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Artigo

A OAB e a neta do Corrêa Neto – Por Ademir Pedrosa

A minha filha, a jornalista Pérola-Pedrosa, é bacharela em Direito. Mas resistiu até hoje se filiar a OAB.  Preferiu o jornalismo às Leis. E exerce laboriosamente a profissão que escolheu – é operária da comunicação.
A recente eleição da presidência da OAB elegeu o candidato Ulisses Trasel. Não sei quem é. Apresso-me em dizer que adorei a derrota do Washington Caldas. Depois que ele cercou a sede da OAB; e, tiranicamente enjaulou seus leões, eu abominei.
Pra mim ele é advogado inclinado a grilhões: prende mais do que solta. Bem feito!, de ele ter perdido. Agora, espero que o presidente eleito tire as ridículas grades, porque os leões são mansos; e, sobretudo, os bichinhos são uma obra de arte, da escola barroca.
Sou um assíduo leitor do sítio do Corrêa Neto, e li um comentário proferido por sua neta, a Janaína, que é mais ou menos assim: “Vô (Corrêa), vou pedir pro papai (advogado Ronaldo Serra), não se meter mais nas eleições da OAB. Na eleição passada ele apoiou um candidato, e a Vovó (advogada Vera Pinheiro) votou no Washington Caldas, e ganhou a eleição. Agora, nessa eleição, o papai apoiou o Washington Caldas, e a Vó apoiou outro candidato, e ganhou; e o papai perdeu outra vez. Chato isso.” Um paradoxo formidável. Um bom exemplo de democracia doméstica.
Considero a OAB uma instituição séria, mas há ali também coisas duvidosas. Veja. Fui interpelado judicialmente pelo o advogado Anderson Lobato Favacho (OAB/AP 1.102). O texto de sua interpelação, com apenas cinco laudas, possui cinqüenta e oito erros em língua portuguesa, dos mais elementares aos mais grotescos. Se eu fosse juiz, recusaria ação judicial de tal espécie, a que não tivesse o mínimo de lisura com a Língua.
Vou sugerir ao novo presidente que as avaliações da OAB incluam o “ditado”. Pode parecer bobagem, mas o que vai ter de candidato reprovado na Ordem, vai ser uma festa. Olha, os erros cometidos contra a língua vernácula por aquele advogado, em qualquer instituição decente, configuraria motivo de sobra para suspender a credencial de sua matrícula. Vão dizer que não, que há certo exagero nisso, e coisa e tal. Agora, experimenta ficar inadimplente…
Voltemos ao sítio do Corrêa, há lá no balãozinho amarelo postado uma entrevista feita por Renivaldo Costa com Ana de Hollanda, a irmã do Chico Buarque, em que ele a chama de “talento nato” (isso é que nem “novidade inédita”, a língua portuguesa não merece). Observe – caríssimo leitor –, quando a sabedoria aniquila sutilmente a burrice despojada:
Renivaldo Costa (…) critiquei a postura medíocre das mulheres que querem vencer na vida pelo mérito do corpo. Você rebateu. Mas será que o episódio envolvendo a estudante da Uniban, não reforça o que eu afirmei, de que para certas mulheres, o corpo vale mais do que as idéias?
Ana Hollanda – (…) Minha opinião sobre aquele desastre que vi pelo You Tube é de que, independente do senso estético da Geyse, é natural e saudável que ela, como qualquer mulher normal, goste do seu corpo. O que me choca é que, em pleno século XXI, uma garota que se vista de roupa chamativa seja acusada de puta por jovens (…). A reação deles, em conjunto, foi promover aquele massacre fascista. E pior, com aval da universidade. Enfim, já vesti muita mini-saia (bem mais curta que a dela), roupa justa, e tenho absoluta consciência de que nunca tentei usar o corpo para vencer na vida.
O leitor pode achar que faço provocação. Isso é apenas um aperitivo diante das atrocidades que Renivaldo tem dito sobre as fêmeas. Veja essas declarações: “A bandeirinha Ana Paula, que prejudicou o Botafogo, não deveria estar em campo de futebol, porque lugar de mulher é na cozinha, pra lavar louça, lavar roupa e cozinhar.” A Ana Paula ao invés de ir à cozinha, foi a Playboy e espetacularmente tirou a roupa. Santo Deus!, o sujeito não sabe o que um tanque de lavar roupa é capaz…
Outra preciosidade de seu cérebro demente, quando entrevistava a escritora Rose Marie Muraro, uma das maiores autoridades do movimento ativista feminista: “A senhora não acha que o melhor movimento feminista é o dos quadris?” Isso é pouca porqueira? Ou quer que eu desenhe a pocilga em cores?
Tenho observado também que todos os artigos do Bispo Dom Pedro Conti têm merecido publicação em tudo que é meio de comunicação. Há alguns que pelas tolices até Deus reprovaria. Mas os jornalistas Corrêa Neto, Alcinéa Cavalcante e Luciana Capiberibe, por exemplo, sentem-se na obrigatoriedade de publicá-los, sem exceção.  Eu creio que se assim não fizerem, não conquistarão o reino do céu. Amém.
Recentemente (27 de novembro) fiz aniversário, 54 anos. Mas, leitor – creia –, minha aparência é de no máximo 53 aninhos. Aniversariei juntamente com o jornalista Corrêa Neto, a atriz e ex-miss Brasil Vera Fisher, e certamente com milhares de pessoas do mundo, cujo signo é sagitário, do primeiro cabalístico decanato – coisa que na minha modesta opinião não tem a menor importância. Mas aviso logo que sou muito mais a sagitariana Vera Fisher… lógico! Posto que eu ame esse senhor de setenta e poucos anos, o Corrêa Neto – lúcido e sereno. Parabéns pelo seu aniversário, véio. Mas você também não acha – véio – que a gostosa da Vera Fisher é melhor do que nós dois?…

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Comentários

4 comentários para “A OAB e a neta do Corrêa Neto – Por Ademir Pedrosa”

  1. Fico feliz em saber que aquilo que escrevo continua merecendo sua atenção. Não considero que “talento nato” seja pior que “nádegas calipígias”. Ademais, Lampiõ, Ana não reclamou. Ao contrário de você, me permito divergir de meus amigos. E também aceito que divirjam de mim. Isso chama-se respeito. Não guardo mágoa alguma de você. Que a terra te seja leve…

    Escrito por Renivaldo Costa | 2/12/2009, 16:15
  2. “Nádegas calipígias” é um tropo, uma figura de estilo; enquanto o outro é um pleonasmo vicioso. A Ana não reclamou? Jura? Vá ver que não cuspiu você na cara por medo de sujar a saliva. Você não guarda mágoa de mim? Sei. Sabe que com esta confissão você me arrancou uma lágrima de ternura? Devo confessar também que tive uma ereção incontinênti. Você se permite divergir dos amigos; e aceita que os amigos divirjam de você? Nossa!, que filosófico. Não entendi a citação do Machado de Assis, palavra. Será que sou um defunto teimoso que se esqueceu de deitar? Já que você é o nosso Nélson Rodrigues tucuju, e conhecedor da alma impura feminina, responde esta: a Capitu era uma adúltera discreta ou uma puta fulera, que podia atuar muito bem no Bar Caboclo? A única coisa que temos em comum é o Botafogo, ainda assim com diferença, por exemplo: o meu Botafogo vai permanecer na 1ª divisão; o seu vai cair…

    Escrito por Ademir Pedrosa | 3/12/2009, 8:13
  3. Continuo com a mão estendida para amizade, aqui parafraseando o Vinicius. Não me considero o “Nelson Rodrigues tucuju” tampouco creio que a única coisa que temos em comum seja o Botafogo. Somos impertinentes, Pedrosa. Por isso gosto tanto de vc. Palavra!

    Escrito por Renivaldo Costa | 4/12/2009, 9:26
  4. Ademir Pedrosa, estou lendo agora esse infeliz comentário seu sobre a minha pessoa. Percebo que vc realmente não sabe nada sobre o meu carater e demonstra que sequer acompanhou o meu trabalho na OAB. Entretanto ousa de forma precipitada, atrevida, em rede mundial, taxar-me de tirano e de inclinado a grilhões. Se vc tivesse antes procurado me ouvir não teria falado tanta besteira. A grade da frente da OAB/AP, de que vc tanto se preocupa, serve tão somente para proteger o patrimônio da instituição que é público e demanda um custo alto para sua manutenção. Demais essa grade foi exigida pelo Conselho Federal, quem desembolsou todo o recurso (dinheiro) para pagar a revitalização e adaptação efetivada naquele prédio histórico na minha gestão. Se eu fosse um tirano como vc me taxou, a OAB não teria hoje uma Sede Administrativa totalmente revitalizada e com novas adpatações; não teria o clube dos advogados, com piscina semi-olimpica, campo de futebol e um malocão com banheiros masculino/feminino; não teria a Caixa de Assistência e o início da construção do prédio (hoje parado)que serveria para cuidar da saúde do advogado e seus dependentes; não teria as salas dos advogados totalmente equipadas nos foruns de Macapá, Santana, Justiça Federal, IAPEN, Monte Dourado, Oiapoque, etc. Se eu fosse inclinado aos grilhões, como vc me taxou, eu não teria tirado do fundo do carcere da policia federal os jovens Nigerianos que vieram fugidos da guerra civil de seus países nos porões do navio que aportou em nosso Estado; não teria lutado contra as violações dos direitos dos presos que foram torturados no cárcere, no IAOEN. Na minha gestão, se vc for checar essas informações, vai chegar a conclusão de que eu e meus conselheiros sempre lutamos em defesa dos advogados e contra as violações dos direitos humanos, inclusive dos direitos das mulheres. Penso que vc deveria ser mais profissional e respeitoso com as pessoas, notadamenete com as pessoas de bem, filho desse Estado e que quer o bem de todos. Reflita!

    Escrito por washingto caldas | 28/03/2011, 22:32

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