Desde que estou na Assembléia Legislativa não tinha me visto na situação de ter que questionar uma decisão por ela tomada. Isso não significa que eu concorde com o que tem sido decidido por lá nestes quase três anos em que estou deputado estadual pelo PSB do Amapá. O que estou tentando dizer é que apesar de ter perdido em várias ocasiões, em nenhuma senti que teria havido ilegitimidade ou ofensa a legalidade. Considerando que no exercício do poder quem tem maioria manda cabe sempre à minoria lutar, de vez em quando até espernear, mas ao final é nosso papel institucional aceitar o resultado.
Numa Assembléia Legislativa com 24 deputados estaduais dos quais apenas dois são de oposição saber aceitar as derrotas impostas politicamente pela maioria é algo incontornável. Esse exercício de tolerância é exercido por mim, diariamente. Faço isso, inclusive, para espanto de muitos, sem sofrimento pois não posso me desviar do fato de que os deputados foram eleitos pelo povo e, certo ou errado, agem em nome dos eleitores que lá os colocaram. Ter essa consciência é fundamental para aceitar as derrotas impostas pela disputa democrática.
No caso da “desconstituição” do voto de louvor ao escritor paraense Palmerio Dória, autor do livro Honoráveis Bandidos que narra a trajetória da família Sarney na política brasileira, não cabe democraticamente aceitar o resultado, pois ele não foi construído dentro do ordenamento legal, dentro do que rezam as regras da democracia. Não é por irresignação pessoal que vou apelar ao judiciário para anular a votação presidida pelo deputado Dalto Martins de seu “voto de desconstituição” de congratulações ao escritor e jornalista.
A democracia exige previsibilidade e essa decorre das regras existentes, isto é, das nossas leis: Constituição Federal, Constituição Estadual e Regimento Interno. O que não está previsto na lei não pode ser feito. O que difere a democracia do autoritarismo é que naquela o que vale são as regras que prevalecem sobre a vontade dos poderosos. No regime de exceção a vontade de quem está no poder se sobrepõe à legislação e assim as leis perdem sua finalidade principal que é a de resguardar direitos, que é a de oferecer limites à quem está no exercício do poder que é a de estabelecer ritos para os atores políticos agirem.
Qual a lição que o caso Palmério Dória nos oferece então? Que a maioria nem sempre vence. De vez em quando ela perde e deve talvez com a mesma tolerância, ou talvez com tolerância ainda mais ampla pela sua condição majoritária, aceitar suas derrotas. Afinal, humildade não faz mal a ninguém. Em segundo lugar, o que se pode aprender do caso é que uma derrota que era da maioria se transformou, com a “desconstituição”, numa derrota ampla do poder legislativo, apequenado e acuado, atropelando a Constituição federal e a Constituição estadual para derrotar o Estado de Direito e a democracia num exercício de demonstração de força inútil pois ato nulo não gera efeito o que quer dizer que o voto de congratulações está mantido.
Nesse contexto, não me cabe outra alternativa que não seja apelar ao poder judiciário para pedir que a nossa democracia seja resguardada, que nossos ritos necessários sejam respeitados. Não posso aceitar que um instituto, o da “desconstituição” seja criado para satisfazer conveniências políticas. Vou ao judiciário para defender as regras do jogo, este jogo no qual eu por ser minoria, via de regra, tendo a ser derrotado. Aceito perder, mas quero que todos aprendam também a aceitar suas derrotas sem virar a mesa.
Essa foi a maior demonstração da incapacidade política desses parlamentares que de fato não compreendem a atmosfera, na qual estão inseridos. Colocaram o parlamento amapaense ao rés do chão, atropelando a democracia e desobedecendo as regras do jogo. Parabéns deputado Camilo Capiberibe! Vá a luta e mostre mais uma vez a esses subalternos puerís, esravos da prórpia ignorância, como se faz POLÍTICA.
Certamente o povo amapaense, no despertar da sua inteligência descomunal, haverá de estabelecer a justiça, sobretudo nas urnas, em 2010.
NEM MESMO NOS TEMPOS MAIS NEGROS DA HISTÓRIA DA AL SE VIU ALGO TÃO ABSURDO. ISTO SÓ DEPÕE CONTRA ESSA CORJA DE PUXA-SACOS DO BIGODUDO, QUE EM DOIS MANDATOS DE SENADOR (16 ANOS!!!), NADA FEZ DE RELEVANTE PARA O AMAPÁ, ALÉM DE SERVIR DE CHACOTA PELOS LUGARES ONDE ANDO E ME IDENTIFICO COMO AMAPAENSE (DE CORAÇÃO): – AH! VOCÊS QUE ELEGERAM O SARNEY? – EXPLICO QUE ESSA CULPA EU NÃO LEVO, POIS NUNCA VOTEI NESSE HONORÁVEL BANDIDO. PARA QUEM PROMETIA QUE O AMAPÁ TERIA FORÇA NO SENADO, É MUITO POUCO EM RELAÇÃO AO QUE ELE (DES)FEZ PELO SEU ESTADO DE ORIGEM, O MARANHÃO, NO MESMO PERÍODO.
VOU PARAR DE FALAR NESSA FIGURA REPUGNANTE, SENÃO POSSO VOMITAR A QUALQUER MOMENTO.
Dep. Camilo, no regime discricionário militar a censura-prévia impedia que músicas “subversivas” fossem publicadas. Chico Buarque compôs duas canções, “Chame o ladrão” e “Você não gosta de mim”, que jamais passariam pelo crivo da censura. O Chico, então, trocou seu nome pelo pseudônimo, Julinho de Adeláide. A canção foi liberada, e fez um sucesso dos diabos. Quando os censores perceberam a burrice, já era tarde demais. Mas mesmo assim mandavam recolher os disco das lojas e prender aqueles que tocassem a música. O episódio da “desconstituição” do voto de louvor ao escritor Palmério Dória, é semelhante, com um agravante: não estamos num regime democrático? Não vamos nunca jamais nos conformar! Mas, companheiro, a burrice é invencível…
O que foi feito na assembleia faz jus ao titulo do Livro “Honoraveis Bandidos”.
Incrível que os mesmos deputados que lutaram bravamente para condecorar e homenagear (pra não dizer bajular)com o título de “Cidadão Amapaense” um homem que nada fez pelo Amapá e que nunca gastou um real do seu bolso em nosso estado, como o senhor Eike Batista, são os mesmos que agora querem “desconstituir o constituído”.
Eu, hein? Senho Dalto, Daltempo aê, meu…