Leia abaixo editorial do SBT e nota de repúdio assinada pelo Sindjor sobre o episódio ocorrido por ocasião da passagem do Ministro Gilmar Mendes pelo Estado do Amapá no último fim de semana.
Editorial do SBT
Todos os dias, o jornalismo do SBT entra na sua casa, sempre levando muita informação, cultura, entretenimento, solidariedade e principalmente as notícias que você nos concedeu o privilégio de querer saber por meio desta
emissora.
Nossa relação com você telespectador já completou a maioridade.
Há 21 anos estamos nos lares amapaenses, com o compromisso de
sermos éticos, corretos, transparentes, honestos. Sempre em defesa do que achamos certo. Mas hoje pedimos licença para entrar na sua casa e fazer um desabafo de jornalistas que há muitos anos não eram alvos de cenas de autoritarismo e desrepeito. em pleno século 21 voltamos a enfrentar um episódio superado desde o fim do regime militar e o ingresso da democracia. a equipe de jornalismo do SBT foi convidada há exatamente um mês pelo jornalista Bruno Batista da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Amapá para acompanhar a visita do ministro Gilmar Mendes ao municipio de Laranjal do Jari, ocasião em que seria realizada mais uma sessão itinerante fluvial. Convite aceito e presença confirmada.
na sexta-feira, 13 de novembro, chegamos ao prédio do tribunal por volta das cinco e meia da tarde. nos juntamos a outros colegas jornalistas dos mais diferentes veículos como televisão, rádio e jornal, que já estavam no tribunal a espera do horário de saída do micro onibus que nos levaria ao municipio. nossa viagem estava marcada para as seis horas da tarde com tolerância de vinte minutos. mas as seis e 10, nossos colegas ouviram uma conversa por telefone, onde o chefe da casa militar, coronel Pelizza, determinava que a saída dos jornalistas só ocorreria por volta das nove horas da noite. seriam três horas de uma longa espera. A assessoria de comunicação foi procurada para que confirmasse o horário de nossa ida a Laranjal do Jari. Sem nenhum respeito ao profissional que somos, o coronel Pelizza, foi quem respondeu ao nosso questionamento fazendo inclusive pouco caso da nossa presença na viagem. o militar disse que a imprensa não era necessária. a prioridade seria cuidar da segurança do ministro e das demais autoridades que seguiram para a cidade no sul do Amapá. e de fato, em meio a muitos transtornos e contratempos, só saímos de Macapá as nove da noite, como havia dito o coronel Pelizza. depois de uma viagem de cinco horas, chegando pela madrugada e tendo que estar a postos as sete da manhã para registramos a chegada do ministro a laranjal do jari, os problemas enfrentados por nós jornalistas continuaram. Na chegada de Gilmar Mendes, foi feito de imediato o contato da assessoria de comunicação do TJAP com o assessor do ministro, Marcone Gonçalves para que ele viabilizasse uma entrevista com Gilmar Mendes aos jornalistas. o assessor do presidente do Supremo Tribunal Federal atendeu de forma cordial e prestativa ao nosso pedido e marcou a entrevista para acontecer dentro do barco da justiça fluvial ancorado no porto do municipio. mas para nossa surpresa, os jornalistas foram impedidos pelo coronel Pelizza de entrarem na embarcação. fomos barrados na frente de toda a população que estava na área, causando inclusive um grande constrangimento. a justificativa é de que o barco era para receber as autoridades, e a presença dos jornalistas poderia inclusive fazer com que a embarcação naufragasse. ora, então qual a importância que tinha da nossa presença no municipio? o fato do dia era o ministro dentro da embarcação de uma sessão itinerante fluvial, e não poderíamos registrar o momento porque fomos impedidos de entrar na embarcação.
O desrepeito com o nosso trabalho foi percebido por todos que estavam ali. inclusive pelo próprio ministro que pediu ao assessor direto que verificasse a causa do tumulto. o fato também chamou atenção dos magistrados do Amapá que determinaram a entrada imediata dos jornalistas na embarcação. e foi só aí, que mesmo contrariado o coronel Pelizza abriu passagem para nossa entrada. o episódio isolado por parte do militar demonstrou o total despreparo e desrespeito ao trabalho desenvolvido pelos jornalistas no Amapá. e o mais grave. em momento algum houve um pedido de desculpas por parte do coronel Pelizza.
ressaltamos aqui que a relação da imprensa com o judiciário amapaense sempre foi pautada no respeito e cordialidade, portanto o coronel Pelizza, chefe da casa militar do tribunal de justiça, precisa ter conhecimento da importância de nossa função não só para o TJAP como para toda a sociedade amapaense e ter a humildade de se retratar diante de tanto desrespeito ao qual fomos submetidos.
Bernadeth Farias – Jornalista SBT
NOTA DE REPÚDIO
Os profissionais da imprensa amapaense que participaram da Ação da Justiça Itinerante Fluvial realizada no último fim de semana, em Laranjal do Jari, através de suas entidades representativas – Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amapá (SINDJOR/AP), vêm de público repudiar a atitude desrespeitosa e autoritária do chefe da Casa Militar do Tribunal de Justiça do Estado, coronel Pelizza.
Numa atitude que fere os princípios do respeito profissional, o militar tentou prejudicar o trabalho jornalístico dos profissionais escalados para fazer a cobertura da ação itinerante fluvial, a convite do próprio Tribunal de Justiça do Amapá. O coronel atrasou a viagem e depois impediu que os profissionais tivessem acesso a embarcação da Justiça do Amapá, que sempre abriu as portas aos jornalistas amapaenses.
Ofensas e atitudes desrespeitosas a trabalhadores no exercício da sua atividade profissional de forma alguma se justificam, seja de qual natureza for. Para que fatos dessa natureza não voltem a se repetir, a FENAJ e o SINDJOR tornam público o episódio e cobram respeito à imprensa amapaense, bem como providências por parte do Tribunal de Justiça.
Atenciosamente,
VOLNEY OLIVEIRA
Presidente do SINDJOR/AP
Vice-Presidente Regional da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ
Não há, infelizmente, nenhuma novidade nesse fato desrespeitoso. Esse oficial da PM sempre foi assim, mal-educado, grosso, arrogante. Está envergonhando a PM no TJAP..melhor que fique por lá, pois no meio policial é conhecido por seu mal-humor e trato ruim para com os seus soldados…