido de abertura de processo no Conselho de Ética no Senado contra o senador pelo Amapá, mas seus aliados arquivaram a representação, sob a alegação de que a reportagem do Estado não poderia ser usada como prova e a CGU ainda auditava as contas do projeto patrocinado pela Petrobrás. Agora, as fraudes estão oficialmente confirmadas.
Sarney já provou que nada tem a ver com a fundação! mais uma mentira publicada pra tentar derrubá-lo! que sem noção…