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Movimento Nossa Casa: carta aberta

Parabenizamos os 23 (vinte e três) delegados eleitos na nossa I Conferência Estadual de Comunicação, representantes da sociedade civil, sociedade civil empresarial e do poder público, @s quais têm a importante missão de representar, oficialmente, o nosso sofrível Amapá. Amamos tod@s vocês, boa sorte nos trabalhos e que prevaleça o interesse da coletividade, ao final!!!

Entretanto, não podemos aceitar que a nossa voz seja abafada, calada, ainda que dentro das famigeradas “regras do jogo” ou do chamado “processo democrático”. Também não podemos resignarmo-nos, mais uma vez, e, apenas, esperar pela próxima Conferência Estadual, com todas as suas artimanhas/jogos de interesses partidários. Afinal, restou claro que houve um ‘acordão’ para fazer valer os interesses de partidos políticos na escolha dos delegados da sociedade civil, deixando o nosso segmento de fora, os que não temos ligação político-partidária, que somos moradores do abandonado interior do Estado, e, por isso mesmo, legítimos representantes de comunidades tradicionais amazônidas. A nós, da base, só interessa um ÚNICO tipo de política: a chamada POLÍTICA PÚBLICA, com todas as letras em MAIÚSCULO.

Assim, precisamos, tod@s junt@s, em nossas diversidades, unirmo-nos e, mais uma vez, fazer a nossa parte neste mundão de possibilidades, construir o nosso próprio caminho rumo a Brasília e nossa própria história, sem intermediários. Nós mesmos, comunidades tradicionais da Amazônia, os que tivemos oportunidade e sorte de sair do casulo da inibição e de estudar fora de nossas comunidades e de para elas retornar para lutar juntos e COM nossos irmã@s por melhoria em nossas qualidades de vida. A hora é agora, de 14 a 17 de dezembro de 2009, na Conferência Nacional de Comunicação, a oportunidade que teremos de escrevermos, falarmos e mostrarmos, sem vergonha, para o Brasil e para o Mundo, as marcas que trazemos em nossos rostos, corpos e almas, as conseqüências da absoluta ausência de Políticas Públicas básicas, que nos beneficiem.

Nós mesmos, os abandonados pelo sistema, estaremos em Brasília, instalaremos a NossaCasa de Cultura e Cidadania Amazônia, erguida por nós que vivemos na floresta, ribeirinh@s e, por certo, com a ajuda de noss@s amig@s defensores de nossa ca(u)a: a floresta Amazônica e de nós, comunidades tradicionais, segmento mais excluído de nossa sociedade, no nosso ponto de vista, claro, uma vez que somos nós, @s viventes da zona rural do Amapá, nós, @s que (con)vivemos à beira dos rios da Amazônia, em assentamentos, quilombos, comunidades agroextrativistas, aldeias indígenas. Afinal, em pleno século XXI, falta-nos o básico: telefone público; água potável e encanada; energia elétrica 24 horas; banheiro decente (banheiro seco); apoio financeiro para produção e divulgação da cultura de nossas comunidades; assistência técnica rural; internet (banda lenta ou larga) e suas facilidades de comunicação : msn, email, webradio, biblioteca virtual, cursos à distância; educação pública regular e de qualidade; rios, estradas vicinais e ramais trafegáveis; transporte público coletivo regular; segurança pública nos rios da Amazônia (contra ataques dos piratas de rios); serviços de Correios; rádio comunitária em nossas comunidades (soluções inovadoras); posto de gasolina para nossos barcos; médicos, enfermeiras e remédios etc etc etc…

Nós, crianças, adolescentes, jovens, pais e mães da floresta amazônica, nós, @s que sofremos pelo isolamento que nos é imposto pel@s Don@s do Poder, os cérebros do sistema, nós, @s que vivemos em comunidades tradicionais que sofremos na pele a dor de perder um@ filh@ com uma picada de cobra ou escorpião e não poder ligar para o SAMU (ambulancha) ou GTA (helicóptero) para nos socorrer, pois estamos a horas de barco do hospital público mais próximo e nem sempre temos combustível suficiente para viajar; que perdemos nossos couros cabeludos ou nossos órgãos genitais vítimas do motor de nossos barcos (escalpelamento); que precisamos deixar, muito cedo, nossas comunidades para estudar na “cidade” e inchar as suas periferias.

Por todos os nossos Deuses, Santos, Orixás e Ancestrais, nós também precisamos desesperadamente estar fisicamente presentes na Conferência Nacional de Comunicação. E, estaremos, pois somos livres e temos força e fé no que virá!!!! Resistir aos nossos opressores e (ajudar a) construir um outro mundo, que nos inclua, é preciso, necessário e urgente!!!

Portanto, continuemos, irmã@s, todos juntos, unidos em nossas diversidades, em nossa luta pelo reconhecimento dos direitos das minorias, sobretudo das nossas comunidades tradicionais (povos da floresta), que vivemos no meio da Amazônia (e a protegemos) e que somos, historicamete, sempre excluídos desses debates nacionais e mundiais, que afetam diretamente nossas vidas.

O Movimento NossaCasa (com a Rádio NossaCasa também) estará em Brasília, fazendo comunicação popular, cobrindo e intervindo no evento e defendendo nossas idéias junto aos participantes da Conferência Nacional. Lá, mostraremos nossos rostos, cultura popular, depoimentos, escritos, mas também a dor daqueles que sofrem na pele, diariamente, pela ausência de políticas públicas básicas, sobretudo, e principalmente, as de Comunicação.

Assim, atenção comunidades tradicionais e tod@s aqueles parceir@s que, VERDADEIRAMENTE, nos ajudam em nossas lutas, estamos recebendo material informativo (textos, fotos, vídeos, folders, cartazes) para expor em Brasília, na NossaCasa Amazônia. E, aqueles que simpatizarem com nossa causa e quiserem contribuir para o pagamento de nossa viagem, pedimos, gentilmente, que entrem em contato conosco pelo email nossacasaap@gmail.com ou telefones 96 8129 1837 (Jonas Banhos) e 9139 0464 (Rita de Cácia).

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

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