‘Não tenho nada contra Sarney, tenho tudo contra o que ele fez com o Maranhão’
POR SAMUEL SOUZA
Palmério Dória é um paraense de Santarém. Cresceu em Belém e partiu para a terra da garoa – São Paulo – em nome do jornalismo. Aos 60 anos de idade, mais de quatro décadas de profissão, coleciona passagens pela Rede Globo, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Caros Amigos e Revista Sexy, apenas para citar algumas publicações. Para o ofício de escritor, foi um pulo, assinando Mataram o Presidente – Memórias do Pistoleiro que Mudou a História do Brasil, A Guerrilha do Araguaia, Evasão de Privacidade e A candidata que virou picolé.
Lança agora Honoráveis Bandidos pela Geração, uma pequena editora, mas recheada de títulos sugestivos. No livro, Palmério Dória faz um apanhado geral da trajetória política do atual presidente do Senado, José Sarney. É um bisturi afiado, que disseca os bastidores da família e aliados.
Aproveitando o momento literário de Imperatriz, com o seu Salão do Livro, nada mais apropriado do que bater um papo com o autor de um dos livros mais em voga no país. Veja a entrevista.

Palmério lançará ‘Honoráveis Bandidos’ em São Luís no dia 4
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Não é a primeira vez que o senhor se interessa em publicar livros e/ou artigos sobre Sarney. Quando surgiu o interesse por ele?
Em 1986, um grupo de jornalistas liderados pelo saudoso Tarso de Castro [N. do R.: um dos fundadores do jornal O Pasquim] lançou no Rio um semanário chamado O Nacional. Era um jornal de confronto direto com o governicho de Sarney. O Tarso, como sempre, reuniu uma equipe impagável e me convidou para dirigir a redação. Em 1988, editei uma tablóide para a Secretaria de Cultura de Volta Redonda, então dirigida pelo ator Antônio Pedro, pedetista histórico. Chamava-se Revolta. Rodou uma única edição, à época daquela invasão ordenada por Sarney em 9 de novembro: 1.300 homens do Exército invadiram Volta Redonda para expulsar 3 mil operários em greve por reposição salarial e turno de seis horas; com tanques, bombas de gás e fuzis, mataram brutalmente três grevistas e feriram nove gravemente. A capa era de Chico Caruso [cartunista, chargista], que botou um operário, com capacete e tudo, impedindo a passagem de um tanque, como no massacre da Paz Celestial. Não por acaso, Chico e Paulo Caruso têm 16 páginas no “Honoráveis”. Era o Paulo, irmão gêmeo dele que ilustrava O Nacional.
Como “Honoráveis Bandidos” tomou forma?
O que me orienta é o método onírico-dialético, uma brincadeira criada nos anos 70 pelo jornalista Horácio Vignolo, diretor da Inter Press Service, uma agência de notícias na qual trabalharam Gabriel Garcia Márquez [Nobel de Literatura de 1982 por Cem Anos de Solidão] e Eduardo Galeano [jornalista e escritor uruguaio]. Resumindo a ópera, se é que ópera tem resumo, o negócio é ir atrás do que está na cara, o óbvio é que satisfaz. Os jornalistas deram para fugir do óbvio, não sei exatamente por quê. Nos anos 70, eu circulei pelas redações com o então professor de história José Genoino, “caitituando” a guerrilha do Araguaia para nossos coleguinhas jornalistas, que não se interessaram pelo assunto, não importando aí a coloração ideológica. Foi assim que acabei pondo no papel as primeiras matérias e o primeiro livro sobre o assunto, com recursos levantados de uma indenização pela revista Repórter 3 e contando com o auxílio luxuoso do diretor de arte Paulo Polé e dos jornalistas Sergio Buarque, Jaime Sautchuk e Vincent Carelli, que acaba de ganhar os prêmio de melhor direção e melhor filme de Gramado, contando a história do massacre de Corumbiara [município de Rondônia, centenas de famílias camponesas foram atacadas pela Polícia Militar e por jagunços armados sobre o comando do governador em exercício, Valdir Raupp – PMDB, aliado do PT desde 1994]. No caso da Candidata que Virou Picolé e no de Honoráveis Bandidos, os coleguinhas achavam que Sarney era passado. Não valia uma missa.
Levando em consideração tantos escândalos recentes e continuando a pipocar, como foi possível deixar a publicação atualizada?
Até o último momento – livro também tem dead line – eu e o Myltainho – o jornalista Mylton Severiano; nossa amizade e colaboração profissional datam de 1972 – deixamos janelas abertas para essas atualizações. Essa foi uma aventura à parte. Fazer um livro ao vivo, como está dito na apresentação. Mas o esqueleto dele já estava definido há um ano. Era só encher de carne, músculos e vida. Uma história com começo, meio e fim. História sem começo, meio e fim, só a História, como diz o Millôr [Fernandes, escritor e humorista].
Para escrever o livro sobre Roseana Sarney, o senhor esteve em São Luís em 2000. Para escrever “Honoráveis Bandidos”, voltou ao Maranhão?
Dei muita sorte no Maranhão, no caso do livro da Roseana, e muito mais agora com Honoráveis Bandidos, de encontrar as pessoas certas para cumprir as pautas que estabeleci. Tanto num caso como no outro, passei alguns dias em São Luís sabendo direitinho quem eu queria encontrar. Os dois livros são do contra. Não acredito nessa história de outro lado. Inclusive porque o tal outro lado sempre foi mimoseado com as maiores gentilezas pela grande mídia brasileira. Meu sonho é fazer um semanário chamado O Parcial, que usaria como slogan uma frase de Paulo Patarra, o criador de Realidade, a melhor revista que o país já conheceu, foi introdutora do new journalism no Brasil [new journalism à brasileira, diga-se] antes do new journalism de Gay Talese chegar ao Brasil: “Não dá para ver todos os lados de uma questão”.
“Honoráveis Bandidos” é um livro completo, por assim dizer, de bombas, mas quais tópicos podem gerar mais polêmicas?
Tenho especial carinho pelo capítulo dos Três Porquinhos, estrelando o porquinho Lobão; o “troço” que Sarney teve quando o homem da mala a seu serviço morreu num aeroporto europeu; a operação de Fernando para salvar a grana da família no seqüestro da poupança promovido por Collor; e a descrição do modus operandi no homem de Michel Temer no porto de Santos; e a perseguição de uma “perseguida” empreendida por Sarney num hotel de Nova York…
Como fez para fundamentar a pesquisa para o livro, ter acesso a documentos etc.?
Não existe um método não. Um repórter de geral, como eu me considero, parte sempre para o free jazz [improvisação musical]. O fundamental é um pouco de sorte, como te falei: encontrar as pessoas certas, os livros certos e o enfoque certo no tempo certo. Mais que isso seria aprofundar demais coisas muito simples. Dei com os burros n’água em todas as minhas tentativas de ser profundo.
Os companheiros de Senado vão ler o livro?
Espero que sim. Tem um pouco deles todos ali. JS está longe de ser o único “honorável” do pedaço. Os fatos o colocam, neste momento, como honorável-mor. Como se viu, os marimbondos não são de fogo. São de lama. Aliás, eu divido o sucesso desse livro com o JS. Se ele não fosse um personagem tão depravado, um político tão desonesto, esse livro não existiria. Infelizmente, mais da metade da pesquisa feita ficou de fora. Na verdade, o autor desse livro é o JS. Eu só relatei. Eu sou um cara desapegado, ao contrário do senador, que gosta muito de dinheiro. Se ele quiser, abro mão dos meus direitos autorais. Não vai ser um pacotão como aquele da Lunus que a TV mostrou, mas pode ser um dinheirinho bom [a Polícia Federal apreendeu R$ 1,34 milhão na referida empresa]. E desde já me candidato à vaga dele na ABL [Academia Brasileira de Letras] assim que ele nos faltar, como diria Roberto Marinho, seu dileto amigo e também imortal.
O senhor já possui uma idéia da repercussão de “Honoráveis Bandidos”?
Já escrevi um livro sobre o crime que levou Vargas ao suicídio, sobre a Guerrilha do Araguaia – um livro-reportagem que vendeu 25 mil exemplares em banca em apenas uma semana -, um livro com confissões de mulheres famosas, mas de fato a reação a Honoráveis Bandidos foi um espanto. E de novo, os meus agradecimentos a JS, viciado em dinheiro público como aqueles pobres meninos da Praça da Sé paulistana, que não conseguem se livrar do crack. A família Sarney é aquela história: o olho vê, a mão tira e o pé corre. Não tenho nada contra JS, tenho tudo contra o que ele fez com o Maranhão, as salas de aula subtraídas, os leitos hospitalares superfaturados, as estradas que só existem no papel no papel, mas já foram pagas, a espantosa mortalidade infantil no estado, modelito biafrense. E o Herodes é Sarney.
Qual sua análise sobre a cassação do mandato do governador Jackson Lago e a volta no tapetão de Roseana ao governo?
O livro fala na oposição maranhense como um grupo de sem-toga e sem-mídia. Tenho a impressão que esse grupo subestimou Sarney. Ele é uma raposa matreiríssima. É um espertalhão, faz uso da vitimologia como a filha Roseana, mas de bobo não tem nada. Acho que a astúcia dele foi subestimada pela oposição.
De um modo geral, qual a visão que as pessoas fora do Maranhão possuem daqui?
Infelizmente, a imagem que fica é a do humorista José Simão lá na contracapa do livro: “Sarney, devolve o Maranhão pro Brasil!”. Eu, que sou paraense, que conheço a beleza e o peso cultural do estado, só posso lamentar que o Maranhão continue sendo visto principalmente como um feudo do coronel. A The Economist [revista semanal inglesa] deu aquele título: “Onde os dinossauros andam”. Mas os dinossauros eram doces. Acho que JS está mais para rinoceronte. Para os brasileiros, o Maranhão é a terra daquele cara podre de rico. Mais podre que rico, como dizia seu desafeto Victorino Freire. “Maranhão, minha paixão”. A rima é pobre, mas o poeta é muito rico.
A trajetória de Sarney, em sua concepção, mostra um político de sorte, na maioria das vezes desastrosa, que pegou uma presidência da república por acaso, ou é um político bem articulado, um bom enxadrista nos bastidores?
É um pouco disso tudo. Quando comecei as entrevistas para o livro, liguei no Rio para Hélio Fernandes [proprietário do jornal Tribuna da Imprensa desde 1962]. Ele me disse então que JS estava muito mal, perto de bater as botas. Bem, aí está ele, não digo firme e forte, mas mandando mais do que nunca. Já disse uma vez que só no Brasil JS poderia chegar aonde chegou com um filho envolvido num caso de polícia. Mas aí está ele, fechando com mais um governo, com o Lula, que o chamou de “grande ladrão” e “grileiro”, participando de toda a engenharia das eleições de 2010. E aí no Maranhão, mesmo por baixo em qualquer pesquisa, é o “Fantasma que Anda”.
E essa ligação com Lula é tão próxima, ao ponto de Sarney influenciar algumas decisões na presidência ou a articulação dele é mais para ter trânsito livre para seus objetivos pessoais?
JS já foi um dos principais conselheiros de Lula, que também ouve muito o Delfim Netto. Não sei se Lula continua ouvindo o Sarney, mas que precisa dele, precisa mais do que nunca. Tudo em nome da governabilidade.
Como o senhor avalia o PT neste balaio de gato todo?
O PT pode se assemelhar hoje em dia a uma Arca de Noé, mas ainda é o único partido nacional.
A sua editora, Geração, publicou tempos atrás o livro “Memórias das Trevas – Uma Devassa na Vida de Antônio Carlos Magalhães”, do jornalista e escritor baiano João Carlos Teixeira Gomes. O livro enumera também a postura de coronel de ACM, assim como também sua ascensão no poder por muito tempo. Quais as principais diferenças entre ele e Sarney?
Vamos à diferença fundamental: ACM era querido por uma boa parcela da população baiana; JS é apenas temido, como diz o historiador Wagner Cabral, fonte fundamental de Honoráveis e da Candidata que Virou Picolé. Ninguém ama JS.
Como analisa a imunidade parlamentar?
O habeas corpus do Legislativo. O Fernandinho, que carrega um no bolso quando sai pro serviço, vai batalhar pra ganhar mais esse nas urnas viciadas do papai.
O senhor editou a revista Sexy por um bom período. O que rende mais: sexo ou política?
Sem dúvida, sexo é mais gratificante, com o perdão da palavra.
Luciana, vai uma reportagem da revista Veja, de 2002, “Eles pensaram que o Brasil era o Maranhão” para entender o Amapá de hoje. http://veja.abril.com.br/170402/p_034.html
TUDO O QUE ESTÁ ESCRITO NO LIVRO É A MAIS PURA VERDADE, INFELIZMENTE, PARA O POVO DO MARANHÃO. A NOSSA REALIDADE É AINDA É MAIS DURA. A FAMILIA SARNEY É UM CANCER AGRESSIVO QUE CORROI O MARANHÃO HÁ MAIS DE 40 ANOS.
Esta entrevista de Palmério Dória, eu adórei. É um naco de sua genialidade. Vou ao lançamento do livro, além do livro vou adquirir a camisa dos Honoráveis, e botar nas costas: 100% LADRÃO. “O olho vê, a mão tira e o pé corre.” é a síntese da prática burlesca e perversa de 40 anos de poder. Palmério, perdoe-me por esse cara ser senador do Amapá; que eu perdoo o Brasil que elegeu esse mesmo cara presidente do Senado… Ah, quase que me esqueci: torço por você para ocupar logo – a exigüidade do tempo seria generosa – a cadeira dele na Academia Brasileira de Letras.
Essa fora a melhor e mais eficaz entrevista de todos os tempos. Palmério Dória é realmente um intelectual e podemos frisar que tem sabedoria. Dessa vez o Gângster do Maranhão fora desmascarado. É, parece que o intrutor de Al Capone é muito esperto, tem capacidade de escrever um livro ao vivo e dar o mérito para Palmério. Ah, Senador…!
o brasil sor vai voutar a ser
brasil quando a familia sarney
dessaparecer do mapar ai sim nos
teremos uma vida melhor mais ar sim nao dar chegar de tantar coisa rui eles comprarao u juizes para cassaçao do madato do governado jakson lago do maranhao
ei quanto nao tira esta familha do maranhao nao vai ter educaçao
90% sao analfabeto chega bade norgetos chegou avirada vamos dar nas urnas sou de imperatriz