Todo mundo sabe que Roberto Goés (PDT) já foi cassado quatro vezes por decisão monocrática proferida por dois juízes de primeiro grau da Justiça Eleitoral do Amapá, Marconi Pimenta e Sueli Pini.
Notório também que apesar disso voltou ao cargo através de liminares sustentadas por argumentos pouco convincentes do ponto de vista jurídico. Até por que a fraude é a fraude, não pode ser relevada por causa do desempenho do prefeito em campanha eleitoral, ajudado pelo primo governador de olho na cadeira de senador.
Quem dera que Macapá precisasse só de asfalto, luz verde e cravos amarelos que enfeitam as praças e rotatórias da nossa cidade desde que Roberto Goês assumiu a PMM, o que não é muita coisa, mas já é uma força, tudo bem.
Sobre destino do prefeito, advogados de boa cepa garantem, aliás, que pedetista não tem como escapar, o que não significa dizer que será cassado por aqui mesmo, embora isso não esteja descartado, afinal de contas a soma das fraudes que o elegeram, levando em conta a robustez das provas, não pode ser olvidada para sempre sem o comprometimento do TRE do Amapá.
Um dos abusos foi o uso indevido dos meios de comunicação social dando versão conveniente aos fatos, publicando pesquisas de origem duvidosa, conduzindo o debate para fazer a cabeça do eleitor. Foi um setor bem aquinhoado pelo novo Prefeito, basta querer enxergar.
Empresários de rádio, televisão, jornal, amigos, filhos, locatários de programas de opinião ganharam bons contratos e cargos importantes; outros foram nomeados para uma assessoria ali, outra boquinha acolá graças a um serviço de concessão pública usado para ferir de morte a normalidade da eleição, como provam cassações impostas ao Roberto.
Uma revelação também de que a mídia chapa branca PERDEU, mas levou…Ou melhor, não empolgou a massa eleitora, não teve credibilidade para construir o resultado do interesse da elite política: a vitória do candidato situacionista no primeiro turno, ele que por pouco, por muito pouco não ficou fora da disputa, ameaçado pelo crescimento de Lucas Barreto.
Portanto traduziu-se um fiasco a orquestração contra adversário direto de Roberto, sabotado nos debates, atacado em todas as emissoras de rádio, em todos os canais de televisão do Estado e páginas de quase duas dezenas de jornais, incluindo os diários, mantidos pelo Governo do Amapá na sua obsessão de domínio total dos meios de comunicação.
Conclui-se, Igualmente, que apesar da intolerância fora inútil campanha feita no mesmo estilo, ou seja, às claras, sem qualquer subterfúgio, objetivando super estimar as possibilidades dos candidatos Roberto Goês (PDT) e Lucas Barreto (PTB), este também candidato da direita, assumido de última hora por um grupo de empresários que não acreditava no candidato do governador.
Definitivo é que até onde pôde o povo resistiu, mostrou nas urnas a sua insatisfação não apenas contra os proprietários dos meios de comunicação, mas também contra Waldez e Sarney, contra grande maioria dos deputados estaduais, dos deputados federais, vereadores e senadores Papaléo Paes e Gilvan Borges, considerando que eles também oferecem sustentação ao quadro desanimador a que está submetida a população do Amapá em áreas essenciais, como da saúde, da educação e da segurança pública.
Daí é que conversei com alguns militantes do PSB, PSOL e PMN; queria saber como uma candidatura enfrentado desgaste interno, ainda tivera força para enfrentar um império eletrônico, o poder político, econômico dos governantes e do empresariado entrincheirados na tentativa de impedir a eleição de Camilo Capiberibe. Explicam militantes do PSB e do PSOL que a performance dos candidatos da oposição não se deveu apenas aos desmandos do Governo e de aliados a frente da administração do Estado, embora isso tenha colaborado.
Além do perfil dos candidatos recomendado pela boa leitura dos fatos, prevaleceu no primeiro turno o trabalho de esclarecimento que a oposição levou para o trabalho de corpo a corpo com o eleitor sofrendo na carne a ausência das ações de governo, vítima da corrupção, da indiferença, da má utilização do dinheiro do contribuinte; e aí entrou o esclarecimento sobre a mídia, como ela funciona, quem está por trás dela, quais os interesses que a move, quem banca e qual tem sido seu papel nos últimos pleitos eleitorais no Estado.
Segundo militante do PSB esse tipo de trabalho mobiliza a militância socialista, os chamados núcleos de base, e tem ajudado o povo a compreender o que se passa nos meios de comunicação social do Amapá e a se prevenir; a ideia é “vacinar” o eleitor contra a sonegação da verdade, o alinhamento da notícia, coisas que não combinam com a diversidade de opinião, com o debate plural e democrático da realidade amapaense. É uma outra frente de luta, a do esclarecimento, da denúncia do aparelhamento do Estado e dos seus malefícios.
Quanto aos números do segundo turno, que reverteram a eleição em favor de Roberto Goês e poderiam rechaçar a tese dos socialistas, essa é outra história, talvez a mais escabrosa que já vi em 43 anos de imprensa, desde que entrei pela porta da frente do semanário A Voz Católica movido pelos meus vinte anos de esperança na transformação desta terra em que nasci, achando que trabalhando em jornal poderia ajudar a construir um mundo melhor.
Verdade é que não tinha como boa parte do povaréu desempregado, pobre e ignorante resistir à mega reação organizado pelo asqueroso senador José Sarney jogando solto contra os que não se vergam à sua passagem por este lugar; custou milhões de reais, uma pequena fortuna que faz falta a um estado pobre, a uma cidade, como Macapá, sem abastecimento de água e serviço de esgoto que satisfaçam as necessidades da sua população, reclamando investimentos que não saem do papel por que o governo não sabe fazer projeto.
E nesse episódio digno de uma camorra, verdade se diga, os tubarões dos meios de comunicação social e outras piabas que sobrevivem da desinformação não passaram de coadjuvantes, ou foram limitados ao papel de figurantes. O que desequilibrou mesmo foram os cifrões da operação “Faz-me rir” feita com dinheiro de origem duvidosa. O nome da operação resulta de uma constatação curiosa: quando o eleitor era abordado ficava sério, mas quando via as notas novinhas de 100 e 50, invariavelmente ria…Riam todos, aliciados e aliciadores…
Joaosilva.ap@uol.com.br (comente comigo)
Parabéns o jornalista João Silva conseguiu retratar como poucos o que foi a eleição de 2008 a mais roubada da história do Amapá
Caro João Silva, você é dos poucos homens sérios que temos na imprensa, prova disso é que não se vendeu para máfia que governa o Amapá hoje. Parabens! Quanto a eleição de 2008 onde a máfia decretou que Roberto Góes seria o prefeito, se as leis existentes fossem cumpridas e pelo que eles fizeram na campanha o Senhor Roberto Góes era para esta no IAPEN E não na PMM.
Caro amigo, muitos anos se passaram desde a minha saída de nossa querida Macapá, pelo menos uma vez por ano tenho ido a nossa cidade muito rapidamente visitar filho e netos que ai deixei. Meu intuito com este comentário é parabeniza-lo pela competencia e coragem de ir contra os que teimam com suas incompetencias tornar o nosso estado em vergonha nacional.
Quando de minha ida a Macapá possivelmente no final deste mes, tentarei localiza-lo para lhe oferecer um grande abraço.
Saudações do contemporaneo.
Artigo importante para relembrar como este prefeito foi eleito robando a eleição e que o Eraldo Trindade 101,9, o Davi Alcolumbre da band e varios outros apadrinhados dos meios de comunicação receberam pelo serviço sujo que fizeram para enganar a população
Porá cara, tu tens a graça divina da palavra