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Artigo

Carta aberta aos organizadores da Conferência Estadual de Comunicação – Por Luciana Capiberibe

Macapá, 27 de outubro de 2009

Estive participando durante todo o dia de ontem, 26, da reunião preparatória para a CONECOM – Conferência Estadual de Comunicação, que deverá preparar a delegação amapaense para levar propostas e discutir comunicação durante a CONFECOM(conferência Federal de Comunicação) e venho através desta carta sugerir que a CONECOM seja regida por regras e dinâmicas de funcionamento muito claras pelas razões que exporei adiante.

O objetivo dessas conferências é muito ambicioso pois pretende mudar a política nacional de Comunicação sob a ótica de três eixos principais:  “Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: Direitos e Deveres”. Isso  significa potencialmente introduzir maiores cargas de produções regionais nas emissoras de TV e rádio, cirar uma nova política de financiamento para TVs públicas e rádios comunitárias, criar uma política nacional de banda larga pública e gratuita, definir critérios para a publicidade oficial, alterar os critérios de outorga e renovação de concessões e permissões de rádio e televisão. Ou seja, trata-se de uma potencial reviravolta no sistema nacional de comunicação.
A reunião preparatória de ontem foi preocupante, não pelo nível dos participantes, ou pelo seu conteúdo, mas pela falta de divulgação do evento o que causou o não comparecimento dos interessados e também pela falta de articulação das idéias que estavam sendo emitidas ali. Não havia uma integração entre os diversos assuntos e nem um eixo central que organizasse as idéias e propostas que estavam sendo levantadas. Também havia um clima de medo de críticas ao atual sistema, retratado numa resposta do secretário estadual de comunicação à pergunta de uma participante da preparatória, ela disse que era necessário rever a política de distribuição de “jabá” feita pelo governo do Estado. Em resposta, o secretário Marcelo Roza disse que a política do Jabá não existia e que a política adotada atualmente por ele é uma política que não havia começado agora, que vinha de governos anteriores, justificando prováveis erros. Na minha opinião, ainda que a afirmação do secretário seja verdadeira,  não significa que esta não seja uma realidade que precisa ser mudada. É preciso que todos tenham serenidade e que se predisponham a discutir pois o objetivo da CONECOM é ouvir todos os segmentos – movimentos sociais, empresários e governo – e não está aí embutida uma relação de subordinação.
Depois de participar pela manhã e a tarde eu tive cerceado, junto com outros dois companheiros que lá estavam, o direito de fazer uma pergunta. Me inscrevi para fazer um questionamento e ouvi ao final da rodada de perguntas a informação de que não iria fazer minha pergunta acompanhada de um pedido de desculpas porque tinha acabado “o tempo”, sem que esse tempo tivesse sido definido anteriormente. Já falei isso para uma colega e repito aqui, claro que é chato não ter o direito de falar depois de ter cumprido a risca o dever de ouvir, mas indo um pouco além,  essa situação revela que em uma discussão que inclui embate de idéias muitas vezes opostas, é necessários que existam regras claras para que o debate ocorra mesmo de uma forma democrática e justa.

Atenciosamente,

Luciana Capiberibe

Blogueira

Diretora de Comunicação do Sintaxi

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

5 comentários para “Carta aberta aos organizadores da Conferência Estadual de Comunicação – Por Luciana Capiberibe”

  1. A atual política de comunicação do des(goes)verno pode ser resumida assim: “repita uma mentira mil vezes e ela se tornará uma verdade”, isso só pode ser realizado com a participação ma$$iça da mídia… e toma-te jabá sumano!!

    Escrito por Carlos Picanço | 27/10/2009, 12:11
  2. Sou membro(suplente)na COE(Comissão Organizadora Estadual)representando a ABRACO, e presenciei a falta de respeito com que a jornalista Luciana Capiberibe foi tratada juntamente com mais 2 participantes. E em sinal de protesto e de solidariedade aos que foram agredidos eu e mais 5 companheiros nos retiramos do recinto para que todos entendessem que não concordamos com esse tipo de comportamento que a mesa adotou. Concordo plenamente com as críticas feitas pela Jornalista, acho que a COE foi muito infeliz e imatura na sistematização do evento preparatório, principalmente no sentido pedagógico, e esperamos que o próximo evento seja discutido com toda COE no intuíto de melhorarmos.Como membro da comissão, desde já, peço desculpas a jornalista e agradeço as críticas e sugestões.

    Escrito por Mauricio Medeiros | 27/10/2009, 23:05
  3. Será que o “lobatinha” um dos maiores receptores de “jabas” está participando desse evento!?

    Escrito por Nezimar Borges | 28/10/2009, 11:20
  4. Olá Luciana,

    É lamentável que esse fato tenha ocorrido na reunião preparatória da Conferência Estadual de Comunicação.
    É notório a falta de articulação de idéias sobre a Comunicação que queremos e que Comunicação a sociedade precisa.
    Sua persistência é fundamental para o sucesso desta Conferência, pois vai fortalecer a vontade e atitude das pessoas que fazem uma comunicação independente, autônoma e livre.
    A correlação de forças faz parte deste processo, você não é cretina e vai encontrar companheiros (as) para o enfrentamento do debate.

    Sua participação é imprescíndivel!

    Um Forte Abraço.

    Ely Almeida.

    Escrito por Ely Almeida | 28/10/2009, 11:26
  5. Presenciei esta cena lamentável no Centro de Convenções Azevedo Picanço, onde todos os inscritos usaram da palavra e quando foi a sua vez, de uma forma brusca, a mesa não permitiu que vc e outras duas pessoas inscritas falassem. Ora, num seminário de Comunicação, isto é inaceitável. Me levantei e saí do evento em sinal de solidariedade e protesto. O próprio formato do seminário não foi bem definido. Esta 1ª Conferência Estadual de Comunicação é justamente uma oportunidade única para tentarmos melhorar a forma de fazer comunicação no Amapá, socializarmos os recursos públicos, acabar com este atrelamento promíscuo da imprensa com o poder público, dar transparência nestes gastos públicos, denunciar este monopólio que existe aqui, enfim, fazermos uma comunicação de qualidade e livre.

    Escrito por José Carlos Silva Carmezim | 30/10/2009, 9:54

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