Depois que aquele juiz relator do caso RG chamou seus colegas de mentirosos, ainda que estivessem a serviço do sistema eleitoral do Amapá para realizar seu trabalho, com a competência que fizeram – assunto do meu comentário anterior, pensou-se, sinceramente, haver chegado no limite de nossa tragédia ético e moral. No fundo do poço.
Tenho, nesses tempos de reclusão, imposta por razões de saúde, dedicado minhas reflexões para entender a alma dos políticos e dos homens públicos que comandam esse país, Lula e Sarney como exemplos maiores.
Na dialética marxista, quando se busca conhecer a alma [o modo de ser de alguém] se quer conhecer a verdade em sua essência, se deseja chegar a plena realidade. Daí que essa não é uma tarefa qualquer, ao contrário, ela é penosa e exaustiva. Mesmo assim, por dever de ofício, resolvi empreender essa viagem, que como já disse é cansativa e dolorosa.
Qualquer cidadão – independente de sua condição social e intelectual, tem um código ético moral que orienta seu comportamento no seio da comunidade onde vive. Código, em verdade, definido pela herança religiosa e cultural do seu povo, complementado pelo senso de responsabilidade social, que cada cidadão tem que ter pelo interesse comum que une todos em sociedade.
Esse sempre foi, nas antigas civilizações, um princípio fundamental, quase dogmático, balizador do caráter que deveria reger o comportamento de homens e autoridades, cujas exigências e responsabilidades são aumentadas e agravadas em razão da função social que tenha no contexto da sua sociedade.
Havia – para além da competência técnica ou de ofício, a necessidade que o agente público, objeto dessa análise, fosse um exemplo, permitisse que seus comunas nele se espelhassem por refletir a imagem da correção e probidade no exercício da função delegada, guardiã do bem público.
Esse – a bem da verdade, é um legado que ficou. Resistiu ao tempo e até se consolidou em inúmeras culturas, mais proeminente nas anglo-saxônicas, como na inglesa e na dos americanos do norte.
Por isso ainda hoje se houve falar [seguramente pela consolidação desses conceitos] do elevado nível de responsabilidade social alcançado por essas sociedades, cuja preocupação maior foi, ao longo dos tempos, distribuir com justiça a renda que resultava do trabalho de todos, para que todos pudessem atingir e viver o estado e bem-estar social desejado.
Nesses países a corrupção, a mentira, a prevaricação e outros vícios decorrentes da má formação do caráter são passíveis de severa punição pelos sistemas de controle social, por isso são mais sérios que nós.
De Gaulle, herói francês que conduziu a reconstrução do seu país no pós-guerra, há muito tínhamos um conceito nada dignificante. “ Le Brésil nest pas um pays serious”, dizia. Lembram?
Pulo o resto do Brasil, sem esquecer e excluir Lula, e faço um pit stop aqui no Amapá, onde o comportamento de seus agentes públicos [ políticos e cia] fere de morte conceitos basilares antes colocados , pois infelizmente revelam que essas exigências não fazem parte do rol de suas preocupações.
Deixa claro, também, que a opinião pública pouco conta na hora em que cometem essas atrocidades morais, acreditando obviamente na crença política de que o que vale é ganhar eleição, não importa a maneira como obter, pois o povo tem imensa dificuldade de entender fatos políticos graves que ocorrem ao seu redor.
A “desomenagem” – segundo o termo jocoso usado, pela AL do Estado, cuja honraria tinha sido consentida por unanimidade por eles, num momento de cochilo, imagino, ao excepcional companheiro PALMERIO DÓRIA, jornalista nascido as margens do Tapajós, aqui em Santarém, foi uma obra obscurantista, retrógrada, macarthista por vir em socorro de uma das figuras mais grotescas da florescente República brasileira, chamado José Sarney.
O povo não alcança o sentido intrínseco desse desatino. Disso se aproveitam para cometer suas barbaridades. Aliás a “desomenagem” é apenas uma faceta do poder deletério de Sarney sobre a honra, a liberdade e a vontade de nossos políticos.
O livro, da lavra de Palmério Dória, HONORÁVEIS BANDIDOS – Um retrato do Brasil na Era Sarney, hoje guindado ao quarto lugar entre os mais vendidos do país, desnuda com simplicidade e transparência e alguma dose de humor, os atos de um clã que ao longo desses anos tem sido – para o país Brasil, a negação daquilo que acima afirmamos.
Chega ser vergonhosa e humilhante, a forma como Sarney aciona seus cordéis e manipula políticos – alguns bem formados, economicamente independentes, em favor de seus interesses desde que aqui aportou no início da década de 90, a partir de quando paira como agente do terror, subvertendo toda a lógica política do Estado que garante ser ela [politica] o instrumento de mudanças sociais indispensáveis em qualquer sociedade democrática.
Seu poder entre os políticos chegou a tanto que o traço mais marcante de sua presença é colocar – se possível, todos eles na vala comum dos malfeitores, da subserviência e induzi-los ao comprometimento, se transformando em advogado, usando sua força imperial junto as esferas do poder superior, aquele invisível, subterrâneo que fala Dallari , controlando-os depois.
Nada sutil. Tudo às claras. Como costumo dizer: até bêbado de esquina sabe e comenta com riqueza de detalhes. Sempre que alguns deles ensaiam fugir do controle, chovem avisos ameaçadores, como vem acontecendo agora em que tenta colocar, do seu modo, a sucessão de W GOES e a eleição do senado, quando seus apadrinhados andam mal junto o eleitorado.
Enquanto isso, nenhuma obra de impacto social. Apenas megaprojetos inconclusos, que envolvem recursos volumosos. Citemos como exemplo o Aeroporto de Macapá, cujo dinheiro escafedeu-se nas mãos do empreiteiro Zuleido Veras, considerado seu amigo pessoal, até hoje sem prestar conta de seus desatinos e devolver a grana que sumiu.
Para surpresa geral a mesma obra foi liberada sem que o TCU se explique. Afinal 2010 é ano eleitoral, e ela será fundamental para subvencionar políticos malfeitores. Tudo no figurino.
O Estado, submetido ao descaso de seus amigos e aliados, desce ladeira com o seu baixíssimo nível de escolaridade, saúde e infraestrutura sanitário [apenas 3% da população servida], deficiência no sistema de água, energia elétrica insuficiente e cara, cuja concessionária foi delapidada por interesse político, falta de gestão e responsabilidade social, enfim, um rosário de desmandos que coloca, sempre que aferido, o IDH do Amapá na rabeira da fila.
Nos oito anos de governo socialista, quando firmou-se uma resistência heroica a sua tentativa de capitanear o Estado– aliás reclamada equivocadamente por Mercadante em meio ao processo de cassação dos Capiberibe, como um dos erros do senador ao negar se aliar a Sarney, a exemplo de Lula, transformado em fantoche do PMDB na sua obsessão pelo poder.
Ambos, como é domínio público, tiveram seus mandatos surrupiados graças a uma artimanha por ele engendrado junto aos tribunais de Brasília e durante esse período nada contribuiu para o Amapá.
Aliás não negou. Escutei-o dizer certa vez, que sua omissão se justificava por não pertencer ao grupo do então ex-governador, revelação grave para um ex-Presidente da República, pelo seu equívoco e por desconhecer princípios constitucionais. Como senador, a responsabilidade é com o Amapá, que lhe dera então, generosamente como gosta de dizer, dois mandatos de senador.
E até hoje Sarney como ave agourenta, assusta o Amapá, apoiado em aliados políticos e empresários interesseiros, dominando as instituições, ameaçando desafetos, jornalistas, blogueiros, disseminando o ódio, a vendeta, os maus costumes, como nunca se vira nesse Estado, nos transformando num “replicante” do Maranhão, cuja miséria e indigência social e humana repercutem Brasil afora, objeto de estudos e tratados sociológicos.
Alguém pode ter lá suas dúvidas sobre se batemos no fundo do poço. Mas como eu, há os que não as tem e relaciona as decisões esdruxulas dos tribunais eleitorais, a conduta nada dignificante de nossos políticos e a aposta no atraso social, moral, social e intelectual do Amapá, o desperdício de recursos, ao dedo de Sarney e ao Estado marginal que mantem sob seus cordéis.
POUCAS & BOAS
A DÚVIDA DE WALDEZ – pedra cantada por esse articulista há algum tempo, parece inquietar o governador do Amapá. A praxe é disputar, com sólida estrutura de apoio, a candidatura ao Senado. Para tanto é necessário uma retaguarda de confiança e que promova a acomodação e unidade da base política que sustentou o seu governo. Pedro Paulo parece não ser essa pessoa+++ Como disse, quem vai decidir é Sarney, dono do tabuleiro político do Amapá, doque se aproveita para reinar como gosta. UM ABSURDO – Sem dúvida a decisão do Prefeito RG [PDT] e do candidato oficial ao governo e Vice-governador Pedro Paulo [PP], visitar a longínqua Indonésia na busca do improvável, as custas do erário+++ Podemos falar de cultura da inutilidade. Tudo porque nada temos para vender nem comprar de tal país, cuja economia é uma das maiores do mundo, e nós, a rigor, infelizmente, nada produzimos que justifique a gastança por conta do contribuinte+++ BOAS SOLUÇÕES, sem dúvida as introduzidas nas vias da capital com implantação de inúmeros novos semáforos em esquinas problemáticas e responsáveis de crônicos acidentes. Desconfio do dedo de Ercilio Mescouto, estudioso do tema e melhor engenheiro ainda+++ Pena que as concessionárias vendendo média de 300 carros por mês, tais soluções logo, logo, percam seus bons efeitos.+++ CONSTRUINDO ALIANÇAS, é o que vem fazendo, na surdina, o PSB com vistas as eleições de 2010. Há muita conversa, máximo com Jorge Amanajas [PSDB], mas cuja decisão não esperem antes da dobra do ano+++ ENQUANTO ISSO, o PT, aliado histórico das “esquerdas”, segue ao sabor das contradições de suas lideranças. Desde que a vontade de Lula passou a prevalecer sobre os interesses do partido, impondo alianças execradas pela própria base, como o PMDB [leia-se Sarney, Jader, Renan] Collor de Mello, Maluf e outros “fichas sujas”, o PT anda à deriva, com brigas intestinas que o enfraquece cada vez mais+++ As parcerias, hoje, são determinadas pelos interesses políticos pessoais e focadas no PSB, eleito “inimigo” mortal, conforme deseja Sarney, que por sinal dá as diretrizes do partido+++ A NOITE DOS HONORÁVEIS BANDIDOS, me refiro, obviamente, ao titulo do livro lançado de corpo presente por Palmério Dória. Quem não foi, como eu, ainda que por razões justificáveis, perdeu a chance do convívio do néctar do néctar da política e da imprensa do Amapá+++ Muito charme no ar. A Inteligência transitou livre, leve e solta. Uma festa!+++ O INOVA CHEGOU, enfim, abriu suas portas, para dizer a que veio. Discussão séria, mas faltou uma pitada da inteligência amapaense no seminário que promoveu. Para muito cheirou um encontro “chapa branca”++ Um militante do PSB protestou o fato da ausência do líder do partido, João Capiberibe, precursor de um programa inovador, baseado na sustentabilidade, um dos temas do encontro+++ Instado, Cláudio Pinho, um dos cap da ONG, explicou que Capiberibe esteve sempre agendado, faltou contato+++ Como também Alberto Góes, alto funcionário e senhor dos planos do atual governo, conhecedor do assunto e da experiencia do governo socialista, do qual foi secretário de Estado nos idos 90+++ Como é difícil se organizar e atender todas as espectativas no primeiro encontro, para quem conhece o objetivo da causa{ INOVA] , verá que para frente as coisas melhorarão+++QUEDA E ASSUNÇÃO. Caiu, afinal, Jorge Souza [PCB] e assumiu o rebento de Amaury Farias, petebista histórico ao lado de Zeca e Duca Serra, Leury Farias [PP] a vaga na AL depois da cassação pelo STE do militante do antigo PCB+++ Há mágoas de todo lado. Todas contra Sarney e Gilvan, cujas promessas, mais uma vez descumpridas, vão estar sempre ao sabor das circunstancias e de seus interesses políticos++++ INGERÊNCIA INDEVIDA – vou repetir: causa imenso desconforto a ingerência não autorizada pelo governo, por isso indevida, de Gilvan Borges em assuntos da administração governamental, não autorizada, no interior do Estado, segundo membro do governo+++ Gilvan corre na mesma faixa de WG na aspiração ao senado, logo seu concorrente direto e em maus lençóis, por isso apela+++ SARNEY RESPONDE a homenagem à Palmério. E do jeito que lhe é peculiar, meio a acusações infundadas, com o auxilio da mídia amestrada. Absolutamente impossível alguém receber proventos do Congresso fora do exercício do mandato. Tanto Capi quanto Janete estiveram protegidos por liminares que mantiveram precariamente seus mandatos, daí a mentira que visa simplesmente agravar, no velho estilo do oligarca+++ Bem que os “minhocas amestrados” tentaram diminuir a honraria com um show, no Araxá, cujo impacto não empanou o brilho do lançamento de Honoráveis Bandidos. MAIS MÁGOA. Para quem não entendeu até agora a o forfait de Isac Alcolumbre a comentada “desomenagem” ao autor de HONORÁVEIS BANDIDOS, está o fato do chefe Sarney jamais ter dado, ao pai, Salomão Alcolumbre, terceiro suplente, amapaense da gema, a oportunidade de assumir, ainda que interino, seu mandato no Sanado, como fez com seu conterrâneo Nova da Costa+++ O Amapá agradeceria. É o que dizem por aí e concordamos++++ O AMAPÁ BEM SERVIDO. Pois é, tem gente séria trabalhando por aí na área de saúde. Eu mesmo, paciente desta feita, pude constatar. Cláudio Leão, Antônio Telles, Luciana, Marcos, meu mano Paulo Sérgio, Rilton Cruxz, Marluce Salomão, José Cabral, Ronaldo Dantas, Jocy, Robelino, Sebastião Bala e Andrezza são nomes que me ocorrem agora, dignos dessa homenagem+++ Do outro lado, entre os que só vêem a medicina como forma de ganhar dinheiro, trapacear e cometer procedimentos indevidos para faturar eleitoralmente, estão os agentes das trevas que por sinal, se o MP quer saber, já iniciaram a temporada de laqueaduras, aquela cirurgia esterilizante da mulher, de indicações precisas. Por Hoje é só
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