Nos últimos anos a mídia declinou-se numa cruzada contra o Movimento brasileiro dos Sem Terra. Mas por que isso se deu? Resposta apressada por aquele “cidadão” anestesiado pelos interesses dos meios de comunicação: “Porque o MST é contra a lei e contra quem produz”. Mas há de se fazer uma série de outros questionamentos, e, antes de qualquer reação à ação midiática, notar os grandes interesses por trás de tais atos da mídia em rotular esse Movimento de criminoso e criminalizar movimentos sociais que interferem em seus interesses. Analisar as circunstâncias da fala retórica do oligarca maranhense na defesa, aspas, desse Movimento. E fazer alguns questionamentos para se dá maior importância à Causa do MST, como por exemplo: qual é umas das causas de tantos assaltos nas médias e grandes cidades? Ou, uma, de tantas causas do desemprego e do subemprego em todo o país? Ou, as causas de tantas pessoas morrerem de câncer em diversos hospitais brasileiros? Ou, uma, de tantos outros porquês de crianças nascerem com má formação fetal, por exemplo? Ou o problema da moradia que afeta várias famílias em diversas partes do país?
Não é o acaso de a América Latina ser o lugar mais fervilhante, onde políticas extremamente antagônicas lutam por espaço e por hegemonia ou de uma elite, ou de uma massa de cidadãos que sempre foram alijados das decisões políticas, onde o exemplo de Honduras reflete às veias abertas nesta parte do globo. Mas onde entra o MST nisso?
Esse Movimento apresenta similaridades com outros movimentos populares em diversos países da região, Movimento justo por um pedaço de terra para cultivar a agricultura familiar. E claro, a mídia vê com preocupação o aumento desse Movimento, o qual se reforça com as vitórias de outros movimentos populares em outros lugares da America Latina.
Porém, o que faz os meios de comunicação anestesiar as mentes desinformadas são exatamente duas formas que afetam seus interesses e que fazem “matar com uma só cajadada” quando das matérias tendenciosos. Um, de satisfazer seus clientes – empresas transnacionais que pagam caros comerciais, como por exemplo, a Bayer e a Monsanto e outras ligadas às áreas do agronegócio. Outro, criminalizar essa e outras formas de apelo social como se fossem ensejos de uma classe feita por bandidos e, ligar esse movimento como se fosse análogo a outros que já foram atropelados pela História, sem objetivo algum. Para ela, não vale analisar as respostas dos questionamentos acima, ou, não vale dizer que a grande propriedade agrícola concentra-se nas mãos de poucos latifundiários, ocasionando tensões sociais e conflitos tanto no campo quanto nas cidades.
Mas o que intriga é ver o discurso do lacaio do poder econômico defendendo o MST, denunciando a “demonização” do Movimento. Ao ver sua fala poderia se dizer aquele jargão: “ah, eu tôô maluucooo!”. E não é mesmo que Sarney defende o MST e denuncia a criminalização do Movimento pela mídia. Mas como isso foi possível?
A análise do que se pode desprender de tais atos é que o oligarca possui papel privilegiado na sustentabilidade do governo Lula. E, nas circunstâncias recente à do seu discurso, onde quase foi alijado do processo político sendo salvo pelo presidente, que rebate a maior defensora do seu ostracismo, a mídia. Onde o papel de aliado incondicional do presidente ajuda a debelar qualquer ação de tentar desestabilizar o governo através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, por exemplo. Em que qualquer ação contrária às pretensões do planalto ajudaria o seu adversário mor de todas as horas, e queridinho da mídia, José serra. Por esses argumentos é que se pode tentar entender a “defesa” do caudilho ao MST, onde em outros tempos já mandara a polícia para atacar os despossuídos na eminência de invasão de uma de su as várias propriedades.
Importante expor em que circunstâncias esse Movimento começou a ganhar corpo ao ponto de hoje preocupar grande parcela da elite brasileira: o regime militar, nos seus vinte anos, sufocou a luta dos trabalhadores pela terra, incentivando com subsídios os grandes proprietários e latifundiários a produzir em grande escala em detrimento dos pequenos e médios produtores camponeses, além de não fomentar a agricultura familiar, e, com a agonia do regime no final da década de 70 e inicio dos anos oitenta, com a eleição de vários governos “progressistas” como os do antigo MDB, os quais prometiam resolver os conflitos no campo com uma reforma agrária ampla.
A partir desse momento começou as invasões de terras improdutivas em vários estados brasileiros. Os trabalhadores viram a oportunidade de se organizar, com a ajuda de padres progressistas através da Pastoral da Terra, a lutar pela terra, pela reforma agrária; e o que mais preocupa as elites – a lutar por mudanças sociais – pois acredita-se que não há reforma agrária sem mudanças sociais; a principal, o modelo de produção capitalista, a qual somente visa o lucro a qualquer custo; a concentração de grandes extensões de terra nas mãos de poucos latifúndios que, em muitas dessas terras são devolutas ou terras improdutivas concentradas nas mãos fazendeiros.
Assim, na sua recente história, já na década de 90, os conflitos no campo se agravaram com o modelo neoliberal e o MST cresceu como força política e social em decorrência dessa política: do agronegócio; da mecanização do plantio e da colheita; dos subsídios aos grandes proprietários. Políticas que forçavam e forçam os trabalhadores rurais a se deparar com embates, tanto com a UDR que é um grupo de ruralistas de direita, quanto com o próprio Estado, pois suas políticas são ineficazes e tornam-se inviáveis dentro desse modelo de produção. Entrave que cada vez mais coloca o trabalhador, o ser humano, como mero objeto secundário diante do primário – o lucro. E invasões são feitas para denunciar irregularidades e concentração de terras da União usurpadas por pilantras grileiros endinheirados, como é o caso da fazenda de laranjas Cutrale, invadida pelo MST na última semana.
A invasão da fazenda Cutrale foi premeditada para denunciar junto à sociedade a grilagem das terras da União, as quais foram adquiridas pelo governo federal no inicio do século passado para assentar imigrantes europeus.
Esse “ataque” do MST foi exaustivamente explorado pela elite e pela mídia brasileira. Caso de Causa e Efeito. A mídia ataca o efeito e disfarça ou esconde o causa da invasão.
Toda essa problemática é uma entre várias causas de conflitos e tensões sociais urbanas, que cada vez mais acontece o êxodo rural, onde famílias inteiras se deslocam do campo para as cidades, atrás de uma oportunidade que não encontram no campo, pois o agronegócio, com automação, expulsa uma grande massa de trabalhadores para as cidades, elevando as estatísticas de desemprego, da violência; da marginalização; sem um local para morar criam “guetos” e invadem áreas de preservação ambiental, dentre outros fatores do desequilíbrio no campo e nas cidades.
Mas o que a grande mídia esconde são as causas nobres e humanas do Movimento. Além da defesa do pequeno agricultor na posse da terra, do emprego, do trabalho e do direito ao cultivo comunal da terra pelos pequenos, ela também esconde o grande problema de saúde pública decorrente da produção pelo agronegócio: o cultivo em grande escala de sementes modificadas e agrotóxicos totalmente nocivos à saúde humana.
Porém o que muitos não sabem é que pesquisas apontam para o perigo dos alimentos transgênicos, pois esse tipo de agricultura requer um tipo de veneno específico para seu sucesso. Agrotóxicos que causam o desenvolvimento de uma variabilidade de células cancerígenas se esses alimentos forem consumidos ao longo da vida. E mais, o dano causado aos trabalhadores em contato direto na colheita desses alimentos, prejudicados por inalarem o ar contaminado com esses venenos. Afetam fazendas e sítios nos arredores com esse tipo de plantio. Ocasionando, em muitos casos, a má formação do feto pelas grávidas em contato com ar contaminado pelos agrotóxicos, despejados por aviões a grandes extensões de áreas.
E o que é mais grave, a pressão sobre os pequenos para aderirem à cultura transgênica. Veja, a agricultura em décadas iniciantes do século passado era composta por uma grande leva de pequenos agricultores que cultivavam a terra quase sempre para a sua subsistência e outros para abastecer o mercado interno. Nessa época, o mercado interno se autossustentavam. Mas agora, com o advento da engenharia genética, especialmente os grandes que cultivam os transgênicos, alteram o modelo de produção. Com o apoio capitaneados por políticos de direita e por aliados dos ruralistas, implementara leis sobre a legalização de tais cultivos.
Contudo, essas gigantes do capital, como a Monsanto, por exemplo, “pressionam” os pequenos a cultivarem transgênicos, cuja “tentação” sobre os mesmos é grande, pois eleva consideravelmente a produção chegando a um aumento em mais da metade do que seria cultivada com sementes convencionais orgânicas, principalmente por serem sementes transgênicas que biologicamente são mais resistentes a grande variabilidade de pragas. Além de serem insistentemente protegidas pelas tecnologias especiais de agrotóxicos dessas grandes empresas. E os pequenos e médios agricultores ficam, literalmente, nas mãos dessas grandes empresas, pois, como se sabe as sementes do vegetal modificadas não serve para o replantio, onde suas sementes não brotam vida, e, esses agricultores todo ano têm de comprar novas remessas dessas sementes além , claro, de todo material indispensável para o cultivo como inseticidas e agrotóxicos especiais.
Sobre os transgênicos, os inseticidas e agrotóxicos especiais, um fato fartamente exposto na mídia, o ataque de Sem Terras a uma empresa no Rio Grande do Sul anos atrás: A mídia escondeu que era um ataque contra pesquisas transgênicas em um conhecido laboratório de uma multinacional americana atuante do setor no Brasil. No entanto, se questione se alguns desses apresentadores, os da rede globo, por exemplo, se comem alimentos transgênicos. Os ricos podem pagar por alimentos 100% orgânicos, eles sabem que aqueles fazem mal a saúde. Enquanto os pobres…
É contra todas essas ações que o Movimento luta, em favor não de um ou de outro, mas de todos. Em favor de certos conceitos justos, para melhoria da maioria, especialmente em relação à saúde, pela quebra de paradigmas tanto do ponto de vista Econômico – uma nova forma de produção, que não vise somente o lucro; Político – uma nova mentalidade humana sobre implementação de novas leis que sobrelevem o ser humano, sobretudo; Cultural – uma nova mentalidade na aquisição de bens de consumo e principalmente Social.
E, quando se vê a mídia atacando o Movimento e oligarcas em sua defesa, pense e reflita antes de qualquer opinião precoce, quê interesses estão por trás principalmente de atos que canalizam para uma dicotomia de opiniões entre pares tão semelhantes: mídia e oligarquia.
*Nezimar Borges – Tecnólogo e Professor
HTTP://www.nezimarborges.blogspot.com
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