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Memórias de um governo que deu certo – A revolução de Capiberibe no Amapá – Por Roberto Menezes

Do sítio do Jornalista Antonio Correa Neto

Fevereiro de 2002. Estou no Amapá, contratado pela Fundação Getúlio Vargas, para um vídeo-reportagem sobre práticas públicas avançadas que poderiam integrar o Programa Gestão Pública e Cidadania, da FGV. Eu e o câmera Valdir Afonso, uma equipe de duas pessoas somente para maior liberdade de investigação e captação de entrevistas. Partimos primeiro para uma radiografia da realidade. A fala oficial, a do Governador João Alberto Capiberibe, ficaria para o final. Eu não o conhecia, só de nome. Nunca o entrevistei. Fomos de carro alugado para evitar as costumeiras intervenções oficiais na realidade. Meu objetivo era primeiro ouvir o povo, checar o que estava acontecendo, e se fosse preciso, desmistificar. Tinha carta branca da Fundação Getúlio Vargas que ia premiar o Projeto. Mas o projeto tinha que mostrar a que veio. Atravessamos parte da floresta, de Macapá até Laranjal do Jarí. distante 212 quilômetros da capital. A estrada é estreita, parece mais trilha de caçador, ladeada por árvores enormes, num caminho intransitável quando chove. Por sorte, a chuva deu um tempo. Em Laranjal do Jarí procuramos logo a COMAJA, uma cooperativa onde trabalhavam, em vários turnos, quase 100 pessoas, a maioria mulheres. A COMAJA recebia total apoio e assessoria técnica do Governo do Estado. O gerente e operário, Antônio Cunha, nos explicou como funcionava a cooperativa: “aqui a gente faz o aproveitamento total da castanha. A massa da castanha é comprada toda pelo Governo do Estado para a fabricação dos biscoitos para a merenda das crianças nas escolas. É um biscoito forte, nutritivo, porque a castanha do Pará, que nós chamamos castanha do Brasil, é forte e ajuda a manter a saúde. A casca vira combustível para a nossa caldeira. E até as castanhas que apodrecem nós agregamos valor: transformamos em óleo para fazer sabão. Assim, utilizamos a castanha toda e ganhamos muito com isso. A nossa vida mudou.” Ali eu estava vendo uma das pontas do Projeto Castanha do Brasil, um programa de desenvolvimento econômico do Amapá. Ao mesmo tempo, via nascer uma nova matriz econômica para a Amazônia, baseada no Programa de Desenvolvimento Sustentável, implantado pelo governador João Alberto Capiberibe. De Laranjal do Jarí acompanhamos na balsa o pernambucano Adelson Souza. Ele veio de Petrolina, sertão de Pernambuco, em busca de trabalho no Amapá. Chegou no tempo certo: a fábrica de biscoitos de castanha começava a funcionar. Adelson, que era pequeno agricultor sem terra em Pernambuco, fez um curso promovido pelo governo estadual, passou por um processo de seleção e ganhou o cargo de gerente industrial. De segunda a sábado, pega a balsa no rio Jarí e vai até a outra margem, que já é no Estado do Pará. Daí pega carona em kombis ou camionetes que saem pela estrada de barro até a beira do rio Iratapuru. Adelson vai numa espécie de lancha pequena , quase sempre lotada. A lancha é conhecida como “catraia” ou “voadora”. É o único meio de transporte para a Reserva do Iratapuru, onde fica a fábrica de biscoitos de castanha. Ali os castanheiros e castanheiras administram a fabricação do produto, através da Cooperativa de Produtores de Castanha do Iratapuru. A fábrica tem um contrato com o Governo do Estado para a venda mensal de duas toneladas de biscoitos, só para complementar a merenda de todas as escolas do Amapá. A outra parte é vendida para o comércio das cidades ou transformada em óleo para saladas e como substituto do óleo de oliva. O excedente de castanha não utilizada nos biscoitos nem no óleo é embalado para o comércio internacional, através dos caminhos abertos pelo Governo Capiberibe. Antes do Projeto Castanha do Brasil, nem os turistas nem a população de Macapá encontravam castanha para vender na cidade. Os atravessadores levavam tudo, lá da floresta mesmo, e vendiam em outros estados do Brasil e no exterior. Pagavam a cada castanheiro o equivalente a uma lata de leite em pó por 100 litros de castanha. Com isso, os atravessadores manipulavam a fome das famílias, todas com muitos filhos para alimentar. Os castanheiros se sujeitavam e se matavam no trabalho para juntar a maior porção de castanha que podiam conseguir para comprar o leite das crianças. . Muitos morriam ao atravessar as corredeiras perigosas do rio porque iam buscar a castanha cada vez mais longe. Agora, existia em Macapá o Mercado de Produtos da Floresta, administrado pelos castanheiros, artesãos e outros pequenos produtores do Amapá. “A castanheira Elizabete Santos disse que o Governador Capi, como o povo carinhosamente o chama,” mudou a vida de todos. Agora temos água, luz elétrica e um preço justo pela castanha que colhemos. É a nossa maior riqueza e a gente vivia como escravo nas mãos do atravessador. Mas o governador Capi acabou com isso e, graças a Deus e a ele, castanheiro hoje é gente”. No último dia de filmagem, procuramos o Governador João Alberto Capiberibe. Era noite e ele nos recebeu no seu gabinete. Em poucas palavras definiu a revolução que tinha começado no Amapá: “Na verdade, a fábrica no coração da floresta é o embrião desenvolvimento sustentável. Sabemos que daqui a 15 ou 20 anos, a Reserva do Iratapuru será um centro urbano. Com a diferença que além de atividades econômicas sólidas este centro urbano estará em harmonia com a floresta. Queremos provar não existe um modelo único para o desenvolvimento.

E fazemos isso em plena década de ouro do neo-liberalismo, contrariando completamente as teses de que a História acabou. Enfrentando os interesses dos poderosos, nós estamos provando justamente que a História continua.” Nos anos de chumbo da ditadura, Capiberibe e sua mulher, Janete, viveram em Olinda. É nesta cidade, Patrimônio Cultural e Histórico da Humanidade, que vive até hoje a artista plástica Tereza Costa Rego, bela e criativa nos seus 80 anos de idade. Um dos seus quadros mais famosos é A Pátria Nua ou Ceia Larga Brasileira. Em torno de uma mesa comprida, onde está deitada uma mulher bonita e nua, se reúnem as figuras “ilustres” da nossa história, de todos os momentos em que o povo foi a grande vítima. Esses sanguessugas respeitados pela história oficial usam as próprias mãos para continuar devorando a pátria nua e indefesa. Que pena que Tereza Costa Rego tenha pintado esse quadro poucos anos antes do golpe de Sarney no Amapá. Nele, além de Sarney, falta outra figura sinistra: Renan Calheiros. Os dois conseguiram, através das manobras apontadas neste site por Luís Nassif, cassar um brasileiro digno e comprometido com o povo: o legítimo governador do Amapá e legítimo Senador João Alberto Capiberibe. O homem que estava mudando a história do seu Estado em favor dos menos favorecidos. Sarney se mudou para o Amapá para se eleger senador e continuar a Ceia Larga Brasileira. Será que José Sarney e Renan Calheiros sabem onde fica a Reserva do Iratapuru? Mas para eles não importa. O objetivo é arrancar mais um pedaço de carne da Pátria Nua, usando as mãos sujas dos que querem continuar para sempre no poder.

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Comentários

3 comentários para “Memórias de um governo que deu certo – A revolução de Capiberibe no Amapá – Por Roberto Menezes”

  1. Pô luciana dou o meus parabéns ai para o caio que conquistou ai uma vaga no conselho de juventude da CTB e é claro exigir de você que pelo menos faça um artigo sobre o caso da ecometals ( to doido p/ saber quem são os Deputados)! valeu

    Escrito por Renan Almeida | 29/09/2009, 19:50
  2. no Amapá tudo tinha este saber fazer no presente para a sustentação do futuro. Conheci e convivi com Capi e sua Janete, filhos, netos e amigos. Era um deleite vê-lo falar em voz baixa e com poucas palavras sobre sua concepção de política, desenvolvimento, economia, cultura. Ela, falante sonhadora e simpática, ele silencioso, observador, lacônico, quase monossilábico, tinha os pés no chão. Fiz trabalho com as parteiras da floresta, agentes comunitários de saúde indígenas e trabalhamos junto com as escolas bosques, entre tantas outras ações que faziam parte da política de governo de Capi e da ideologia política da deputada Janete para construir um mundo novo do Amapá para o resto do Brasil, do Oiapoque ao Chuí!
    ETA herança maldita desses políticos do nosso país! Os predadores, como o abutre Sarney entraram como ave de rapina, atrás de carniças, e conseguiram devorar os sonhos e abortar o Eldorado que o governador Capiberibe estava tornando realidade. E hoje em dia não se fala mais no Amapá, vive esquecido dos debates, só existe no mapa do Brasil.

    Escrito por Dayse Reis | 2/10/2009, 19:15
  3. ETA herança maldita desses políticos do nosso país! Os predadores, como o abutre Sarney entraram como ave de rapina, atrás de carniças, e conseguiram devorar os sonhos e abortar o Eldorado que o governador Capiberibe estava tornando realidade. E hoje em dia não se fala mais no Amapá, vive esquecido dos debates, só existe no mapa do Brasil.

    Escrito por Dayse Reis | 2/10/2009, 19:24

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