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Por onde andam nossos armadores e seus estaleiros? – Por professor Alcides de Oliveira

No Estado do Amapá, dentre outras, existe uma classe de pessoas muito especiais, que no seu labutar do dia a dia as fazem assim pois esse labor só pessoas especiais laboram, por se tratar de um ofício que trás no seu bojo conhecimentos passados de gerações a gerações, de pai para filho, conhecimentos esses adquiridos através da vivência, da experiência vivida, do errar e do acertar, aperfeiçoando assim o produto final de seu trabalho. Esses conhecimentos adquiridos e esse trabalho a realizar, e realizado, é que fazem essas pessoas especiais, pois os produtos do seu trabalho são embarcações, são canoas, puque-puques, barcos menores e maiores, catraias, são objetos para se navegar nessas imensas águas da Amazônia, singrando os rios e oceano, furos e igarapés, transportando pessoas com suas vidas e infelizmente outras sem vida, transportando mercadorias, transportando mudanças de vidas, transportando esperança de ribeirinho, transportando pescado, madeira, bicicleta, gás, alimentos, transportando crianças e idosos, homens e mulheres, padres, freiras e pastores, transportando santos, transportando Deus, transportando em um transporte construído com as próprias mãos calejadas de um “armador” naval nato, construído com o suor, a força, a inteligência e o dom de construir embarcações, sem ao menos ter estudado para tal, sem ao menos ter aperfeiçoado o trabalhar com a matemática, com a geometria, com cálculos aprimorados para a feitura de uma embarcação, um armador muitas vezes ribeirinho, de pouco ou nenhum assento de escola, a não ser a escola da vida, responsável essa, pela capacidade desse armador ou desses armadores, produzirem embarcações de todos os feitios, facilitando sobremaneira a vida das pessoas que necessitam transitar por esses mares de água no dia a dia. Fantásticos armadores navais, que de amadores jamais poderão ser chamados, pois nesse labutar são mestres, dão aula, são experts, são professores, são artesãos profissionais na construção de embarcações, a suas produções sendo admiradas por todos e para todos ao dispor se necessitarem.

Onde estão esses mestres armadores? Onde estão seus estaleiros? Esses mestres estão no meio do povo comum, quando deveriam estar dando aulas em universidades, esses armadores estão na beira dos rios, na beira do mar, na beira dos igarapés, pois é ali que está o seu estaleiro para construir barcos, ali está a sua traia para construir catraias, ali está  o seu gibão para construir canoas, ali está o seu alforje para construir puque-puques e tudo isso com ele estão para construir e reconstruir a herança deixada pelos seus antepassados na questão da busca de deixar para os seus filhos a magia do conhecimento que um armador ribeirinho tem, na busca de poder perpetuar a sensibilidade de ser construtor de embarcações, tendo como estaleiro, muitas vezes a sombra das árvores das florestas e a companhia dos rios e igarapés, da companhia dos biguás, da companhia das marés, da companhia de seus pensamentos voltados para a construção de mais uma embarcação, da companhia de pensamentos voltados para o que resultara de seu trabalho, na satisfação de terminar mais uma obra prima e dai poder satisfazer as necessidades que porventura a sua família tiver.

Obreiros da navegação fluvial do Estado do Amapá, merecem dias melhores, merecem melhores condições de trabalho nos seus “estaleiros”, merecem ser olhados com carinho na execução do seus trabalhos, e serão olhados, pois felizmente alguns políticos sensibilizados com a situação, estão voltando os olhos para esses armadores tucujus, por décadas esquecidos, mas que agora com muita esperança, melhoras chegarão para a profissão de armador amapaense, assim como para os seus estaleiros cheios de suor e esperança.

Professor Alcides de Oliveira

alcides.oliveira2005@ig.com.br

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

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