Eduardo Neves
A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB/AP), juntamente com o deputado estadual, Paulo José (PR/AP), realizaram na manhã desta terça-feira, 18, uma vistoria no Instituto de Administração Penitenciária (Iapen). A inspeção foi motivada, após denúncias dos familiares que presenciaram no último domingo, 16, o confronto de presos durante o horário de visitas.
Nas conversas que os parlamentares tiveram com os presidiários do Pavilhão F2, onde estão cerca de 150 presos, sendo a maior parte deles, oriundos do município de Laranjal do Jarí. Os detentos disseram que foram alvos de depredações e tiros durante o motim. “Nós e nossos familiares que estavam aqui, viveram momentos de horror nunca visto”, relatou o detento Sandro Gomes, que disse ainda existir uma rixa, contra eles. “Tudo começou, quando a direção nos mudou para esse pavilhão”, questionou o detento, informando que antes eles estavam no pavilhão F1, que fica logo no início do presídio.
Ao ouvir o relato dos detentos o deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB/AP), disse que é inaceitável que situações como está continuem acontecendo no presídio. “Nós inclusive já apresentamos um relatório feito em 2007, quando aqui estivemos. Na época, alertamos para esse problema, e até agora nenhuma providência foi tomada”, desabafou o deputado.
Após ouvirem os presos do pavilhão F2, os parlamentares foram para os pavilhões F3 e P3, onde ficam cerca de 300 presos. Nas conversas, os detentos revelaram que o motim foi ocasionado, após um detento ser baleado por um Agente Penitenciário. “Isso ocorreu por volta das 3h da tarde, quando ouvimos o tiro, e o tumulto tomou conta dos pavilhões”, relatou o detento Orivaldo Rodigues, que disse ainda, que somente após a entrada do Bope e da Polícia Militar, por volta das 5h da tarde, que a situação foi contornada.
De acordo com as informações, cerca de dez presos saíram feridos. Jerry Adriany e o detento Carlos Paiva de Araújo, que foram atingidos com disparos de armas de fogo, encontram-se internados no Hospital de Emergência.
Na inspeção os parlamentares da Comisssão de Direitos Humanos da AL, identificaram ainda a superlotação nas celas, a precariedade dos telhados, infiltrações, afiações elétricas expostas e as condições sanitárias desumanas. “Há cerca de R$4 milhões de reais disponíveis para a construção de um mini-presídio, com capacidade para cerca de 200 presos. Não entendo porque há tanta demora em fazer a obra”, cobrou o deputado Camilo Capiberibe (PSB/AP).
Após a conclusão da inspeção, o deputado Paulo José (PR/AP), informou que vai solicitar da direção do Iapen, que apure o que realmente ocorreu no último domingo dentro do presídio. “Nós vamos cobrar da direção a abertura de uma sindicância para apurar os verdadeiros culpados deste caso. Não podemos aceitar esse tipo de situação aqui dentro”, cobrou o parlamentar.
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