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Laranjal do Jari, sangue, suor e lágrimas

É certo que desde que a humanidade existe, esta está sujeita a catástrofes, tanto provocadas pela natureza, por acidentes ou pela própria vontade nefasta do ser humano, todas ao serem provocadas, trazendo conseqüências terríveis tanto materiais, mas principalmente trazendo conseqüências irreversíveis e extremamente dolorosas, pois uma delas é a perda de vidas humanas, praticamente sacrificadas ao ensejo dessas catástrofes que se abatem sobre determinados locais humanamente povoados, que pela maioria das vezes povoados por pessoas humildes, vivendo em lugares humildes e humilhantes, porque é só ali o local do seu viver, não tem outro, vivendo muitas vezes não, mas sobrevivendo nesse local a mercê do que vier, e o que vem e quando vem é quase sempre ruim, é quase sempre o pior que pode vir, porque o que vem é enchente, é incêndio, é malária, é dengue, é leptospirose, é contaminação de toda a sorte, é desabamentos, em fim é tristeza, é desolação, é abandono, é perda, é desespero por vidas perdidas é a falta de compromisso do poder público nesse local.

Acredita-se ser inadmissível que enquanto a população de um município, Laranjal do Jarí, chora sangue por ter sentido na carne, a décadas, tanto sofrimento, sofrimento esse assistido de camarote pelo restante dos outros municípios do Estado do Amapá, não se pode admitir que isso continue acontecendo enquanto milhões de recursos financeiros, fruto dos impostos pagos por todos, estão sendo gastos no estado em obras que poderiam esperar um pouco enquanto se resolvesse uma  das questões cruciais do estado que é a construção de casas para a população, que sobrevive muito mal nas palafitas de Laranjal do Jarí. Por que não esperar um pouco para embelezar a frente da cidade e gastar esses milhões na construção dessas casas? Por que ao invés de dar dinheiro público para custear carnaval e futebol, não se construa casas para a população de Laranjal do Jarí? Por que não esperar um pouco para se construir tantos lugares bonitos e ao invés disso construir bairros bonitos, com casas dignas em todos os municípios para as pessoas realmente viverem? Por que ao invés de se gastar tanto dinheiro público com a mídia no rádio, na televisão, em jornais, que na maioria das vezes nunca vão falar em construção de moradias, se gaste esse dinheiro público nessas moradias? Essas perguntas se fazem necessárias e exigem reflexões e respostas, na medida em que o Estado do Amapá, está com uma dívida muito grande principalmente com a população de Laranjal do Jarí, pois esse pedaço de chão amapaense não pode mais pegar fogo, esse pedaço de chão não pode mais ser só fumaça, esse pedaço de chão não pode ver destruído pelo fogo a existência, o construído, o sacrificado, o suor, a realização, o sonho, esse pedaço de chão, tão querido, não pode mais ver também tudo isso ser levado pelas águas, sagradas, mas impiedosas na busca do seu lugar, na busca do seu leito invadido pelos que não tem prá onde ir, não lhes dão opção, então perdem pela força. Esse querido pedaço de chão, parte do querido pedaço de chão que é o Estado do Amapá, já sofreu muito, o seu povo bravamente dando o seu sangue, o seu suor e as suas lágrimas, aprendendo a cada sofrimento, pedindo ajuda ao poder público a cada sofrimento, e a cada catástrofe não tendo resposta desse poder, com certeza a mente desse povo a esperar por mais sofrimento está, e continuará a pedir e sofrerá mais ao saber que os recursos não são para lá, Laranjal do Jarí, mas para inaugurações de mais lugares bonitos em Macapá, para carnavais, para inglês ver… Não só cadastrem esse povo, ajudem-no.

Professor Alcides de Oliveira

alcides.oliveira2005@ig.com.br

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