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300 metros: O aterro da vergonha – Por professor Alcides de Oliveira

É impressionante como as pessoas expressam as suas imaginações, os seus desejos, até certo ponto as suas demagogias, explicitamente, sem se importar se esses seus anseios são verdadeiramente os anseios de uma população, são os anseios porque primam uma sociedade na busca da sua melhoria de vida. A imaginação de pessoas não pode nunca cercear ou omitir a participação de uma população, pois é ela a verdadeira detentora do saber do que será bom ou do que será ruim, para ela, no presente e no futuro onde ali estarão seus filhos e seus netos e, portanto não pode errar em decisões que poderão muitas vezes ser terrivelmente maléficas para todos, principalmente se esse erro ocorrer contra o meio ambiente.

Um exemplo de um mal terrível contra o meio ambiente, acredita-se, é uma proposta vergonhosa que está vergonhosamente sendo levantada por algumas pessoas, ditas preocupadas com o meio ambiente do Estado do Amapá, proposta essa que de uma maneira escandalosa levanta a possibilidade de aterrar 300 metros do Rio Amazonas, na frente da cidade, afim de que se possa manejá-lo conforme interesses, talvez gananciosos, fazer um aterro rio adentro, matando uma parte do rio patrimônio da humanidade, talvez para a formação esdrúxula de uma praia artificial, depois que já se matou as praias naturais do grandioso rio na frente da cidade, para acomodação criminosa do ser humano no espaço que a natureza não reservou para ele aqui no Estado do Amapá, com centenas de quilômetros de ressaca aterradas estupidamente, se já não bastasse os crimes ambientais que estão sendo praticados contra o majestoso, e por isso seria mais salutar que pessoas gabaritadas no âmbito do meio ambiente se preocupassem em preservá-lo, se preocupassem em manter o que resta de natural na orla de Macapá, tão atingida fisicamente como moralmente, com as agressões que sofre pelas pessoas inconseqüentes no trato com a natureza.

Essa proposta é de uma infelicidade tamanha, que preocupa, porque se quer ajudar a matar o Rio Amazonas, que faz parte da vida de todos os Amazônidas, que em Macapá é a fonte de água que dá vida a tudo que é vivente sobre essa terra bendita, que muito ele dá de alimento a todos que o rodeiam e que dele precisam, que enche os olhos de quem é apresentado a ele pela primeira vez, que doa a sua brisa para todas as pessoas dessa terra, o que poderia ser feito com as nossas florestas, com o grandioso Oceano Atlântico e a sua praia Goiabal, o que será dos nossos maravilhosos igarapés que por si só melhor é do que uma praia, ainda mais sendo ela artificial e principalmente o que será de nossas crianças atuais, que conforme a proposta no futuro não terão a oportunidade de jogar um futlama, lama sagrada do Rio Amazonas, nas tardes ou nos finais de semana, e os arrastões que as famílias, carentes de alimentos, fazem no baixar das marés, na busca da captura de um camarão para alimentar seus filhos.

Aonde chega o ser humano, e até aonde chegará maltratando assim o seu planeta, maltratando a sua morada, que o trata tão bem, que quer o seu bem, que lhe doa a sensação de felicidade, que lhe dá felicidade a si e aos seus, que é a natureza. O Rio Amazonas representa principalmente para os macapaenses a natureza viva que lhes dá vida e assim sendo o rio precisa de cuidados, o Rio Amazonas não precisa de aterro, o Rio Amazonas precisa é de respeito, o Rio Amazonas não precisa de praia na orla o que ele quer é continuar doando o que ele é para todos os amapaenses e assim sendo essas pessoas e suas propostas indecentes de aterramento do rio, não podem em nome do progresso, destruir todo, ou pedaço, daquilo que para Macapá e para o seu povo é como um pai para o seu filho, e aquilo não é nada mais e nada menos que o fantástico Rio Amazonas.

Respeitem esse rio, que não é “esse”, mas é “O Rio Amazonas”, e todos terão vida longa.

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Comentários

Um comentário para “300 metros: O aterro da vergonha – Por professor Alcides de Oliveira”

  1. Etâ mentalidade pequena.
    Acho que aqui no Amapá nunca se ouviu falar no aterro do flamengo.
    As pessoas aqui preferem se apertar nessa orla sem espaço para passeio ou estacionamento.
    O impacto ambiental tem que ser medido e não acho que trezentos metros na frente da cidade deva comprometer o ecossistema, a flora e a fauna da região.
    A relação custo benefício deve ser medida devendo ser levado em conta o potencial turístico da capital que hoje tem poucos atrativos.
    Se fosse assim, nada poderia ser modificado no ambiente. Um prédio não poderia ser erguido ou uma usina construída.
    O que não pode acontecer é criticar as coisas sem proporcionar qualquer discussão.
    Vamos pensar grande. Vamos aproveitar o potencial desse grande rio em prol dos amapaenses, fazendo com que ele fique mais atrativo ainda. Pensem. 300 metros não é nenhum absurdo.
    Para finalizar vou dar uma sugestão ao prefeito da Cidade. Que tal elaborar um projeto de construção de um pier no exato encontro do rio amazonas com a linha do equador. seria uma coisa unica no planeta.
    Gente, turismo se faz com criatividade. A cidade tem que potencializar seus atrativos e inventar outros. Muito obrigado.

    Escrito por Lauro Matias | 4/09/2009, 16:52

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