Certo dia um digníssimo cidadão amapaense foi aclamado e coroado rei, com toda a pompa que uma cerimônia de coroação que um rei merece, com milhares de súditos presentes, aclamando sua majestade, com representantes da comunidade civil coroando com uma coroa preciosa e cobiçada, com um trono apropriado e digno de verdadeiro rei, com as chaves da cidade sendo entregue pelo senhor prefeito a sua majestade hora coroada, instituindo-se assim um reinado de paz, prosperidade, alegria, muito samba e muito carnaval, pois o Rei Momo Sucuriju iniciava ali o seu reinado, com muita simpatia, demonstrando muita alegria, atendendo todos os seus súditos com muita atenção, ditando assim as ordens para se fazer alegria em todos os carnavais, com muita ordem, com muita segurança, com muito respeito, com muita dedicação aos atos carnavalescos, procurando representar o carnaval da cidade de Macapá com muita responsabilidade, dedicação e amor a cidade da qual era a majestade suprema no carnaval amapaense.
A perpetuação desse reinado era indiscutível, porquanto nunca se poderia tirar o trono, o cetro e a coroa do Rei Momo Sucuriju, porque institucionalmente enquanto vivesse, seu reinado viveria, pois coroado foi, enquanto vivesse, seus súditos o acompanhariam, pois coroado foi, enquanto vivesse, as chaves da cidade no carnaval a ele seria entregue, a fim de conduzir a alegria, a fim de conduzir e reinar sobre a festa do samba, a festa do carnaval.
Após anos de reinando, ao lado da alegria, ao lado da tradição e da cultura, conduzindo os destinos de vários carnavais amapaense, em seu trono, com seu cetro e coroa, sendo respeitado e dignificado por todos os seus súditos, rainhas, e princesas do carnaval o reconhecendo como rei, colocando as atividades de Rei Momo nas responsabilidades promocionais da festa, para o chamamento de convidados a participarem no seu reinado, cidadãos e cidadãs dispostos a fazerem parte, na corte desse Rei Momo, da alegria, da felicidade, da brincadeira no carnaval autenticamente Tucuju. Porém dias negros se aproximavam para dentro do reinado do Momo Sucuriju, pois algo sórdido estava sendo planejado, estudado, calculado no silêncio das madrugadas, em reuniões, seres outros, com objetivos escusos, dizendo-se autoridades do carnaval, tomando decisões que mais tarde irão abalar os pilares do reino carnavalesco instituído, decisões que mais tarde irão deixar perplexo os amantes do carnaval, súditos leais ao rei e amantes desse reinado momesco, e assim, algo novo, inédito e inacreditável estaria para acontecer e irá acontecer e realmente aconteceu às vésperas de mais uma festa, de mais um carnaval. Um golpe de estado. Isso, um golpe de estado foi dado no reinado do Rei Momo Sucuriju, seres outros destituíram-no, tomaram-lhe a coroa e o cetro real, seu trono foi lacrado, suas vestes guardadas, as chaves proibidas, sua autoridade destituída e jogada por terra num golpe sujo, matreiro sem justificativa, colocando o carnaval amapaense ainda mais obscuro, golpe esse servindo de chacota pelos súditos apaixonados pelo carnaval, porque o carnaval não pode ser feito de golpes baixo, o carnaval não pode ser feito de destituir reis momos, mas é feito de alegria, de respeito por todos, de profissionalismo, de ética e de um Rei Momo perene quanto é perene a coroa que lhe cinge a cabeça e o faz a majestade da festa maior do povo brasileiro, o carnaval, enquanto esse Rei Momo viver, ou impedido for de reinar por motivos óbvios e institucionais.
Foliões, súditos de um reinado feito de alegria, uni-vos e tornai esse reinado fecundo, perene e que esse reinado tenha a dignidade de ter um Rei Momo, que nunca seja destituído a bel prazer, por golpe de estado, mas que seja querido e amado como sua majestade o Rei Sucuriju, pois esse destituído foi, mas jamais, jamais perderá a majestade.
Professor Alcides de Oliveira
alcides.oliveira2005@ig.com.br
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