
Fotos e texto: Eduardo Neves
A indústria moveleira no Estado do Amapá foi tema de discussão durante
audiência pública na manhã desta quinta-feira, 17, na Assembléia Legislativa. Apesar da ausência de representantes do poder público, foram levantados temas importantes, que apontam o descaso do Governo do Estado, com o setor. A sessão foi presidida pelo deputado estadual, Camilo Capiberibe (PSB/AP) e os órgãos do governo como a AFAP, SEMA e SEICOM mesmo convidados não compareceram.
Participaram do debate, o deputado estadual Rui Smith (PSB/AP), o representante da Cooperativa dos Moveleiros do Amapá, Heli Pereira e o representante dos Moveleiros presentes não filiados ao sindicato e nem a Cooperativa, Altair da Silva, além de moveleiros e a sociedade civil organizada.
Ao iniciar a audiência, o deputado Camilo, leu um comunicado do Ibama, que justificava a ausência de representantes do órgão no debate. “Entendemos até certo ponto. Mas, lamentamos ao mesmo tempo a ausência do Ibama neste debate”, esclareceu o parlamentar, ao dizer que um dos entraves dos moveleiros e órgão fiscalizador, está na exploração certificada da madeira.
Por outro lado, diversos órgãos do governo do Estado, não compareceram e nem informaram a omissão no debate. “Nós temos os trabalhadores, não temos o poder público. Me espantao fato do governo do Estado não estar nesta mesa”, lamentou Camilo.
Moveleiros não recebem do governo do Estado há mais de um ano
Durante as discussões, o representante da Cooperativa dos Moveleiros do Amapá, Heli Pereira, disse que em 2006 e 2008, o governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação (SEED), realizou licitação para a compra de carteiras escolares. Da última licitação, no valor de R$3.800.000,00 milhões reais, R$900.000,00 mil ainda não foram pagos a cooperativa.
O representante do Sindicato dos Moveleiros do Amapá (Sindmóveis), Altair da Silva, disse que em abril do ano passado, entregou 600 carteiras a SEED. Na época o empresário recebeu 50% do valor, e ainda aguarda pelos outros 50% do pagamento. “O que é pior, na loja onde agente compra o nosso material, os empresários não esperam pela boa vontade do governo”, justificou o moveleiro.
Ao ouvir o relato dos moveleiros, sobre as pendências do governo do Estado, o deputado Camilo, se sensibilizou com a situação dos trabalhadores e ao mesmo tempo estranhou como os contratos são realizados no governo Waldez. “A primeira licitação em 2006, ano de eleição. A outra em 2008, ano de novo de eleição. Acho um pouco estranho”, avaliou o parlamentar.
Moveleiros apontam decadência do setor no Amapá
A proibição da exploração da madeira não certificada é apontada como uma das causas do retrocesso da indústria no Estado. Mas, o moveleiro Waldomiro Costa, lembrou que na época do governo do PSB, foi determinado que todos os móveis adquiridos pelas secretarias de governo tinham que ser comprados no Estado, o que alavancou o mercado local. “Hoje é bem diferente. Esse governo pega o nosso produto e não nos paga”, reclamou Waldomiro.
O moveleiro do município de Santana, Adriano Lima, é um dos trabalhadores que aguardam o pagamento da SEED. Ele disse que em Santana o mercado de movelarias está parado. “Nossas carteiras e os móveis estão sendo tomadas pelo cupim. Nossas famílias estão passando fome. Alguém tem que fazer alguma coisa por nós”, cobrou Adriano.
O retrato da decadência do setor no Estado foi abordado durante a fala do ex-moveleiro, Paulo Alfaia, que teve que fechar as portas do seu empreendimento no ano passado, por falta de apoio do governo do Estado. “Agente sente a categoria desmotivada, desmobilizada, e com as mãos atadas sem poder fazer nada. Não temos apoio de ninguém”, desabafou.
O deputado Camilo, ao ouvir dos moveleiros que não há uma política de financiamentos do governo do Estado para o setor, disse que vai entrar com um projeto de Lei para criar uma linha de crédito para os moveleiros do Amapá.
Deputados condenam omissão do governo Waldez
Ao final da audiência, o deputado Rui Smith, disse que o governo do Estado demonstra aversão a crítica, quando deixou de participar da sessão pública. “Isso mostra o desrespeito do governo do Estado e a desvalorização do trabalho da categoria”, esclareceu Smith.
Para o deputado estadual, Camilo Capiberibe, o governo Waldez se omitiu e disse que a intenção do governo atual é acabar com o debate público dentro da AL. “Nesta quarta-feira, inviabilizaram a audiência pública da CEA. Hoje ninguém aparece. Eu não posso aceitar que tentem acabar com as audiências públicas, que é um importante instrumento, que a população tem para debater os problemas do Estado”, finalizou.
Dos 24 parlamentares da Assembleia Legislativa, apenas os deputados Rui Smith e Camilo Capiberibe, estiveram presentes na audiência pública.

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