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A Piada dos Políticos – Por Luiz Barbosa Neves

Do sítio do de  Luiz Barbosa Neves

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O que eles andam fazendo no Twitter.
Corajosamente ele colocou em 140 caracteres todas suas angústias e discussões que geraram retrocessos na sua liderança nos fazendo acompanhar sua crise pessoal e política cujo desfecho foi o anúncio de sua renúncia –

A Piada dos Políticos – Acompanhamento e Análise.

Durante a campanha do Obama, tivemos a oportunidade de acompanhar o esforço que o candidato e sua equipe fizeram para através da Internet e seus mecanismos de comunicação instantânea ganhar visibilidade, mobilizarem grupos de voluntários, conquistarem credibilidade, pedir voto, registro e comparecimento aos locais de votação e arrecadar com sucesso, fundos de campanha. Conceitos como web 2.0, mídias sociais e redes sociais eram perfeitamente entendidos pelos responsáveis deste setor que empreenderam várias campanhas de comunicação e informação divulgando para milhões de americanos dentro e fora do país suas mensagens e instruções.

Duas dicas caso você queira saber mais a respeito deste assunto. Here Comes Everybody: The Power of Organizing Without Organizations de Clay Shirky e The Revolution Will Not Be Televised: Democracy, The Internet, and the Overthrow of Everything de Joe Trippi.

Existem muitos livros a respeito, mas os melhores autores não perdem o foco. Sinalizam a importância da tecnologia e a nova disposição das pessoas, mas ressaltam que a principal ferramenta neste tipo de comunicação é CONTEÚDO. Bits e bytes não convencem nem orientam ninguém. Os responsáveis pelo sucesso das campanhas online são Publicitários especializados em Comunicação Política, Jornalistas com experiência em Campanhas Eleitorais e estrategistas de Marketing Eleitoral e Marketing Digital. Óbvio? Sim, mas não custa lembrar aos nossos políticos.

Aqui em nosso país, longe ainda da campanha eleitoral, vivemos uma discussão sobre o uso da internet nas próximas eleições. O Tribunal Superior Eleitoral e o Congresso Nacional enxergam com bons olhos o uso desta tecnologia e estão verificando como regular e quais normas realmente servirão a democracia.

Enquanto isso nossos políticos podem e devem usar seus sites e blogs para comunicar e interagir com seus eleitores, partidários e jornalistas. Alguns usam. Mas de acordo com o levantamento que faço constantemente com meu grupo de trabalho, poucos usam razoavelmente bem.

Recentemente com a popularização do Twitter no Brasil alguns jornais e revistas produziram matérias sobre o uso desta ferramenta de comunicação pelos políticos brasileiros. O tom da maioria das matérias era entusiasta dando a impressão que muitos políticos teriam aderido as tuitadas. Mas não é bem assim, na realidade, pelo levantamento que fizemos com o auxílio de algumas listas online, menos de 1% por cento dos políticos brasileiros aderiram.

Passamos então a acompanhar e interagir com alguns a fim de termos uma análise do entendimento e uso que eles e suas equipes têm do miniblog.

Nossa maior surpresa foi o uso adequado do Twitter pelo Deputado Estadual RJ Jorge Piccianni e pela Governadora do RN Wilma de Faria. Políticos que com certeza não cabem no perfil de conectados. O que reforça nossa argumentação sobre a necessidade de se ter equipes especializadas em comunicação política. As mensagens são objetivas com boa narrativa e indicando na maioria das vezes um link para um site ou blog onde o assunto é tratado com mais detalhes e informações.

Antes que eu esqueça, analisamos a forma, não o conteúdo.

A decepção ficou por conta da Deputada Federal RS Manoela. Suas mensagens são tipo “estou indo para uma reunião sobre estágios”. Qual a relevância desta informação? Qual a importância desta reunião? O que ela e seus pares do partido pensam e defendem sobre a política atual de estágios no Brasil? Não sei. Não tinha nenhum link para que eu pudesse “seguir” a deputada.

O Governador de SP José Serra e o Deputado Federal RJ Gabeira mandam bem. Nenhuma surpresa, inclusive a equipe do Serra acompanhou um retweet meu quando ele comentou que é apaixonado por balé. A resposta veio no dia seguinte onde ele me esclarecia que sua esposa foi uma importante bailarina no Chile. Daí sua paixão. É claro, retweet de novo na sua mensagem. Era o mínimo que podia fazer pelo meu descrédito.

É isso, ir para o twitter e não interagir, melhor ficar nos emails.

Quando o Senador SP Mercadante desabafou que estava indignado com certas posturas de seus pares recebeu um reply com o seguinte teor “imagine nós Senador que pagamos o salário de todos vocês”.

É dele também as tuitadas que melhor representa quão próxima e instantânea pode ficar nossa relação com quem seguimos no twitter. Em plena crise do Senado ele abriu seu coração de pai emocionado com o casamento do filho. Tomou muitas tuitadas e comentários nos blogs. Corajosamente ele colocou em 140 caracteres todas suas angústias e discussões que geraram retrocessos na sua liderança nos fazendo acompanhar sua crise pessoal e política cujo desfecho foi o anúncio de sua renúncia –

“Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”.

E posterior adiamento devido ao recado do Presidente Lula passado pelo Ministro Múcio pedindo para encontrar-se com ele primeiro.

Quem acompanhou ou seguiu se preferir viu isso tudo em tempo real, antes das câmeras da TV, das transmissões de rádios, antes mesmo dos jornalistas online e blogueiros de plantão com suas centenas de fontes.

Ele foi sua própria mídia. Esse é o poder.

E ele o exerceu um dia depois quando avisou “estou indo para o Senado fazer meu pronunciamento” enquanto alguns senadores do PT avisavam pelo Twitter que ele não renunciaria.

Acompanhei por várias horas a pesquisa por “Mercadante”, não se passou um minuto sequer sem entrar dezenas de mensagens, algumas de apoio, outras tantas de descontentamento.

Já o Senador Cristovão Buarque, sempre tem o que dizer, mas a dificuldade com as pequenas teclas do BlackBerry transforma alguns de seus twites literalmente em piada. Vejam. “@Sen_Cristovamguardem a fala do simon ha poucona com de etica e digam aos netos que estavam vivos na época”.

Outro problema que encontramos foi o uso da terceira pessoa nas mensagens. Um deputado estadual do RJ tem como padrão esta forma. Mandei algumas mensagens para ele sobre isso. Abri uma conversa e ninguém se dignou a responder ou argumentar. Fiz pela primeira vez o uso do democrático direito do unfollow. Se todos os (e)leitores dele fizerem o mesmo periga ele ter unfollow no mandato.

Hoje os temas mais tuitados são suas atuações parlamentares e gestão, alguns poucos arriscam comentários pessoais e outros só tratam da crise política.

A Marina Silva vem aí, vamos acompanhar primeiro, depois analisaremos.

Não vi até o momento nenhuma ação para construção de comunidades virtuais, grupos de afinidades e outras ações pertinentes. O que demonstra a falta de conhecimento ou pro atividade para o uso potencial desta ferramenta.

Este potencial e outras providências para a melhor utilização da comunicação digital é assunto dos próximos artigos desta seção.

No mais é perceber que mesmo com alguma demora estamos tornando as relações mais transparentes. Para os que querem é claro. Mesmo que seja com 140 caracteres.

* Publicitário, Professor e Consultor de Comunicação e Marketing, autor do Blog LBN – Luiz Barbosa Neves

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

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