No dia 26 de setembro de 2009, como Secretaria Nacional do Movimento Negro do PSB, participava do I Encontro dos Movimentos Sociais do PSB, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
No meu retorno ao Município de Macapá, Estado do Amapá, depois de fazer o check-in, no aeroporto de Belo Horizonte- CNF no vôo Internacional – JJ 8056 saindo às 19h45 com conexão para o Rio de Janeiro. Antes de chegar à sala de embarque, ao passar na fiscalização, disparou o bip. Como pede os procedimentos da lei retornei, e tirei minha pulseira de metal, já que meu notboock, bolsa e celular passaram tranquilamente na parte da esteira.
Ao passar sem a pulseira, disparou o bip novamente. Seguindo orientação dos servidores da INFRAERO, retirei o par de sapatos e coloquei na esteira, e o bip desta vez não disparou. Portando naquele momento achei que estaria liberada. Pois este era o procedimento que estava sendo adotado com os demais passageir@s.
De repente duas funcionárias de responsabilidade da INFRAERO pedem que eu aguarde ao lado para uma inspeção, logo fiquei assustada e perguntei. Qual seria o motivo? Elas me responderam, com a seguinte frase: tire o seu turbante da cabeça, e eu me neguei a atender tal solicitação uma vez que ao passar sem sapato e pulseira o detector não disparou, portanto meu turbante não teria nada. O meu passaporte recém tirado em Macapá, a minha foto está com turbante, o que sabemos é que é proibido chapéu, pano que encubra rosto etc..
As duas moças pediram para que eu as acompanhassem até a sala de inspeção, e lá dentro elas disseram: agora tire o turbante aqui dentro. Respondi: não vou tirar, se quiserem tirem vocês e amarrem de volta novamente, a inspeção é de vocês e não minha. Elas responderam que no caso de não atender por livre vontade teriam que acionar a Policia federal, respondi: podem chamar a polícia federal, e elas imediatamente pediram minha carteira de identidade, para acionar a polícia.
Infelizmente só tinha na bolsa a Carteira de Vereadora, quando entreguei a elas, senti no olhar das duas algo estranho. Imediatamente resolveram pedir informação para seus superiores e me liberaram. Neste momento solicitei a cópia da Lei de tal exigência e informações de onde registrar uma ocorrência policial, só que não deu tempo, pois meu vôo já estava liberado para o embarque. Passei por um momento que jamais esquecerei: só sabe a dor do racismo quem passa por ela.
Cristina Almeida é administradora de empresas, funcionária da Assembléia Legislativa do Estado e vereadora pelo Partido Socialista Brasileiro- AP.
Cris que bom que você é vereadora, e estava com a carteira da vereança. Caso contrário você teria perdido o vôo( avião não espera), teria passado por um terrível constrangimento, pois teria que tirar o turbante. A atriz Solânge Souto, passou por esse mesmo problema numa agência da Caixa Econômica no Rio de Janeiro,aborrecida tirou toda roupa na frente de todo mundo e pediu ajuda para o fim do constragimento e humilhação em nome da segurança.
Vereadora Cristina,
Vi algo semelhante na tevê, filmado por um celular: uma doméstica tentava transpor a porta giratória de um Banco (em São Paulo, salvo engano), e o bip impedia a sua entrada. Ela já tinha tirado tudo que pudesse acionar o alarme, mas o bip travava todas as suas tentativas. A doméstica, desesperada, resolveu então tirar a sua blusa. Ficou despida da cintura pra cima. E, aos berros, disse que precisava entrar no Banco. Esse pequeno e humilhante strip-tease, seria repetido por você, se não identificar-se vereadora. Se você tivesse tirado o turbante, elas certamente fariam você tirar também as roupas íntimas. Vamos ver se o leitor acerta: o que movia a suspeita à Cristina? O turbante (ela poderia ser uma mulher-bomba do Bin Laden), ou a sua cor de ébano? Por isso que sou a favor das cotas. Dizem alguns que são contra, porque no Brasil fica difícil distinguir quem é branco, pardo ou negro. Imagine o seguinte: há um negro, um branco e um pardo, suspeitos, correndo na rua; adivinha quem a polícia vai pegar por primeiro? Discriminação racial velada é pior ainda, porque o racista usa máscara…
Ademir Pedrosa
De prosa, de rima.
Na condição de afrobrasileiro e dirigente do PSB em São Paulo, a minha solidariedade à grande vereadora/Senadora Cristina de Almeida.
A nossa luta contra o racismo também exige que nosso PSB atue de forma eficaz nos projetos de leis de Ação Afirmativas a fim de se impor no Brasil a diversidade HUMANA.
Como ativista e militante tenho pedido ao PSB não apoiar as leis raciais em trâmite no Congresso, pois, Ações Afirmativas pode e deve ser feita sem o recurso à adoção de ´raça´ estatal.
José Roberto F. Militão, advogado, membro da Comissão de Assuntos AntiDiscriminatórios -OAB/SP e Presidente do PSB-Zonal LAPA – Capital – São Paulo
Parabéns Cristina Almeida… pela sua garra, coragem e determinação! Por essas e outras é que me orgulho de ser sua amiga, colaboradora e principalemente sua eleitora. Viva Você Cristina Almeida… Viva o seu mandato de Vereadora… Viva a Câmara de Vereadores de Macapá por ter você como uma mulher política de um quilate maior… Conte comigo sempre!…